Ensaio sobre o verdadeiro amor
00:32 postado por Thiago Terenzi
Acalma-te! Dá-me a mão e te acalma. Tira o olhar de choro e te levanta – que a vida é de estar-se em pé. Firma os dedos trêmulos e anda. Sem medo, anda que o mundo é de se arriscar. Apesar de.Pois em ti – ah, em ti não há ódio. É que em ti só há coisas bonitas, lembranças e saudades. Em ti há o verdadeiro da coisa – pois só o verdadeiro da coisa é incapaz de travestir-se em ódio. E em ti não há ódio, apesar de.
Tu, forte que és, não fez da dor um odiar-ao-outro, que é maneira fácil de fugir do choro. Tu não! – ah, tu, que aceitas a dor com carinho materno e diz-se a si mesmo palavras sem rancor; escuta: acalma-te e dá-me o corpo desprotegido à procura de afago. Dá-me que te protejo como mãe. Deitas sobre este colo e dorme, que a noite passa. A vida passa. O ódio passa. Apenas o verdadeiro permanece.
Deita e dorme que a felicidade logo vem.
Diálogo
23:03 postado por Thiago Terenzi

- Mãe, porque viver dói tanto?
- Onde é que está doendo?
- Em algum lugar acima do peito, abaixo do pescoço. Perto de onde fica a alegria.
- Que dor é essa, filho? desde quando você dói?
- Eu me dôo todo, sempre, mas é que dói baixinho. Faz silêncio que dá pra ouvir.
- Ninguém ouve a dor, filho. Se não quer ir pra aula, não vá. Não é certo inventar doença.
- E como faz pra desinventar? é que dói e eu não quero mais doença.
- Onde é essa dor?
- É lá dentro. Perto de onde fica a alegria. E aí eu não consigo ser alegre. Como faz pra ser alegre?
- Você é feliz, filho. Você é jovem, é criança, então é feliz.
- Mas, mãe...
- Quê?
- Felicidade dói?
- Escuta: não há dor nenhuma. Você é novo. Gente nova não é triste. Então não há motivos pra dor no peito.
- Não é no peito...
- Não importa. Não existe esse lugar que você falou. Alegria não tem lugar pra ser.
- Então a gente é alegre onde?
- Como onde?
- Em que lugar do corpo a gente é alegre? Acho que me dói é nesse lugar.
- Quer saber: quer remédio pra passar a dor? Tem Novalgina na cozinha.
- Mas e se a Novalgina me fizer também passar a alegria?
- Novalgina é pra dor, filho. Não é pra alegria.
- Mas é que minha alegria é tão miúda... que às vezes parece doer.
- Papai e mamãe te amam, filho. Então você é bem alegre, é feliz. Quem tem amor de pai e mãe é feliz. Simples.
- É que eu achava que felicidade era coisa grande. É que todo mundo quer, então eu pensava que era maior...
- Pois então é bom você deixar de querer demais do mundo. As coisas nunca são como parecem ser.
- Mas é que isso de ter de ser feliz me traz medo. E se eu nasci errado? acho que nasci faltando a felicidade. Por isso dói.
- Escuta pela última vez: você nasceu perfeito. O médico falou. Ele sabe das coisas.
- E essa dor fininha que parece não ter fim?
- Criança não tem dor fininha perto do peito! Isso é coisa de velho com veia entupida.
- Então acho que eu não sou mais criança.
- É sim! Olha, felicidade é isso que você está vendo. Não existem contos de fada. Não espere tanto do mundo. A gente tem que se conformar com um monte de coisas. Você é normal. O mundo é assim mesmo e a felicidade é isso aí. Nada é o que desejamos ser.
- Mas é que ser feliz me dói tanto...
Dignidade
20:24 postado por Thiago Terenzi
E o principal: nem por um instante ela chorou. Ficou ali com seus olhares anestesiados, rosto plastificado. Mas a face continuou – e continuaria sempre – seca, sem qualquer sinal de choro. Não que lhe faltasse motivo ou dor, nada disso: era que o choro borraria a maquiagem. E era preciso manter a dignidade, nada de escândalos cinematográficos – ah, eles estão tão fora de moda... –, é que era preciso a dignidade acima de tudo. Era juntar os cacos, recolocar o barquinho na água e ir. Ir.Conto de Fadas
14:12 postado por Thiago Terenzi

Era uma vez um menino sozinho. Cabelo ao vento, sorriso no rosto, olhares perdidos em meio ao novo, mas – e acima de tudo – um menino: sozinho. Justo num mundo onde era tão perigoso estar só – ele estava. Todos sabiam dos perigos da solidão. To-dos. Tu mesmo: onde apoiastes o corpo no último inverno? ele, o menino, dormira em meio ao frio e à escuridão – logo ele que tinha tanto medo de escuro...
Eu também tenho medo do escuro – mas como já não sou menino, disfarço. Ele não: com uma coragem indizivelmente superior à minha, o menino permitia-se ao medo. É que era necessária uma bravura heróica para permitir-se a certas coisas. E ele – ah, ele não sabia disso – mas era herói. Não que lhe fosse grandioso ser herói. Não era. Não há grandiosidade na solidão. Mas é que ao permitir-se ao medo, o garoto fazia algo raro: estava sendo ele mesmo. Sem máscaras, sem esconder as próprias fraquezas: simplesmente vivia.
Decerto que ele pouco importaria se, para findar-lhe a solidão, fosse necessário também abdicar da liberdade. Mas é que a solidão lhe era característica inata – o que fazer? o que esperar de um menino sozinho? Certas vezes ele dependurava-se na janela da sala – que tinha vista para a rua – e esperava as crianças vizinhas chamarem-no para fazer-qualquer-coisa. Nunca chamavam.
E ele sabia que o mundo era por demais perigoso: não se podia estar só. O que fazer quando, anos mais tarde, a dor lhe doesse? suportaria sozinho a vida? justo a vida que era tão vasta, como enfrentá-la só? Era preciso ter para quem ligar quarta-feira às quatro da manhã – e mais: era preciso ter com quem beber garrafas de vodca e vomitar a dor. Era necessário ter com quem discutir inutilmente Nietzsche ou Lacan numa mesa de bar ou sorrir enquanto constata-se a fragilidade da vida do outro – era imprescindível ter com quem dividir o cigarro ou a dor. E ele não teria nada disso...
Não que já soubesse, garoto que era, dos perigos da vida futura – mas é que alguma coisa-sem-nome-nem-rosto lhe dizia em sussurros: é necessário ter alguém que... (e então vinha o silêncio). E apenas anos mais tarde é que descobriria que era preciso que o telefone tocasse sexta-feira à noite para livrar-se da madrugada fria.
Mas desde muito jovem o garoto sabia que o telefone jamais tocaria. Ele era assim: um menino sozinho. E então inventava fadas e dragões num mundo que lhe era particular – e lhe era também verdadeiro. O menino nunca se apegara à realidade concreta das coisas, de modo que lhe era fácil criar um mundo de fadas e chamá-lo de real.
E então quando o frio doía bastante e o escuro parecia ser inviolável – ah, daí ele sentia todo o calor das fadas lhe proteger. E elas eram tão iluminadas que mesmo naquele escuro completo não havia o que temer. É que as fadas – e também os dragões e os duendes – eles entendem o medo. E ao menino bastava o entendimento. As criaturas fantásticas sabiam que para a dor cessar bastava o abraço quente e o olhar dizendo dorme-que-passa. E então o garoto dormia. Não era necessária uma única palavra: bastava-lhe o abraço.
As fadas e os duendes e os dragões são criaturas incríveis: eles simplesmente entendem. E mudos – porque não há sequer uma palavra a se dizer –, abraçam. É que no fim o garoto buscava apenas o entendimento e não a palavra. Ele buscava o abraço. No fim as palavras haviam sido todas em vão – porque as palavras são falhas e são de fato todas em vão. Ele queria o não-verbal, o espaço vazio entre as letras.
Mas então o menino cresceu e deixou de acreditar nos contos de fadas.
Eu também tenho medo do escuro – mas como já não sou menino, disfarço. Ele não: com uma coragem indizivelmente superior à minha, o menino permitia-se ao medo. É que era necessária uma bravura heróica para permitir-se a certas coisas. E ele – ah, ele não sabia disso – mas era herói. Não que lhe fosse grandioso ser herói. Não era. Não há grandiosidade na solidão. Mas é que ao permitir-se ao medo, o garoto fazia algo raro: estava sendo ele mesmo. Sem máscaras, sem esconder as próprias fraquezas: simplesmente vivia.
Decerto que ele pouco importaria se, para findar-lhe a solidão, fosse necessário também abdicar da liberdade. Mas é que a solidão lhe era característica inata – o que fazer? o que esperar de um menino sozinho? Certas vezes ele dependurava-se na janela da sala – que tinha vista para a rua – e esperava as crianças vizinhas chamarem-no para fazer-qualquer-coisa. Nunca chamavam.
E ele sabia que o mundo era por demais perigoso: não se podia estar só. O que fazer quando, anos mais tarde, a dor lhe doesse? suportaria sozinho a vida? justo a vida que era tão vasta, como enfrentá-la só? Era preciso ter para quem ligar quarta-feira às quatro da manhã – e mais: era preciso ter com quem beber garrafas de vodca e vomitar a dor. Era necessário ter com quem discutir inutilmente Nietzsche ou Lacan numa mesa de bar ou sorrir enquanto constata-se a fragilidade da vida do outro – era imprescindível ter com quem dividir o cigarro ou a dor. E ele não teria nada disso...
Não que já soubesse, garoto que era, dos perigos da vida futura – mas é que alguma coisa-sem-nome-nem-rosto lhe dizia em sussurros: é necessário ter alguém que... (e então vinha o silêncio). E apenas anos mais tarde é que descobriria que era preciso que o telefone tocasse sexta-feira à noite para livrar-se da madrugada fria.
Mas desde muito jovem o garoto sabia que o telefone jamais tocaria. Ele era assim: um menino sozinho. E então inventava fadas e dragões num mundo que lhe era particular – e lhe era também verdadeiro. O menino nunca se apegara à realidade concreta das coisas, de modo que lhe era fácil criar um mundo de fadas e chamá-lo de real.
E então quando o frio doía bastante e o escuro parecia ser inviolável – ah, daí ele sentia todo o calor das fadas lhe proteger. E elas eram tão iluminadas que mesmo naquele escuro completo não havia o que temer. É que as fadas – e também os dragões e os duendes – eles entendem o medo. E ao menino bastava o entendimento. As criaturas fantásticas sabiam que para a dor cessar bastava o abraço quente e o olhar dizendo dorme-que-passa. E então o garoto dormia. Não era necessária uma única palavra: bastava-lhe o abraço.
As fadas e os duendes e os dragões são criaturas incríveis: eles simplesmente entendem. E mudos – porque não há sequer uma palavra a se dizer –, abraçam. É que no fim o garoto buscava apenas o entendimento e não a palavra. Ele buscava o abraço. No fim as palavras haviam sido todas em vão – porque as palavras são falhas e são de fato todas em vão. Ele queria o não-verbal, o espaço vazio entre as letras.
Mas então o menino cresceu e deixou de acreditar nos contos de fadas.
Para seja-lá-qual-direção
13:30 postado por Thiago Terenzi
Vai e seja feliz. Vai e tenha uma vida bem bonita, que eu me tenho também. Não: eu não tenho nada, nem você terá. Mas vai e seja feliz, que a tentativa liberta. Vai e siga um caminho bem florido, que eu sempre estarei aqui. Vai sem medo, olhar altivo e forte, vai com teu sorriso e teus amigos.Vai que a dor de agora é coisa pouca, passa – vai passar. Levanta e te seja feliz, que eu desejo mil coisas bonitas. Desejo um sol bem bonito num jardim lindo com uma grama verde e um lago límpido, desses que em cidade grande não tem. Desejo você no jardim deitada sob a árvore ouvindo músicas de liberdade. Desejo que seja primavera e o clima esteja bom. Desejo um clima sempre bom.
Vai que eu te quero só coisas boas. É que o nosso jardim morreu e nos perdemos em meio à morte. E não há como nos acharmos. Não nos somos nós dois. E não há nada mais autodestrutivo que tentar sem fé. E não há fé.
Vai e te torna feliz de novo. E um dia, quem sabe, a gente finge que é dezembro e finge ser reveillon e eu pergunto se queres vir aqui, que aqui tem cerveja e tem vinho também e que daqui dá pra ver os fogos bem de perto da janela e que eu até faço uma comida e alugo um filme desses de comédia romântica em que em meio a tantos desencontros, no fim, eles terminam juntos. E então você responde que não sabe, que combinou com amigos um reveillon num clube qualquer, mas que também nem quer tanto sair com eles. E eu insisto e você topa e a gente se vê pela primeira vez com uma sensação estranhíssima de que já nos conhecemos antes e que temos uma vida inteira em comum. Mas deve ser apenas impressão nossa, eu digo. Eu sempre tenho a impressão de já conhecer as pessoas.
E então, quem sabe, nesse outro reveillon, os planetas se alinhem em seja-lá-que-lugar e os astros apontem para seja-lá-qual-direção e a gente seja feliz.
A ausência de
18:59 postado por Thiago Terenzi

E o dia nascera. Mesmo havendo a dor – e ela estava ali –, o sol surgia forte e quente e queimando a perna de varizes mofadas daquele homem. Era um homem velho murcho doído. Dormindo às três da tarde de uma terça-feira e o sol quente, sempre quente. Era um velho sem rumo. A barba mal feita, pêlos brancos aqui e ali, aquele cabelo seboso entre o liso e o anelado, aquele rosto amarrotado de quem dormiu a vida. De quem comeu a vida e não engoliu.
E o homem, perigosamente pálido, levantara da cama. O sol quente, sempre quente, queimava o quarto sempre àquele horário. Ele até queria comprar cortinas e espalhar pela casa e dizer adeus de vez ao sol, mas é que nunca saía do apartamento, quando saía não lembrava de comprar coisa alguma. Lembrou é de ascender o cigarro, Marlboro vermelho em jejum, puxou o ar com voracidade, engoliu a fumaça, gosto de nicotina na garganta, depois assoprou e viu aquele ar cinza impregnar o carpete já meio amarelado queimado nos cantos. Veio à boca aquele gosto seco de ressaca, aquela sensação de boca encardida. Fumou outro cigarro e ouviu Janis no vinil.
Depois preparou a bebida: duas pedras de gelo e uísque até a borda. O gelo era mais pelo barulho – o tin-tin-tin da pedra no copo tinha lá seu glamour. Então fechou os olhos e imitou a cantora fazendo em falsete a voz rouca gritando “come on and cry, cry baby, cry baby, cry baby”. Abaixou o volume para ver se o telefone tocava, pensou que um amigo poderia ligar, perguntar como estava e chamar pra encher a cara no fim de semana que teria festa na casa de não-sei-quem e que era só levar dez latas de cerveja que a vodca seria de graça – mas o telefone nunca tocava. Nunca. Então ascendeu outro cigarro, o maço estava acabando, restava uns dois ou três. E então ascendeu e fumou compulsivamente, naquele mesmo ritual voraz de engolir a fumaça. O gosto de ressaca ainda secava sua boca.
Em meio ao tédio, pensou que poderia ligar para uma amiga e falar “gata, vamos beber hoje? É que eu tô com saudades e preciso de amigos”. E então ele seria sincero e diria que nem gostava tanto assim dela, mas é que não restara muitos outros. “É que é todo mundo feliz e eu aqui com essa dor no peito, essa coisa atravessada na garganta. Daí lembrei de você que sempre foi meio doída e resolvi ligar”. E então ela toparia e bateria àquela porta às oito e levaria uma garrafa de vodca meia-boca para misturar na coca. Eles chorariam juntos e depois trepariam uma única vez porque no fundo nem havia tanto tesão assim. Depois dormiriam nus, cada um no seu canto, até dar três horas da tarde e o sol, maldito sol, expulsá-los do sono.
Mas então o homem lembrou que nem tinha mais o telefone dela, que perdera o celular numa noite qualquer, provavelmente bêbado. Lembrou que não tinha o telefone de ninguém. Franziu a testa tentando buscar na memória números ou e-mails mas foi em vão. Decidiu comer alguma coisa, estava com fome. Cheeseburguer de microondas, tudo artificial. Ligou o aparelho, colocou o hambúrguer, um minuto e vinte. Encheu um copo com coca porque odiava comer com álcool. E comeu.
Depois ainda bebeu o resto do uísque, fumou os últimos dois ou três cigarros e ouviu Janis depois Caetano depois Cazuza depois dormiu.
E o homem, perigosamente pálido, levantara da cama. O sol quente, sempre quente, queimava o quarto sempre àquele horário. Ele até queria comprar cortinas e espalhar pela casa e dizer adeus de vez ao sol, mas é que nunca saía do apartamento, quando saía não lembrava de comprar coisa alguma. Lembrou é de ascender o cigarro, Marlboro vermelho em jejum, puxou o ar com voracidade, engoliu a fumaça, gosto de nicotina na garganta, depois assoprou e viu aquele ar cinza impregnar o carpete já meio amarelado queimado nos cantos. Veio à boca aquele gosto seco de ressaca, aquela sensação de boca encardida. Fumou outro cigarro e ouviu Janis no vinil.
Depois preparou a bebida: duas pedras de gelo e uísque até a borda. O gelo era mais pelo barulho – o tin-tin-tin da pedra no copo tinha lá seu glamour. Então fechou os olhos e imitou a cantora fazendo em falsete a voz rouca gritando “come on and cry, cry baby, cry baby, cry baby”. Abaixou o volume para ver se o telefone tocava, pensou que um amigo poderia ligar, perguntar como estava e chamar pra encher a cara no fim de semana que teria festa na casa de não-sei-quem e que era só levar dez latas de cerveja que a vodca seria de graça – mas o telefone nunca tocava. Nunca. Então ascendeu outro cigarro, o maço estava acabando, restava uns dois ou três. E então ascendeu e fumou compulsivamente, naquele mesmo ritual voraz de engolir a fumaça. O gosto de ressaca ainda secava sua boca.
Em meio ao tédio, pensou que poderia ligar para uma amiga e falar “gata, vamos beber hoje? É que eu tô com saudades e preciso de amigos”. E então ele seria sincero e diria que nem gostava tanto assim dela, mas é que não restara muitos outros. “É que é todo mundo feliz e eu aqui com essa dor no peito, essa coisa atravessada na garganta. Daí lembrei de você que sempre foi meio doída e resolvi ligar”. E então ela toparia e bateria àquela porta às oito e levaria uma garrafa de vodca meia-boca para misturar na coca. Eles chorariam juntos e depois trepariam uma única vez porque no fundo nem havia tanto tesão assim. Depois dormiriam nus, cada um no seu canto, até dar três horas da tarde e o sol, maldito sol, expulsá-los do sono.
Mas então o homem lembrou que nem tinha mais o telefone dela, que perdera o celular numa noite qualquer, provavelmente bêbado. Lembrou que não tinha o telefone de ninguém. Franziu a testa tentando buscar na memória números ou e-mails mas foi em vão. Decidiu comer alguma coisa, estava com fome. Cheeseburguer de microondas, tudo artificial. Ligou o aparelho, colocou o hambúrguer, um minuto e vinte. Encheu um copo com coca porque odiava comer com álcool. E comeu.
Depois ainda bebeu o resto do uísque, fumou os últimos dois ou três cigarros e ouviu Janis depois Caetano depois Cazuza depois dormiu.
O Espelho ou A gente é assim mesmo ou Segura a minha mão, por favor ou Sobre algum Fim ou Me ensina alguma coisa ou Grita que eu me grito também ou ,
04:41 postado por Thiago Terenzi


