<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414</id><updated>2011-12-31T15:40:09.220-02:00</updated><category term='poesias'/><category term='hilda hilst'/><category term='felicidade clandestina'/><category term='geração editorial'/><category term='televisão'/><category term='pensamentos'/><category term='junio lerner'/><category term='medo do desconhecido'/><category term='sobre a alma'/><category term='meus textos'/><category term='os'/><category term='luiz fernando emediato'/><category term='zézim'/><category term='contos'/><category term='sobreviventes'/><category term='trechos'/><category term='gastão moreira'/><category term='poema antigo'/><category term='thiago terenzi'/><category term='os dragões não conhecem o paraíso'/><category term='geração online'/><category term='Caio Fernando Abreu'/><category term='morangos mofados'/><category term='sobre a loucura'/><category term='1977'/><category term='textos do passado'/><category term='Clarice por Clarice'/><category term='cartas'/><category term='Aprendendo a viver'/><category term='biografia'/><category term='frases'/><category term='a descoberta do mundo'/><category term='emediato'/><category term='a biblioteca'/><category term='aracy balabanian'/><category term='CLarice Lispector'/><category term='meu caso de amor com caio fernando abreu'/><category term='tv cultura'/><category term='entrevista'/><category term='crônicas'/><category term='atualizações'/><category term='sobre mim'/><category term='se eu fosse eu'/><category term='audiobook'/><title type='text'>Thiago Terenzi</title><subtitle type='html'>Textos, crônicas e contos.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>71</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-49000381391707229</id><published>2011-01-24T20:09:00.004-02:00</published><updated>2011-01-24T20:56:08.497-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>London, London</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TT34vrXOVVI/AAAAAAAAAN4/TXtdBWcjz74/s1600/love-bird-415x500.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 266px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565878212477474130" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TT34vrXOVVI/AAAAAAAAAN4/TXtdBWcjz74/s320/love-bird-415x500.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;Dizem que por volta de mil seiscentos e sabe-se-lá-quanto, numa Londres devastada pela Peste Negra, as pessoas assustadas fugiam de suas casas e firmavam acampamento no Hyde Park. Era como se ali – dizem, sempre dizem –, em meio às árvores, lagos e todo aquele bucolismo estranho a uma metrópole, era como se ali fosse uma espécie de porto-seguro, seguro até mesmo da peste, da morte, do medo. Não sei se é verdade, não sei de muitas coisas. Mas sempre que vou a Londres, como agora, como hoje, sempre pela manhã, sempre de manhazinha, sempre caminhando pela Bayswater Street, leve frio londrino, brisa suave, cappuccino quente entre os dedos, aproveito para sentar em algum banco livre próximo a alguma árvore sem folhas, sempre sem folhas, no Hyde Park. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sempre próximo ao lago, sempre sozinho. Sempre fecho os olhos e me imagino protegido, protegido da peste, da morte, do medo. Nunca fui de acreditar em impossíveis, nunca acreditei em fadas, duendes, deuses e isso-que-eles-chamam-de-plenitude – mas é que talvez por ser Londres ou talvez pelo clima mágico ou quem sabe por eu estar ficando meio velho e precisando de algumas crenças, mas é que enquanto fecho os olhos, leve frio arrepiando os pelos, leve brisa bagunçando meus cabelos cada vez mais ralos cada dia um pouco mais ralos, é que quando fecho os olhos me sinto realmente protegido. De uma proteção tão frágil quanto a que sentiam séculos antes aqueles pobres londrinos fugidos da peste. Como se aquela leve magia do parque pudesse salvá-los. Como se aquele frágil instante de plenitude-distraída pudesse me salvar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dia desses andando sem destino pelo parque, como sempre tenho andado desde nem-me-lembro-quando, dia desses perdido como me é de costume, ando me perdendo tanto e tanto que nem sei ao certo o que fazer de mim – dia desses pelo parque, numa das margens do Serpentine Lake, encontrei uma imagem esculpida em pedra, linda, imponente, cinza, grande, muito grande: um pássaro de asas fechadas, um pássaro lindíssimo, não me lembro a espécie, não sei de muitas coisas mas sabia que era lindo e lindo de um encanto mágico. Nunca me encantei por animais, mas aquela figura altiva, um pássaro enorme de asas corpulentas protegendo todo o corpo, olhar penetrante e bico largo num estranho sinal de reverência, reverência a mim, justo a mim, eu que sou tão menor que qualquer pássaro, tão frágil, tão pequeno, tão ridiculamente frágil e pequeno – imóvel, sempre imóvel, estudei a escultura enquanto ela, também imóvel, parecia me fitar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após segundos de completo choque e êxtase contido, reparei ainda distraído, como ando desde nem-me-lembro-quando, ando tão distraído tão sem-motivo para qualquer atenção, reparei numa placa de ferro abaixo dos pés imponentes daquele pássaro. Havia algo escrito. Meu inglês péssimo sempre péssimo, nunca soube de muitas coisas, nunca soube de muitas palavras além do mínimo necessário para sobreviver em Londres, meu inglês jamais me deixou traduzir com exatidão o que havia ali – talvez o escrito contasse a estória daquela ave estranhamente corpulenta, talvez revelasse a identidade do escultor, algum famoso artista plástico londrino, vai saber, as palavras eram difíceis, vocabulário complicado e há tempos eu já não me dedicava mais aos estudos, há tempos eu já não me dedicava mais a quase nada -, mas, em meio a frases desconexas, uma palavra me saltou aos olhos: &lt;em&gt;wish&lt;/em&gt;, que é desejo. E eu desejo tanto, nem sei o quê, mas desejo. Às vezes fecho os olhos e repito três vezes algum pedido, algum desejo, repito ao deus ou ao que chamam de deus, não sei ao certo, não sei a quem e nem sei se realmente acredito, nunca fui de acreditar em muitas coisas, mas talvez: o desejo baste. &lt;em&gt;Wish, wish, wish&lt;/em&gt; repito comigo, sempre três vezes, só para ouvir a bonito som da palavra. E então faço um pedido com alguma esperança que nunca tive, nunca fui de ter fé nunca fui de ter muitas coisas, e então peço um desejo, qualquer coisa, qualquer coisa que se possa desejar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na placa, presumi, estava escrito ao final algo como &lt;em&gt;deposite aqui uma moeda e faça um desejo&lt;/em&gt;. Havia um espaço para depositar dinheiro, uma caixa de bronze, cerâmica ou de alguma outra pedra, nunca fui bom para identificar tipos e pedras e todo o resto, e a caixa, pensei, parecia com alguns dos meus porquinhos que sempre tive na infância, esses porquinhos-cofre em que a gente deposita algum dinheiro, tive saudades dessa época e tive saudades dos meus porquinhos.&lt;br /&gt;Peguei uma moeda, a maior que eu tinha, nunca fui de ter muito dinheiro nunca fui de ter muitas coisas, peguei uma moeda de dois pounds, segurei firme, estava gelada, queimava a mão, as moedas são sempre muito frias no inverno, pensei, e então me veio em mente que talvez eu também estivesse sempre muito frio neste meu inverno que já durava já-nem-lembro-quanto-tempo, não me lembro de muitas coisas. E então eu pensei em quantas moedas existiam abaixo daquele Pássaro Imponente, pensei em quantos desejos haviam sido desejados e em quantos pedidos desesperados haviam sido pedidos desesperadamente em frente ao Pássaro, aquele Pássaro. Quantas moedas haveriam ali? quantas nacionalidades? quantas estórias parecidas? quantas épocas? quantos desejos? quantos desejos? Será que teriam sido atendidos? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com mãos firmes, segurei a moeda. Quantos reais valeriam dois pounds? não fazia ideia, nunca fui bom com dinheiro, tentei convertei em euros depois reais, desisti. Segurei ainda mais firme a moeda e desejei, desejei alguma coisa, &lt;em&gt;I wished something, wish, wish, wish&lt;/em&gt;, digo agora em inglês para sentir o som da palavra. Nunca fui de crer, nunca fui de ter fé – mas talvez fosse o Pássaro ou talvez o clima mágico que me envolvia ou talvez por ser Londres e estar em Londres talvez fosse tão surreal que qualquer fé fosse possível. Talvez fosse, me veio agora, por eu estar querendo tanto e tanto e tanto que aquilo tudo fosse real – ah, e eu queria tanto que talvez por querer: talvez fosse real. Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam, lembrei de Clarice. E então, com um desejo tão forte e tão sincero e tão real de quem deseja e deseja mais que tudo – e então depositei a moeda, dois pounds, de olhos fechados. Queria tanto, sabe? e quando se quer muito, quando se quer de verdade, dizem, a coisa acontece. Quando se quer muito, tudo deveria acontecer. Acontecerá, pensei comigo mesmo. &lt;em&gt;Assim será, assim será, assim será&lt;/em&gt;, repeti três vezes, em silêncio, só para o deus ouvir. Ou o Pássaro, quem sabe. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-49000381391707229?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/49000381391707229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=49000381391707229' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/49000381391707229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/49000381391707229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2011/01/london-london.html' title='London, London'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TT34vrXOVVI/AAAAAAAAAN4/TXtdBWcjz74/s72-c/love-bird-415x500.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-4286672765086653418</id><published>2011-01-07T16:34:00.004-02:00</published><updated>2011-01-07T16:41:34.519-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>O Estrangeiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TSddayIXbvI/AAAAAAAAANw/GyZo4gHBV9E/s1600/DSCF0293.JPG"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559514979727011570" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TSddayIXbvI/AAAAAAAAANw/GyZo4gHBV9E/s320/DSCF0293.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Ando pensando agora neste trem frio e silencioso, neste trem estrangeiro que liga nem sei quais cidades, nem importa, nunca importou, prefiro mesmo o caminho ao próprio destino. Ando pensando que quanto mais tentamos e buscamos desesperadamente ficar alheios, quanto mais nos perdemos de nós mesmos em busca de alguma outra Realidade Menos Dolorida – ando pensando que quanto mais fugimos - e a gente sempre foge –, mais impossível se torna a batalha. Se tivesse caneta, e nunca tenho, nunca levo muitas coisas, nunca levo nada além de algumas mudas de roupas neutras de qualquer lembrança Sua – se tivesse caneta, anotaria, tão grandioso me pareceu o pensamento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ando pensando também que este clima estranho e fechado e soturno e este frio cortante nos convidam à lembrança. E a lembrança é sempre perigosa. Este balanço suave e o barulho da leve camada de neve batendo sobre o vidro, o vento avançando sob as frestas num som agudo típico deste algum lugar do Leste Europeu (ou será França? Inglaterra? Irlanda? talvez algum lugar da Holanda visto o sotaque carregado murmurado entre as finas paredes do trem). Mas ando pensando que este clima propício nos leva à lembrança. Nos leva a querer exatamente o que buscávamos esquecer. Há alguma melancolia nestas terras estranhas que nos convida à catarse. Se tivesse caneta, penso eu novamente, escreveria. Mas nunca tive muito. Nunca fui de possuir, sempre preferi o feeling, o tactus da coisa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ando pensando sobretudo – e talvez influenciado pelo clima cinza e estranho deste sabe-se-lá-que-lugar, e ao contrario de toda a fuga planejada nos últimos tempos, New York Londres Berlim Oslo Amsterdam Budapeste e depois nem importava mais qual cidade qual país qual língua, importava apenas ir e ir e ir e buscar alguma coisa que ainda não sei mas saberei, tenho fé, eu acho – ando pensando em te ligar. Ontem ou anteontem, não me lembro, em alguma dessas cidades de céu sempre cinza, sempre noite, sempre triste, vi um senhor, talvez latino, talvez árabe vendendo cartão telefônico internacional. Sabe-se lá o porquê, nunca tenho para quem ligar, não sobraram muitas pessoas nunca tive muitas pessoas, peguei a carteira e procurei restos de euro ou pound, nem me lembro mais, nunca me lembro – e comprei. Ando desde então pensando em Te ligar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E entre as estações e entre as cidades sempre escuras sempre frias sempre lindas sempre irritantemente lindas, e nos trens ou nos aviões ou nos ônibus, ando ensaiando alguma ligação. Ando ensaiando tantas coisas, acredite. Embora talvez não se valha mais a pena acreditar, já não importa mais ter fé. Ando ensaiando talvez Te dizer algo como. Já não sei mais, acho que não quero, a lembrança é difícil, as cicatrizes estão sempre meio abertas, meio doloridas, meio vivas. Talvez tenhamos destruído todas as possibilidades cedo demais, talvez tenhamos dito cedo demais aquilo que não se deve dizer. Porque éramos jovens, éramos crianças e havia muito para ser vivido, para ser experimentado, sempre há muito para se experimentar quando se é jovem. Eliminamos cedo demais todas as possibilidades – porque há palavras que não podem ser ditas, depois voltar atrás é tão difícil, tão difícil, Você sabe. Re-construir, aprendi com o tempo e com os bares e com o frio, é tão mais difícil que construir, sabe?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu pudesse Te dizer tudo isso, talvez eu devesse, antes de mais nada, me dizer. Mas acho que esse frio e esses lugares-sem-identidade e essa neve gélida e essas noites eternas sempre noite sempre noite – acho que não sei mais dizer. Pensei em escrever, sempre fui bom com as letras, mas já não sei em que língua ainda sei sentir. &lt;em&gt;Deve haver um porto&lt;/em&gt;, li um dia em algum livro talvez brasileiro irlandês inglês alemão espanhol ou português. &lt;em&gt;Deve haver&lt;/em&gt;, repeti. Haverá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-4286672765086653418?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/4286672765086653418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=4286672765086653418' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4286672765086653418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4286672765086653418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2011/01/o-estrangeiro.html' title='O Estrangeiro'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TSddayIXbvI/AAAAAAAAANw/GyZo4gHBV9E/s72-c/DSCF0293.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-3873479537394287556</id><published>2010-11-22T17:43:00.005-02:00</published><updated>2010-11-22T17:56:54.954-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Uma estória tristíssima</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TOrIsqY46OI/AAAAAAAAANQ/NeP-shozLVY/s1600/pix.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 320px; height: 241px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TOrIsqY46OI/AAAAAAAAANQ/NeP-shozLVY/s320/pix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542462961051298018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a Luan Nogueira pela ideia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ah, é tudo tão igual que me enjoa. Você aí com esse ar de a-vida-me-é-cruel e vou-me-jogar-da-ponte mas no fundo é tudo igual. Você de rosto inchado de tanto chorar ascendendo esse cigarro molhado de chuva, tentando fazer o fogo pegar mas no fundo é sempre assim. Você culpando deus-destino-acaso-alá-jesus ou qualquer coisa do tipo mas não há culpados não. Tira esse ar patético de Homem Mais Triste do Mundo e vive. É tudo igual. É um filme sem graça que se repete, uma tragicomédia mal feita seguindo sempre aquele mesmo roteiro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cult &lt;/span&gt;furado de clímax e anti-clímax.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você aí chorando entre a bebida e o cigarro trancado em casa ou bebendo sozinho em algum boteco sujo de alguma rua escura e dirigindo rápido avançando sinais e cortando carros sempre bêbado fingindo não ter nada a perder. Mas você é só mais um, boy. São todos iguais. Discursinho de quero-morrer-que-os-deuses-não-me-amam olhar acuado voz embargada. Tudo igual. E você aí dirigindo rápido e bêbado e querendo quem sabe algum desastre enfim – mas não vai acontecer nada não. As tragicomédias são todas iguais: desastre vem quando se está distraído, quando se é tudo luz. E por enquanto é só autodestruição frustrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto é você aí bêbado de vodca vagabunda, barba por fazer, carreiras escondidas no banheiro do boteco e algumas trepadas sem sentido, logo você que nunca viu sentido em sexo-sem-amor. Por enquanto é você acordando sozinho no quarto, sol na cara, ressaca nos olhos e boca seca de vômito. E então lhe vem na mente aquele poema bonito, Hilda Hilst talvez – é sempre algum poeta bêbadofrustrado – e finge declamá-lo altivo na cama a um corpo sem rosto que provavelmente nunca existirá. Nunca existirá. É sempre igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre assim: alguns meses de porres e trepadas sem razão até algum dia num boteco qualquer, cansado de procuras no escuro e de ressacas intermináveis e de corpos estranhos e de fugas eternas e de tudo aquilo que se via no espelho e que não era – até que, naquele boteco você bêbado implorando socorro em silêncio, olhos vermelhos, barba por fazer. Até que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre assim, boy. As tragicomédias se repetem como num &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blockbuster &lt;/span&gt;americano: a mocinha é salva pelo cowboy. E então você é salvo de si mesmo. Como naqueles filmes sacados e mal feitos, a garotinha vê o garotinho e de repente num close clichê: se salvam. E a garota frágil e equilibrada recebe proteção e o mocinho forte e perdido enfim se encontra. Tudo sempre igual. E de repente Um Novo Grande Amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então vocês se encontram e trepam de mãos dadas e corpos colados, como era o sexo Naquela Outra Vida agora meio distante embora presente. E então de corpos colados surge um olhar de súplica, algo como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;me salve estou tão perdido aqui é tão frio e escuro preciso de um norte preciso ter fé. alguma fé. fé.&lt;/span&gt; E dramático como um melodrama almodovariano ridiculamente inverossímil porque no fim somos todos ridiculamente inverossímeis – e ridiculamente dramático você finge ter medo, finge não querer sofrer outra vez, finge não estar pronto para o Tudo Aquilo Outra Vez. Ah, boy, é tudo sempre igual. Mas você se rende, não há escolha. Quando se trepa de mãos dadas e corpos colados – ah, não há mais escolhas. E você testa aquele corpo tão diferente Daquele Outro De Tempos Atrás e então se acostuma, se ajeita, se cabe. Não há volta, boy, é sempre igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você enfim se rende aos novos sabores, novos olhares, novos quereres tão diferentes Daqueles Outros De Tempos Atrás. E então você se cabe e se vive enfim de uma outra vida que não Aquela Outra agora um pouco mais distante embora ainda presente – porque as cicatrizes assim como os resquícios dos excessos sempre estarão presentes. É inevitável, boy. É tudo tão igual que me enjoa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-3873479537394287556?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/3873479537394287556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=3873479537394287556' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3873479537394287556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3873479537394287556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2010/11/uma-estoria-tristissima.html' title='Uma estória tristíssima'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TOrIsqY46OI/AAAAAAAAANQ/NeP-shozLVY/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-6866519589826392203</id><published>2010-10-18T23:47:00.004-02:00</published><updated>2010-10-18T23:57:46.463-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Um colo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TLz5zpDtNCI/AAAAAAAAANE/cItvUt2VGFY/s1600/sizubgi.gif"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TLz5zpDtNCI/AAAAAAAAANE/cItvUt2VGFY/s320/sizubgi.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5529569108094170146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“So how do I feel this good sober?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Luzes, aplausos e toda aquela baboseira de orgulho-da-família e garota-problema-que-deu-certo-na-vida. Plateia fotos autógrafos sorrisos e programas de tevê. Tudo que todo mundo sempre quis e no entanto nada. No fim é só essa dor no peito e esse gosto de vômito na boca que nunca passa. Nunca passa, cara. No fim é esse movimento de luzes cidades e abraços sem motivo e sem sentido que nem ao menos aliviam mais a dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, como eu queria sua vidinha sóbria, cara. Queria um porto, um lugar para deitar a dor. Um único lugar: nada de mil corpos sem identidade em quartos de hotel. Queria minha cama e meus caquinhos: meia dúzia de roupas, discos e um emprego de merda desses que nos fazem chegar em casa cansados e dormir com um beijo de boa noite. Lembra quando a gente tinha isso? Ah, a gente sempre teve tanta coisa, boy. É que o que a gente quer mesmo é esse sonho careta que no fundo todo mundo tem: rodar na roda e alugar um apartamento fodido e barato no trigésimo andar de algum prédio velho no centro e morar juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, eu só queria morar nesse prédio fodido, cara. Logo agora que consegui o que sempre quis – só quero o prédio. Logo agora: programa de  tevê me dizendo ser grande-nome-da-música-contemporânea, dinheiro, bebida e toda essa merda que chamam de chegar-lá. Cheguei. E quero ir embora. Odeio o palco e odeio que cantem minhas dores. Ah, cara, acho mesmo é que odeio a música e tudo isso que chamam de arte. Odeio luzes aplausos e autógrafos. Odeio a loucura e os que vivem na noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos todos fodidos, repito sempre entre o pó do camarim e as luzes do show. E choro e choro e choro e me vem uma vontade estranha de fugir do palco e ir te ver. Como antes. Como sempre. E deitar no seu colo como uma menina medrosa e chorar e chorar enquanto você sussurra c&lt;span style="font-style: italic;"&gt;alma, bebê, eu tô aqui&lt;/span&gt;, e eu me acalmo e durmo com os olhos meio abertos como sempre dormi, e você rindo meio alto para que quem sabe eu acorde e então te sorria aquele meu sorriso charmoso de preguiça contida. Ah, boy, mas nem tenho coragem. Sou medrosa e desesperançada. Sempre com esse ar meio infeliz. Vou é subir no palco e tristíssima gritar minhas dores e ganhar aplausos encorpados – e ganhar aplausos pela própria dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que queria era dizer – antes que esse show comece e eu seja empurrada ao palco e aos flashes  e ao uísque e aos sorrisos forçados e aos abraços de parabéns-você-é-um-talento  – ah, o que eu queria era dizer que guardei uma grana e dá para alugar um apartamento apertado no Maletta sem luxo ou coisa do tipo, mas a gente pinta, eu sei pintar e tenho um emprego em vista, enquanto isso vivo da música, componho bem, dá um trocado, tenho contatos. E você diria – e diria apenas no meu sonho, mas juro que diria, boy – diria t&lt;span style="font-style: italic;"&gt;emos que fazer economias, amor, precisamos de algum dinheiro guardado, não podemos fazer loucuras sem pensar. Morar juntos é coisa séria.&lt;/span&gt; Mas sou pé-no-chão, cara, sei que no fundo riria da minha cara. Morar com alguma ex-cantora fodida não faz seu tipo. Ainda mais eu e meus erros infinitos que nunca admito. Ainda mais eu que ando errando tanto e tanto e tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então eu canto porque no fundo é o que resta. Canto aos berros como que buscando alguma salvação, algum porto que me seja de direito. E quando as luzes se apagam choro e choro e choro e choro porque transformaram-me em mulher-da-noite-louca-e-multitalentosa. Logo eu que sou menina frágil e ridiculamente convencional. Logo eu que queria apenas um sorriso e um sussurro cantarolando Cazuza meio desafinado dizendo pelos cantos da boca num sorriso infantil:  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;é que eu preciso dizer que te amo tanto&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-6866519589826392203?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/6866519589826392203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=6866519589826392203' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/6866519589826392203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/6866519589826392203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2010/10/um-colo.html' title='Um colo'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TLz5zpDtNCI/AAAAAAAAANE/cItvUt2VGFY/s72-c/sizubgi.gif' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-503076834077456084</id><published>2010-10-14T18:00:00.004-03:00</published><updated>2010-10-15T00:29:27.976-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Um telefonema</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TLdwDMmNqrI/AAAAAAAAAM8/2p0GfE3ssRs/s1600/pix.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 235px; height: 306px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TLdwDMmNqrI/AAAAAAAAAM8/2p0GfE3ssRs/s400/pix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5528010267843996338" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nervosa sob o espelho, reflexo de seu próprio reflexo, olhos fitando a si próprios – nervosa ela seguia, mansa, doída. Mas seguia. E dizia em voz trêmula a si mesma (quem sabe ao próprio reflexo) dizia, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sim, vou ligar&lt;/span&gt;. E decidida e frágil e errante e cheia de dúvidas – como de fato são os heróis de carne e osso, se é que existam heróis – ela quis ligar. Não que antes não quisesse, mas –. Difícil dizer. Difícil dizer sobre o antes quando nem ao menos tem-se o depois. É que desde aquele dia em que algo sem nome morrera: não havia antes ou depois. Havia o desde então.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;E desde então ela disse num sussurro à sua própria imagem refletida, disse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sim, vou ligar&lt;/span&gt;. E bebeu mais um gole da bebida e pensou que diria &lt;span style="font-style: italic;"&gt;olá, gostaria de te convidar para uma festa aqui em casa&lt;/span&gt;, mas pensou que seria formal demais e não havia motivos para mais barreiras que os muros infinitos que já os separavam. Depois pensou em dizer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;oi, vem aqui amanhã, festinha só para os íntimos&lt;/span&gt;, porque haviam sido íntimos e intimidade, quando da alma, é eterna. Mas depois lembrou que nem haveria festa e nem havia intimidade ou amigos. Não havia restado muito além da dor e  alguma bebida quente no armário entre a geladeira e a janela fechada. Sempre fechada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então diria &lt;span style="font-style: italic;"&gt;oi, como vai? liguei pra saber as novidades, vai mesmo viajar? Irlanda? Europa dizem que é linda&lt;/span&gt;. Diria como se não houvesse qualquer abismo, na esperança de que eles tivessem de fato desaparecido – mas havia abismos. Que fazer de um silêncio sólido? Que fazer quando – porque iria – receber ao telefone o silêncio da falta de sentido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia espaço para faltas de sentido. Não havia espaço para fraquezas ou telefonemas bêbados e inesperados às três e quinze da madrugada como se nada tivesse acontecido. Não havia espaço para recuperar o irrecuperável. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eis a tragédia da vida,&lt;/span&gt; pensou ela entre um gole amargo da bebida e um sorriso irônico e descrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, naquele ponto da madrugada e da embriaguez (talvez mais embriaguez que madrugada, porque nem parecia ser assim tão tarde) – ela nem sequer lembrava do que havia acontecido. Alguma briga, algum resquício de orgulho idiota, alguma imaturidade infantil; ou talvez algo grave, uma palavra irremediável – ah, como tinha talento para dizer o irrecuperável –, uma descrença sem motivo ou sabe-se lá o que mais. Não importava motivos. Nunca importaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importa dizer que ela ligou – ah, ela ligaria hora ou outra da madrugada. Chamou uma, duas vezes. Desligou – ah, ela hesitaria, jamais esteve preparada para o silêncio. É que tinha bebido e a bebida poderia lhe atropelar as palavras. Depois de tanto abismo a bebida lhe falharia a voz, se enrolaria num cumprimento embolado – nunca havia sido forte para o álcool. Nunca havia sido forte. Desligou o telefone.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-503076834077456084?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/503076834077456084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=503076834077456084' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/503076834077456084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/503076834077456084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2010/10/um-telefonema.html' title='Um telefonema'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TLdwDMmNqrI/AAAAAAAAAM8/2p0GfE3ssRs/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-7728038868779387941</id><published>2010-09-27T12:57:00.003-03:00</published><updated>2010-09-27T23:09:09.745-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Aquilo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TKC_Z3VwluI/AAAAAAAAAM0/kotv1I2YDXM/s1600/pix.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 306px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TKC_Z3VwluI/AAAAAAAAAM0/kotv1I2YDXM/s400/pix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521623594229077730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A gente sabe, gato, a gente sabe quando começa Aquilo. Alguma bebida no copo, talvez cerveja nem me lembro, estava calor – é devia ser cerveja. Alguma bebida, algum filme &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cult &lt;/span&gt;europeu, algum carinho e alguma solidão. Alguma vontade tímida e um monte de medos e inseguranças também. Tudo muito bem maquiado naquele meu jeito de garota-sem-recalques-nem-problemas, sabe? e o seu olhar de homem-plenamente-feliz já meio embargado pelo álcool.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu bebendo aquele copo de nem-me-lembro-o-quê que provavelmente era cerveja – a gente sempre acaba nela – e segurando o copo porque precisava segurar, sou inquieta você sabe, se não tenho nada nas mãos enlouqueço. E disfarçando a inquietude e bebendo já meio zonza e você rindo se fazendo de homem-forte-pra-bebida sem nem saber que já estava tonto. Ah, gato, a gente sabe quando começa Aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente aquela vontade de te ler alguma coisa, eu querendo recitar livros, Bandeira Clarice Caio Fernando Hilda Hilst – ah, Hildinha cairia bem, te diria &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ah, a vida é líquida&lt;/span&gt;, e você riria sem entender muita coisa. Mas nem disse nada, não digo muito. Devo ter bebido outro gole e você assustado me achando excessivamente alcoólatra e eu assustada sem querer parecer excessivamente bêbada embora estivesse de fato bêbada – e me fosse de fato aos excessos. E você me olhando com seus olhos de homem-plenamente-feliz embora não fosse nem feliz nem pleno, mas nem importava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então a gente soube entre um álcool e outro – filme na tevê, provavelmente cinema espanhol ou italiano, luzes apagadas e barulho dos carros lá fora – e então a gente soube. A gente sempre sabe quando começa. Porque naquele instante éramos nós dois sem máscaras ou teatro, nada de garota-sem-recalques ou homenzinho-forte-e-feliz, éramos sós e nus. Cheio de medos e pés atrás você disse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;este sou eu&lt;/span&gt;, e eu sussurrei alguma coisa bonita, talvez uma música, não me lembro. Talvez nem tenha dito nada, vai saber. A memória sempre nos rouba o mais importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente eu queria dizer – ah, eu e minha mania chata de sempre querer dizer. E dizia e dizia sempre em silêncio sempre sem mexer os lábios e você entendia e dizia também sem palavras  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fecha os olhos que assim a gente congela o instante&lt;/span&gt;. E a gente meio bêbado  fechava os olhos e o mundo rodava e rodava mas nem tínhamos medo e eu semicerrava forte a visão para fazer do instante eternidade. Ah gato, já sou velha demais para acreditar em eternidades de modo que sabia que aquele único segundo era a minha salvação. Era aquela partícula de tempo e só. Depois viriam ódios ciúmes discussões e um monte de coisas boas mas que jamais seriam Aquilo. E depois viria as tentativas desesperadas de salvar o que já estaria morto, aquela coisa desgastante de remediar o irremediável e fazer política do amor... Mas naquele instante, naquele único instante estávamos salvos. Completamente salvos porque nós mesmos nos salvávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, gato, a gente sempre sabe quando começa Aquilo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-7728038868779387941?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/7728038868779387941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=7728038868779387941' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/7728038868779387941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/7728038868779387941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2010/09/aquilo.html' title='Aquilo'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TKC_Z3VwluI/AAAAAAAAAM0/kotv1I2YDXM/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-6405867790361574268</id><published>2010-08-30T12:30:00.002-03:00</published><updated>2010-08-30T12:31:59.761-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Comédia romântica</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/THvOyWRZxvI/AAAAAAAAAME/8cnJVvJo92s/s1600/pix.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 400px; height: 279px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/THvOyWRZxvI/AAAAAAAAAME/8cnJVvJo92s/s400/pix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5511225933385287410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E mesmo hesitante entre caminhos tortos tateando cego em busca de alguma calmaria que lhe fosse de direito,  mesmo trêmulo e vacilante entre os prédios e os concretos de cidade-mais-ou-menos-grande de mendigos prostitutas drogas fáceis e alguma solidão, mesmo entre o frio de algum inverno de tempo-louco-de-cidade-mais-ou-menos-grande,  mesmo apesar de sabe-se-lá-o-quê – ele disse: – escuta: vamos tentar. Não que seja fácil ou que consigamos – provavelmente nem conseguiremos,  quem consegue? mas vamos tentar que a tentativa por si só liberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuta: vamos tentar porque eu não quero me render – eu não quero nos render. Quero lutar e remar e buscar qualquer utopia perdida em alguma esquina torta que ainda não conheço. É que a gente se salva é pelo caminho – a tentativa é que salva. O final é só o final: a legenda sobe, as luzes se ascendem e pronto.  Acaba. O filme acontece é no erro. A gente acontece é no erro. É no imbróglio que se vale a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então a gente despe as máscaras e tenta. De olhos fechados como tem que ser. A gente finge ter quinze anos e não ter traumas barba vícios responsabilidades pés atrás bons modos e toda essa merda que limita. A gente esquece os outros dez amores, trinta desilusões, cinqüenta trepadas inúteis entre um álcool e outro – e então a gente tenta. Acredita em fada duende papai noel deus comunismo e amor eterno outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuta: vamos tentar que eu te quero bem. Gosto do seu jeito perdido  porque eu também estou perdido e já que não se pode encontrar o caminho – que então nos encontremos. E então a gente rema, juntos, e erra e acerta e chora e se diverte e se precisa e se descobre como fazem as crianças apaixonadas aos quinze anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-6405867790361574268?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/6405867790361574268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=6405867790361574268' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/6405867790361574268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/6405867790361574268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2010/08/comedia-romantica.html' title='Comédia romântica'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/THvOyWRZxvI/AAAAAAAAAME/8cnJVvJo92s/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-1928225281876250654</id><published>2010-08-16T23:42:00.003-03:00</published><updated>2010-08-16T23:48:35.440-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Um porto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TGn31ZZIH-I/AAAAAAAAALw/-Re2uH3iLVc/s1600/pix.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TGn31ZZIH-I/AAAAAAAAALw/-Re2uH3iLVc/s400/pix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5506204516158545890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Era assim: algumas cervejas no bar, duas ou três tequilas e um daqueles inferninhos imundos da cidade – um daqueles onde se encontram os que restaram. E ele restara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os inferninhos eram todos iguais: uma porta apagada num canto deserto, dois lances de degraus melados num misto de cerveja e vômito, um balcão com duas ou três cervejas importadas e um banheiro onde se espremem os que o querem para sexo, mijo ou cheirar pó. E ele nem queria o banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pista – de onde estava conseguia enxergar com alguma dificuldade –, rostos sem identidade suados pela batida eletrônica ritmada comandada por um DJ que nem ao menos sabia tocar – mas tentava. Era ali, aliás, a noite das tentativas. Os corpos na pista se tentavam em busca um do outro para encarar a madrugada sempre fria. Os olhos tentavam alguma luz em meio à solidez rude dos cantos escuros. E ele tentava alguma coisa que ainda não sabia. E em busca dessa tentativa cega, estava ali: cerveja importada em mãos, sorriso vazio disfarçando a solidão e corpo se movimentando errante ao ritmo do som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Qual o seu nome? &lt;/span&gt;perguntou cego a sabe-se-lá-quem e recebeu como resposta talvez um nome ou um&lt;span style="font-style: italic;"&gt; isso importa?&lt;/span&gt;, nem se lembra mais. Depois ouviu-se frases soltas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;como gostei de você&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;você trabalha ou só estuda?&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;essa música é uma das minhas preferidas&lt;/span&gt;. Depois veio o beijo e permitiu-se então – por alguns instantes – terem-se um ao outro. Depois veio algo como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sou de peixes e você?&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;você tem um rosto lindo moro sozinho quer ir na minha casa escutar música e beber vinho? tenho alguns discos de rock e pizza na geladeira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois treparam de mãos dadas com os dedos entrelaçados como fazem os casais apaixonados aos cinco meses de namoro e se abraçaram como se fossem necessários um ao outro. Fumaram um ou dois Marlboros vermelhos ainda nus e melados exaustos naquela cama de solteiro e se disseram &lt;span style="font-style: italic;"&gt;até logo&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;até nunca&lt;/span&gt;, difícil saber.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-1928225281876250654?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/1928225281876250654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=1928225281876250654' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1928225281876250654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1928225281876250654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2010/08/um-porto.html' title='Um porto'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TGn31ZZIH-I/AAAAAAAAALw/-Re2uH3iLVc/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-2391632740745028320</id><published>2010-07-21T00:52:00.002-03:00</published><updated>2010-07-21T01:01:07.434-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>É tudo luz e sonho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TEZvntYcRgI/AAAAAAAAALE/fA9b9TrGPsA/s1600/pix.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TEZvntYcRgI/AAAAAAAAALE/fA9b9TrGPsA/s400/pix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496203123239962114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;É que a noite é onde os que não pertencem se encontram – vento frio e gélido sobre os corpos e os rostos assustados, como são os rostos e os corpos daqueles que nos são estrangeiros. E ela, estrangeira que era, não pertencia. E habitava a noite, como habitavam aquele lugar todos os seres errantes que vagavam imundos pela madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, sentada às duas e vinte naquele bar-de-gente-imunda-e-estrangeira, ela: sorria. Não que houvesse qualquer instante de felicidade – embora anos mais tarde reconhecesse aquele momento como o de uma felicidade nostálgica e bonita – mas é que ali lhe era permitido o sorriso. E ela sorria apenas porque não lhe tiravam direito. É que na noite não havia direitos roubados. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;É tudo luz e sonho&lt;/span&gt;, ouviu numa música tempos atrás. E solidão, completou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É tudo luz e sonho&lt;/span&gt;, cantarolou num sussurro baixinho e depois cantarolou de novo e de novo – é que aquilo era tudo o que a memória lhe permitia gravar. E repetiu incansavelmente aquela melodia turva e aconchegante porque repeti-la era maneira de se fazer do mundo de fato: luz e sonho. Apenas anos mais tarde, já velha e sozinha (como são as mulheres solteiras aos quarenta) é que descobriria a veracidade do que cantava. É tudo luz e sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de repente – porque na noite há apenas os de repentes – uma mulher que também não pertencia reconheceu-a. As mulheres estrangeiras se reconhecem pelo olhar – e pelos cabelos mais ou menos ensebados de dois dias sem lavar, porque na noite não há tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem fogo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sempre tenho fogo e cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual delas disse o quê não importa. Nem importam os cigarros e o diálogo. É que em alguma entrelinha daquele instante elas se diziam algo de necessário. Era algo como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aqui dói e sei que em você também, por isso preciso de você porque você me faz conseguir alguma coisa que nem sei. Só me deixa sentar aqui e beber uma vodca contigo que é tão difícil enfrentar a noite, cê nem imagina. Juro que quando o sol nascer eu vou embora dormir bêbada e sozinha na minha cama fria e cruel – mas por enquanto só me deixa aqui que eu te deixo também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ao emprestar o isqueiro a outra dizia em entrelinha &lt;span style="font-style: italic;"&gt;senta e fica porque preciso da sua solidão. Olha, só por esta noite, vamos pertencer, vamos nos pertencer? Eu te amo porque eu quero amar mas acho que não sei – então eu te amo. Me ama também porque amar é tão bonito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente nenhuma delas disse nada daquilo – apenas conversaram como conversam as mulheres bêbadas que fingem não serem estrangeiras. Mas em algum lugar dos seus olhares elas se abraçaram. E enquanto uma pensava em perguntar algo que lera certa vez em um livro, algo como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;será amar dar ao outro a própria solidão?&lt;/span&gt;, a outra dizia em pensamento &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fecha os olhos e acalma. É tudo luz e sonho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tudo luz e sonho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-2391632740745028320?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/2391632740745028320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=2391632740745028320' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2391632740745028320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2391632740745028320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2010/07/e-tudo-luz-e-sonho.html' title='É tudo luz e sonho'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TEZvntYcRgI/AAAAAAAAALE/fA9b9TrGPsA/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-2475051541153308436</id><published>2010-06-18T18:53:00.003-03:00</published><updated>2010-06-18T18:55:35.166-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>No mirante</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TBvrNGg-P2I/AAAAAAAAAKk/7kkLTBGMfU4/s1600/pix.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 400px; height: 266px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TBvrNGg-P2I/AAAAAAAAAKk/7kkLTBGMfU4/s400/pix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5484235581573447522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Desce do carro e vem aqui. Vista linda, né? grande pra cacete, dá pra ver a cidade toda. Adoro aqui, parece que a gente é Deus, percebe? O mundo rodando lá em baixo e a gente aqui, superior, alheio a tudo. Sente o vento no rosto, gata, e fecha os olhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Tá vendo aquela luz forte ali quase no fim do horizonte? ali é o estádio, é o Mineirão. Aquele pretume ali é a Pampulha. A cidade parece cheia de mistérios pras pessoas lá embaixo mas na verdade é só isso aqui. Simples. A gente é que complica tudo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Tá vendo os prédios altos ali? lá é a boate que a gente tava. Parece que a cidade é grande mas na verdade cabe numa foto, vê? Na verdade essa cidade é toda assim, não sabe se é cidade grande ou pequena. Ainda não se decidiu. Às vezes acho tudo muito grande e às vezes ela me sufoca de tão pequenininha. Mas daqui de cima a gente parece ser maior que ela – e a gente é gata, a gente é. Daqui de cima a gente é o que quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se você consegue enxergar mas perto daquele relógio do Itaú ali naquele prédio grandão, é por ali que eu moro. Viu? ah, deixa pra lá. Você nunca vai na minha casa mesmo, né? no máximo a gente vai se encontrar em algum boteco por aí. A cidade, mesmo sendo essa imensidão toda, é pequena. A gente vai se encontrar nos botecos da noite, gata, relaxa. A gente sempre encontra quem é da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito louco tudo isso, né? ah, isso tudo. Olha pra você ver: neste momento eu estou inteiramente na sua mão mas a gente nunca mais vai se ver. No máximo iremos nos cumprimentar num dos botecos da noite e fazer um comentário com algum amigo do tipo “tá vendo ela ali? trepei há uns três meses”. E depois seguiremos perdidos. Mas neste exato momento eu preciso de você porque você me causa alguma coisa boa que eu nem sei explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, eu poderia me apaixonar por você agora neste exato momento mas não vou. Eu consigo controlar essas coisas, gata. Eu sei quando posso me apaixonar e sei evitar também. É que essa vista bonita deixa a gente meio bobo, meio apaixonado mesmo. Acontece com você também? Não, não se apaixona por mim que eu sou todo problemático. Não daria certo: eu fumo, você não. E tenho mil traumas e coisas do tipo. Além do mais você é legal e inteligente – e a gente um dia ia terminar e nos odiar mortalmente. Não, não quero mais ódio na vida, gata. Quero só amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode fumar um cigarro? sim, aqui é sempre deserto, sim. As pessoas costumam vir aqui pra trepar e fumar maconha mas eu curto ver a vista, sabe? Claro que vamos acabar trepando e se quiser eu tenho unzinho aqui já enrolado e tudo, mas eu sempre venho pra ver a cidade, pra ser a cidade. Sei que parece loucura mas se a gente abre os braços e fecha os olhos a gente acaba sendo a cidade, entende? E esta cidade é tão triste, fecha os olhos pra sentir. Ela parece com você: cheia de planos lindos mas com um milhão de traumas pra estragar tudo. Deixa de estragar tudo e seja só linda, gata. Como eu descobri seus traumas? eu sei ler olhares. Eu sou da vida, eu sou do mundo, esqueceu? Eu sei ler olhares e gestos. Se você fingir orgasmo eu vou saber, acredite. Eu moro na noite desde os treze, olhares tristes iguais ao seu eu vi aos montes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, você ainda nem sabe que é triste mas um dia descobre, pode acreditar. É inevitável, gata: você é da noite, como eu. Você não é mulher de lavar roupa e casar, você não é igual às outras. Você é da noite e ser da noite machuca às vezes – mas agora já era. Quem experimenta não volta. Quem tira a coleirinha uma vez não pode usar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer cigarro? daqui de cima a gente parece ser onipotente, não acha? A loucura na cidade lá em baixo e a gente aqui, superior. Quer saber? gostei de você. Não por ser você, mas acho que gostei de alguma coisa em mim gostando de você. Gosto do jeito com que você me faz ser eu. Vai ser uma pena nunca mais te ver. Mas enquanto a gente estiver trepando eu vou fechar os olhos e congelar o instante comigo. Às vezes faço isso: capturar os instantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tô ficando meloso e repetitivo, né? mas é que a gente vai ficando velho e fica meloso e repetitivo mesmo. É inevitável. O céu tá ficando claro, vê? é o sol nascendo. É lindo, olha. É tão bonito que vou me permitir te amar só pra noite ser perfeita. Depois eu te esqueço porque não vale a pena tentar ser o que não somos. Amanhã a gente se esquece daí só vai sobrar uma lembrança gostosa de um dia perfeito. Vai ser legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas neste instante eu tô te amando, gata, de verdade. Me ama também só até o sol nascer por completo. Agora me abraça e sejamos nós dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós dois.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-2475051541153308436?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/2475051541153308436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=2475051541153308436' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2475051541153308436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2475051541153308436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2010/06/no-mirante.html' title='No mirante'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TBvrNGg-P2I/AAAAAAAAAKk/7kkLTBGMfU4/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-6770656509195989227</id><published>2010-06-06T18:12:00.001-03:00</published><updated>2010-06-06T18:14:38.866-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Mas há a vida</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TAwPiLBtsyI/AAAAAAAAAJA/_CwKghTapSA/s1600/pix.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TAwPiLBtsyI/AAAAAAAAAJA/_CwKghTapSA/s400/pix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5479771926352999202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E então, num dos de repentes de viver, ele enfim percebeu e sussurrou a si mesmo num sussurro baixinho de segredo revelado, “então isso é o fim?”. Casa vazia, escura; rostos congelados, silêncio gritante. Então isso é o fim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cama, deserticamente vazia, hermeticamente incompreensível – ah, a cama, banhada pelos raios do sol-de-ressaca – a cama denunciava o fim. A garagem vazia – insoluvelmente vazia. O dedo recém liberto ainda marcado pela ausência presente da aliança. Os copos ainda sujos de vinho barato sobre a bancada da cozinha. Os corpos ainda sujos pelo gozo cortante da madrugada. O beijo quase dado ainda compunha o ambiente irritantemente comum daquela manhã. Era um dia irritantemente amarelo. I-rri-tan-te-men-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então isso é o fim? – sussurrou novamente para sei-lá-quem ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então abriu a geladeira: ainda havia metade daquele vinho barato travestido em vinho tinto seco de bom tom. Logo ele que nunca gostou de vinho. Bebia pelo bom tom. Trevestia-se pelo bom tom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então encheu o copo e bebeu: era álcool, foda-se. E então repetiu a si mesmo pois repetir fazia daquilo coisa palpável, “então isso é o fim?”. Porque só o palpável era engolível – e era preciso engolir os de repentes como se engolia aquele vinho barato de bom tom: em goles secos e gritantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando percebeu que nunca gostara de vinho – e odiava bons tons. Queria mesmo era beber vodca e escutar Raul Seixas e depois vomitar na privada do banheiro do apartamento e dormir com o hálito azedo de cigarros e enjôos. Mas bebia vinho e ouvia Caetano cercado de gente estranha e comentários inteligentes. E, se queriam saber – e provavelmente nem queriam –, ao contrário dela, ele não era comunista nem marxista nem qualquer outro ismo ideológico. Na verdade, estava era pouco se fodendo pra política ou qualquer besteira do gênero. Aquele papo de igualdade, alienação e direitos do proletariado era só vontade de trepar porque, antes dela, não trepava há três meses mas agora nem importava mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois veio a paixão. E os vinhos, os Caetanos, os Kafkas, os marxismos e todo o resto. Justo ele que só queria ver os jogos do Cruzeiro e comer McDonalds às quatro da manhã só porque amava McDonalds e qualquer outro lixo plastificado. Mas abriu a geladeira outra vez e teve nojo daquela comida natural. Se era então o fim, por que comida natural na geladeira? Por que diabos comida natural?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então lembrou que a comida natural e os discos de Caetano e os vinhos de bom tom eram porque amava, apesar de. E lembrou que essa coisa gritante e serena que chamam de amor era maior que os Caetanos e os ismos ideológicos – e então o ódio se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de meses de trepadas sem sentido e cocaína barata foi que descobriu que o ódio é saída dos fracos. E então, - não antes de muitas lágrimas – aos poucos, num de repente longo e doído, a dor se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então sorriu de um sorriso sincero de quem enfim compreendia o fim. E compreendeu que compreender era aceitação serena. Era vasto, bonito. Sem dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E percebeu, enfim, que aquele era simplesmente: um fim. Simples, triste e bonito como todo o resto. Aceitou – sereno – e viveu os começos que ainda viriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-6770656509195989227?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/6770656509195989227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=6770656509195989227' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/6770656509195989227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/6770656509195989227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2010/06/mas-ha-vida.html' title='Mas há a vida'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TAwPiLBtsyI/AAAAAAAAAJA/_CwKghTapSA/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-1311066227780991446</id><published>2010-05-20T00:32:00.002-03:00</published><updated>2010-05-20T00:36:19.645-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Ensaio sobre o verdadeiro amor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/S_StoImYv4I/AAAAAAAAAG8/tnASaNANbPg/s1600/pix.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 258px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/S_StoImYv4I/AAAAAAAAAG8/tnASaNANbPg/s320/pix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5473190352176856962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Acalma-te! Dá-me a mão e te acalma. Tira o olhar de choro e te levanta – que a vida é de estar-se em pé. Firma os dedos trêmulos e anda. Sem medo, anda que o mundo é de se arriscar. Apesar de.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois em ti – ah, em ti não há ódio. É que em ti só há coisas bonitas, lembranças e saudades. Em ti há o verdadeiro da coisa – pois só o verdadeiro da coisa é incapaz de travestir-se em ódio. E em ti não há ódio, apesar de.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu, forte que és, não fez da dor um odiar-ao-outro, que é maneira fácil de fugir do choro. Tu não! – ah, tu, que aceitas a dor com carinho materno e diz-se a si mesmo palavras sem rancor; escuta: acalma-te e dá-me o corpo desprotegido à procura de afago. Dá-me que te protejo como mãe. Deitas sobre este colo e dorme, que a noite passa. A vida passa. O ódio passa. Apenas o verdadeiro permanece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deita e dorme que a felicidade logo vem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-1311066227780991446?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/1311066227780991446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=1311066227780991446' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1311066227780991446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1311066227780991446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2010/05/ensaio-sobre-o-verdadeiro-amor.html' title='Ensaio sobre o verdadeiro amor'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/S_StoImYv4I/AAAAAAAAAG8/tnASaNANbPg/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-1917408410343661870</id><published>2010-03-06T23:03:00.002-03:00</published><updated>2010-03-06T23:07:02.454-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='thiago terenzi'/><title type='text'>Diálogo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/S5MKPQZgstI/AAAAAAAAAG0/-vMh2Un7ijA/s1600-h/pix.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 222px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/S5MKPQZgstI/AAAAAAAAAG0/-vMh2Un7ijA/s320/pix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445707631637344978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãe, porque viver dói tanto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde é que está doendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em algum lugar acima do peito, abaixo do pescoço. Perto de onde fica a alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que dor é essa, filho? desde quando você dói?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu me dôo todo, sempre, mas é que dói baixinho. Faz silêncio que dá pra ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém ouve a dor, filho. Se não quer ir pra aula, não vá. Não é certo inventar doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como faz pra desinventar? é que dói e eu não quero mais doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde é essa dor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É lá dentro. Perto de onde fica a alegria. E aí eu não consigo ser alegre. Como faz pra ser alegre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é feliz, filho. Você é jovem, é criança, então é feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, mãe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Felicidade dói?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escuta: não há dor nenhuma. Você é novo. Gente nova não é triste. Então não há motivos pra dor no peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é no peito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não importa. Não existe esse lugar que você falou. Alegria não tem lugar pra ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então a gente é alegre onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em que lugar do corpo a gente é alegre? Acho que me dói é nesse lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer saber: quer remédio pra passar a dor? Tem Novalgina na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas e se a Novalgina me fizer também passar a alegria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Novalgina é pra dor, filho. Não é pra alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é que minha alegria é tão miúda... que às vezes parece doer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Papai e mamãe te amam, filho. Então você é bem alegre, é feliz. Quem tem amor de pai e mãe é feliz. Simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É que eu achava que felicidade era coisa grande. É que todo mundo quer, então eu pensava que era maior...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois então é bom você deixar de querer demais do mundo. As coisas nunca são como parecem ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é que isso de ter de ser feliz me traz medo. E se eu nasci errado? acho que nasci faltando a felicidade. Por isso dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escuta pela última vez: você nasceu perfeito. O médico falou. Ele sabe das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E essa dor fininha que parece não ter fim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Criança não tem dor fininha perto do peito! Isso é coisa de velho com veia entupida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então acho que eu não sou mais criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É sim! Olha, felicidade é isso que você está vendo. Não existem contos de fada. Não espere tanto do mundo. A gente tem que se conformar com um monte de coisas. Você é normal. O mundo é assim mesmo e a felicidade é isso aí. Nada é o que desejamos ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é que ser feliz me dói tanto...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-1917408410343661870?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/1917408410343661870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=1917408410343661870' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1917408410343661870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1917408410343661870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2010/03/dialogo.html' title='Diálogo'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/S5MKPQZgstI/AAAAAAAAAG0/-vMh2Un7ijA/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-7169515938803726707</id><published>2009-12-13T20:24:00.003-02:00</published><updated>2009-12-13T20:25:46.856-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Dignidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SyVpoAMyX9I/AAAAAAAAAGo/U7DA-jrsvto/s1600-h/pix.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 289px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SyVpoAMyX9I/AAAAAAAAAGo/U7DA-jrsvto/s400/pix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414850262952206290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E o principal: nem por um instante ela chorou. Ficou ali com seus olhares anestesiados, rosto plastificado. Mas a face continuou – e continuaria sempre – seca, sem qualquer sinal de choro. Não que lhe faltasse motivo ou dor, nada disso: era que o choro borraria a maquiagem. E era preciso manter a dignidade, nada de escândalos cinematográficos – ah, eles estão tão fora de moda... –, é que era preciso a dignidade acima de tudo. Era juntar os cacos, recolocar o barquinho na água e ir. Ir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-7169515938803726707?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/7169515938803726707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=7169515938803726707' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/7169515938803726707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/7169515938803726707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/12/dignidade.html' title='Dignidade'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SyVpoAMyX9I/AAAAAAAAAGo/U7DA-jrsvto/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-3704024931677919417</id><published>2009-11-16T14:12:00.002-02:00</published><updated>2009-11-16T14:14:58.686-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meus textos'/><title type='text'>Conto de Fadas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SwF6KeGOKcI/AAAAAAAAAGg/A0g4L1IWeaI/s1600/pix.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 382px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SwF6KeGOKcI/AAAAAAAAAGg/A0g4L1IWeaI/s400/pix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404735348117744066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma vez um menino sozinho. Cabelo ao vento, sorriso no rosto, olhares perdidos em meio ao novo, mas – e acima de tudo – um menino: sozinho. Justo num mundo onde era tão perigoso estar só – ele estava. Todos sabiam dos perigos da solidão. To-dos. Tu mesmo: onde apoiastes o corpo no último inverno? ele, o menino, dormira em meio ao frio e à escuridão – logo ele que tinha tanto medo de escuro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também tenho medo do escuro – mas como já não sou menino, disfarço. Ele não: com uma coragem indizivelmente superior à minha, o menino permitia-se ao medo. É que era necessária uma bravura heróica para permitir-se a certas coisas. E ele – ah, ele não sabia disso – mas era herói. Não que lhe fosse grandioso ser herói. Não era. Não há grandiosidade na solidão. Mas é que ao permitir-se ao medo, o garoto fazia algo raro: estava sendo ele mesmo. Sem máscaras, sem esconder as próprias fraquezas: simplesmente vivia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decerto que ele pouco importaria se, para findar-lhe a solidão, fosse necessário também abdicar da liberdade. Mas é que a solidão lhe era característica inata – o que fazer? o que esperar de um menino sozinho? Certas vezes ele dependurava-se na janela da sala – que tinha vista para a rua – e esperava as crianças vizinhas chamarem-no para fazer-qualquer-coisa. Nunca chamavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele sabia que o mundo era por demais perigoso: não se podia estar só. O que fazer quando, anos mais tarde, a dor lhe doesse? suportaria sozinho a vida? justo a vida que era tão vasta, como enfrentá-la só? Era preciso ter para quem ligar quarta-feira às quatro da manhã – e mais: era preciso ter com quem beber garrafas de vodca e vomitar a dor. Era necessário ter com quem discutir inutilmente Nietzsche ou Lacan numa mesa de bar ou sorrir enquanto constata-se a fragilidade da vida do outro – era imprescindível ter com quem dividir o cigarro ou a dor. E ele não teria nada disso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que já soubesse, garoto que era, dos perigos da vida futura – mas é que alguma coisa-sem-nome-nem-rosto lhe dizia em sussurros: é necessário ter alguém que... (e então vinha o silêncio). E apenas anos mais tarde é que descobriria que era preciso que o telefone tocasse sexta-feira à noite para livrar-se da madrugada fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desde muito jovem o garoto sabia que o telefone jamais tocaria. Ele era assim: um menino sozinho. E então inventava fadas e dragões num mundo que lhe era particular – e lhe era também verdadeiro. O menino nunca se apegara à realidade concreta das coisas, de modo que lhe era fácil criar um mundo de fadas e chamá-lo de real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então quando o frio doía bastante e o escuro parecia ser inviolável – ah, daí ele sentia todo o calor das fadas lhe proteger. E elas eram tão iluminadas que mesmo naquele escuro completo não havia o que temer. É que as fadas – e também os dragões e os duendes – eles entendem o medo. E ao menino bastava o entendimento. As criaturas fantásticas sabiam que para a dor cessar bastava o abraço quente e o olhar dizendo dorme-que-passa. E então o garoto dormia. Não era necessária uma única palavra: bastava-lhe o abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fadas e os duendes e os dragões são criaturas incríveis: eles simplesmente entendem. E mudos – porque não há sequer uma palavra a se dizer –, abraçam. É que no fim o garoto buscava apenas o entendimento e não a palavra. Ele buscava o abraço. No fim as palavras haviam sido todas em vão – porque as palavras são falhas e são de fato todas em vão. Ele queria o não-verbal, o espaço vazio entre as letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então o menino cresceu e deixou de acreditar nos contos de fadas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-3704024931677919417?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/3704024931677919417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=3704024931677919417' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3704024931677919417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3704024931677919417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/11/conto-de-fadas.html' title='Conto de Fadas'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SwF6KeGOKcI/AAAAAAAAAGg/A0g4L1IWeaI/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-3686311382056065017</id><published>2009-10-30T13:30:00.002-02:00</published><updated>2009-11-01T21:57:26.822-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meus textos'/><title type='text'>Para seja-lá-qual-direção</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SusG-o4KS1I/AAAAAAAAAFQ/aOaAGCC9wj4/s1600-h/primavera%2Bfria.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 217px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SusG-o4KS1I/AAAAAAAAAFQ/aOaAGCC9wj4/s400/primavera%2Bfria.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398416251528301394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Vai e seja feliz. Vai e tenha uma vida bem bonita, que eu me tenho também. Não: eu não tenho nada, nem você terá. Mas vai e seja feliz, que a tentativa liberta. Vai e siga um caminho bem florido, que eu sempre estarei aqui. Vai sem medo, olhar altivo e forte, vai com teu sorriso e teus amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai que a dor de agora é coisa pouca, passa – vai passar. Levanta e te seja feliz, que eu desejo mil coisas bonitas. Desejo um sol bem bonito num jardim lindo com uma grama verde e um lago límpido, desses que em cidade grande não tem. Desejo você no jardim deitada sob a árvore ouvindo músicas de liberdade. Desejo que seja primavera e o clima esteja bom. Desejo um clima sempre bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai que eu te quero só coisas boas. É que o nosso jardim morreu e nos perdemos em meio à morte. E não há como nos acharmos. Não nos somos nós dois. E não há nada mais autodestrutivo que tentar sem fé. E não há fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai e te torna feliz de novo. E um dia, quem sabe, a gente finge que é dezembro e finge ser reveillon e eu pergunto se queres vir aqui, que aqui tem cerveja e tem vinho também e que daqui dá pra ver os fogos bem de perto da janela e que eu até faço uma comida e alugo um filme desses de comédia romântica em que em meio a tantos desencontros, no fim, eles terminam juntos. E então você responde que não sabe, que combinou com amigos um reveillon num clube qualquer, mas que também nem quer tanto sair com eles. E eu insisto e você topa e a gente se vê pela primeira vez com uma sensação estranhíssima de que já nos conhecemos antes e que temos uma vida inteira em comum. Mas deve ser apenas impressão nossa, eu digo. Eu sempre tenho a impressão de já conhecer as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, quem sabe, nesse outro reveillon, os planetas se alinhem em seja-lá-que-lugar e os astros apontem para seja-lá-qual-direção e a gente seja feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-3686311382056065017?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/3686311382056065017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=3686311382056065017' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3686311382056065017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3686311382056065017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/10/para-seja-la-qual-direcao.html' title='Para seja-lá-qual-direção'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SusG-o4KS1I/AAAAAAAAAFQ/aOaAGCC9wj4/s72-c/primavera%2Bfria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-365077784295440530</id><published>2009-10-20T18:59:00.002-02:00</published><updated>2009-10-29T17:21:45.477-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>A ausência de</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.britsattheirbest.com/images/l_whisky_glass_fire_400w.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 329px; height: 221px;" src="http://www.britsattheirbest.com/images/l_whisky_glass_fire_400w.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o dia nascera. Mesmo havendo a dor – e ela estava ali –, o sol surgia forte e quente e queimando a perna de varizes mofadas daquele homem. Era um homem velho murcho doído. Dormindo às três da tarde de uma terça-feira e o sol quente, sempre quente. Era um velho sem rumo. A barba mal feita, pêlos brancos aqui e ali, aquele cabelo seboso entre o liso e o anelado, aquele rosto amarrotado de quem dormiu a vida. De quem comeu a vida e não engoliu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o homem, perigosamente pálido, levantara da cama. O sol quente, sempre quente, queimava o quarto sempre àquele horário. Ele até queria comprar cortinas e espalhar pela casa e dizer adeus de vez ao sol, mas é que nunca saía do apartamento, quando saía não lembrava de comprar coisa alguma. Lembrou é de ascender o cigarro, Marlboro vermelho em jejum, puxou o ar com voracidade, engoliu a fumaça, gosto de nicotina na garganta, depois assoprou e viu aquele ar cinza impregnar o carpete já meio amarelado queimado nos cantos. Veio à boca aquele gosto seco de ressaca, aquela sensação de boca encardida. Fumou outro cigarro e ouviu Janis no vinil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois preparou a bebida: duas pedras de gelo e uísque até a borda. O gelo era mais pelo barulho – o tin-tin-tin da pedra no copo tinha lá seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;glamour&lt;/span&gt;. Então fechou os olhos e imitou a cantora fazendo em falsete a voz rouca gritando “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;come on and cry, cry baby, cry baby, cry baby&lt;/span&gt;”. Abaixou o volume para ver se o telefone tocava, pensou que um amigo poderia ligar, perguntar como estava e chamar pra encher a cara no fim de semana que teria festa na casa de não-sei-quem e que era só levar dez latas de cerveja que a vodca seria de graça – mas o telefone nunca tocava. Nunca. Então ascendeu outro cigarro, o maço estava acabando, restava uns dois ou três. E então ascendeu e fumou compulsivamente, naquele mesmo ritual voraz de engolir a fumaça. O gosto de ressaca ainda secava sua boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio ao tédio, pensou que poderia ligar para uma amiga e falar “gata, vamos beber hoje? É que eu tô com saudades e preciso de amigos”. E então ele seria sincero e diria que nem gostava tanto assim dela, mas é que não restara muitos outros. “É que é todo mundo feliz e eu aqui com essa dor no peito, essa coisa atravessada na garganta. Daí lembrei de você que sempre foi meio doída e resolvi ligar”. E então ela toparia e bateria àquela porta às oito e levaria uma garrafa de vodca meia-boca para misturar na coca. Eles chorariam juntos e depois trepariam uma única vez porque no fundo nem havia tanto tesão assim. Depois dormiriam nus, cada um no seu canto, até dar três horas da tarde e o sol, maldito sol, expulsá-los do sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então o homem lembrou que nem tinha mais o telefone dela, que perdera o celular numa noite qualquer, provavelmente bêbado. Lembrou que não tinha o telefone de ninguém. Franziu a testa tentando buscar na memória números ou e-mails mas foi em vão. Decidiu comer alguma coisa, estava com fome. Cheeseburguer de microondas, tudo artificial. Ligou o aparelho, colocou o hambúrguer, um minuto e vinte. Encheu um copo com coca porque odiava comer com álcool. E comeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois ainda bebeu o resto do uísque, fumou os últimos dois ou três cigarros e ouviu Janis depois Caetano depois Cazuza depois dormiu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-365077784295440530?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/365077784295440530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=365077784295440530' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/365077784295440530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/365077784295440530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/10/e-o-dia-nascera.html' title='A ausência de'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-4517158462959989932</id><published>2009-10-18T04:41:00.003-02:00</published><updated>2009-10-18T14:31:35.539-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a loucura'/><title type='text'>O Espelho ou A gente é assim mesmo ou Segura a minha mão, por favor ou Sobre algum Fim ou Me ensina alguma coisa ou Grita que eu me grito também ou ,</title><content type='html'>A gente vai e vive e tenta ser feliz mas na verdade não importa, cara, nunca importa, a gente é triste assim mesmo e a gente enlouquece e talvez na loucura é que cheguemos mais perto do que somos de verdade, cara, porque a gente não é certinho assim não, cara, a gente é caos, sabe? a vontade é falar mil palavras sem nexo só pelo som, cara, porque eu sou fascinado com sons e nada tem que fazer sentido porque no final é tudo loucura mesmo no final pouco importa qualquer coisa. E eu agora escrevo mal e escrevo feio e sem sentido mas é que é o necessário entende? é que aqui dentro é tudo caos e eu só quero que você feche os olhos e sinta e pare de buscar a porra do sentido das coisas porque isso só atrapalha, cara, isso só atrapalha, nada tem que fazer sentido não. E se aqui dentro é tudo escuro de nada vale escrever bonito, cara, que aqui é tudo cinza, é aquela vontade de pegar o carro e beber todas e acelerar e ver o que é que dá, sabe? porque a gente vai perdendo a sanidade, cara, e a insanidade é muito mais completa porque não tem limites. Só que é perigosa. e hoje eu peguei o carro de novo, cara, e quase fui direto na curva é aquele milésimo de segundo salvador que fez recuar, cara, daí o carro só rodou e nada mais. Há alguns pontos em que você nunca vai chegar, cara, porque você é diferente é inocente é racional é sei-lá-o-que, mas você nunca vai chegar, cara, você nunca vai pirar porque pirar é pra quem é por natureza desprendido e isso não é bom e eu estou pirando, cara, justo agora que eu estava encontrando um caminho perdi todos de uma só vez, cara, não restou nada, só essa dor no peito e a razão indo embora e se perdendo, cara, você não sabe o que é isso, cara, acredite. Justo quando eu estava encontranto um ponto de apoio, cara, tentando não pirar você estragou tudo eu estraguei tudo você fez tudo errado cara, agora já era. Dá licença que eu preciso gritar, cara, que a coisa presa aqui está doendo e não quer sair, vou é pegar o carro agora às cinco e meia da madrugada fazer qualquer coisa que nem sei o que, mas fica tranqüilo que não vai acontecer nada não, cara, amanhã vai estar tudo bem eu só perdi alguma coisa que nem sei o que é mas que me controlava a racionalidade, cara, agora já era. Em algum momento perde-se o controle e daí já era.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-4517158462959989932?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/4517158462959989932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=4517158462959989932' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4517158462959989932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4517158462959989932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/10/o-espelho-ou-gente-e-assim-mesmo-ou.html' title='O Espelho ou A gente é assim mesmo ou Segura a minha mão, por favor ou Sobre algum Fim ou Me ensina alguma coisa ou Grita que eu me grito também ou ,'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-492638722498576493</id><published>2009-10-15T16:48:00.001-03:00</published><updated>2009-10-15T16:50:23.427-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>A busca de</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://i242.photobucket.com/albums/ff83/leighaaxann/about%20me%20pictures/woman_crying_1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 235px; height: 349px;" src="http://i242.photobucket.com/albums/ff83/leighaaxann/about%20me%20pictures/woman_crying_1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Se algo de aprendizagem restara àquela garota, este era que: ser mulher dói. E doía-lhe. Doía-lhe de uma dor claustrofóbica de impossibilidade contida. Era-lhe uma tristeza resignada de o-mundo-é-assim-mesmo. E o mundo lhe era assim mesmo. Mesmo com seu olhar decidido e sua coragem plastificada travestida em mulher pós-moderna – ah, mesmo com o rosto ao vento, o mundo doía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se algo ficou de tudo isso – por Deus, se algo ficou foi uma compreensão mutua que dividia com todas as mulheres. Ficou a compreensão daquela dor de não pertencer, de estar num não-lugar. Talvez isso a fizesse mulher. Talvez isso a fizesse mãe, porque das mães cobra-se o entendimento. E ela entendia. O que fazer de uma mulher cuja dor lhe é revelada? melhor seria a dor oculta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dele, do homem, ficara somente a dor... ele – justo ele – trouxera à garota o entendimento. É que ser mulher era assim mesmo: havia a dor do não-poder. Não lhe era permitido usar certas roupas nem a vaidade de mostrar-se em fotografias nem a dignidade de ter um trabalho. Até como portar-se num banheiro fora-lhe ensinado. E era preciso lutar para simplesmente ser.  Era preciso esquecer – e provar o esquecimento – do passado, das noites de bebedeira, das trepadas imorais – mulher, para não escapulir do gênero, mulher, dessas de verdade, não bebe nem usa drogas nem dá no primeiro encontro nem trabalha nem se mostra em fotografias de Orkut nem usa roupas que lhe deixe a beleza à mostra nem vive se da vida não bastar-lhe o homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então – então diz-me, por favor: como tornaria-se, a mulher, ela mesma? como tornar-te ti mesmo se o ti mesmo lhe é proibido? Como sentir-se em casa numa casa que nunca lhe pertenceu? A ela, como mulher, restou tentar caber-se aos moldes. Tentou – juro-te que tentou. Não coube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restou-lhe a dualidade feminina: a máscara ou a dor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-492638722498576493?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/492638722498576493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=492638722498576493' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/492638722498576493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/492638722498576493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/10/busca-de.html' title='A busca de'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i242.photobucket.com/albums/ff83/leighaaxann/about%20me%20pictures/th_woman_crying_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-5497454860077385704</id><published>2009-10-03T13:45:00.001-03:00</published><updated>2009-10-03T16:22:44.110-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Fúria</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_iiQqGc2Rm3k/SV-ZVdOa1xI/AAAAAAAABsk/8A_QPIx4caU/s400/blog+gravura+%C3%BAltimo+grito+colagem+pintura.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 223px; height: 298px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_iiQqGc2Rm3k/SV-ZVdOa1xI/AAAAAAAABsk/8A_QPIx4caU/s400/blog+gravura+%C3%BAltimo+grito+colagem+pintura.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; – Eu te amo – disse a mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não amava nada. Estava tudo errado, tudo. Tu-do. Confundia-se amor e egoísmo e esquecia-se do amor-próprio, que é necessário. Achava-se que amor era querer-o-outro-pra-si, mas não é, cara, não é. Esquecia-se que amor é muito mais querer-bem-ao-outro pura e simplesmente. Pensava-se que querer bastante e com urgência fosse amor. Estava tudo errado, cara. Media-se amor pela urgência, mas media-se a coisa errada. Amor é de graça, juro. É sereno, calmaria. O resto é egoísmo destrutivo, ciúme, possessividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Amou coisa alguma – respondeu – você me foi apaixonado, gata, e é. Passa o cigarro, por favor, que quero a fumaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fumou. Fumou. Fumou até que a fumaça o engolisse e bebeu seu copo de vodca com coca num só gole – bebida queimando a garganta naquele gosto insosso de vômito preso na boca. Encheu novamente, mais vodca que coca, naquela cor clarinha, quase transparente. Forte pra caralho. Bebeu tudo novamente e quis mais. Quis era pegar o carro às quatro e quinze da manhã e dirigir sem rumo, bêbado, e quem sabe parar numa blitz da Lei Seca, desacatar dois policiais, vomitar em outro, resistir à prisão e se foder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no fim, iria ela num desses inferninhos sujos da cidade, em que as pessoas fazem sexo e cheiram pó enquanto toca rock de péssima qualidade e iria beijar a boca de outros caras sujos que freqüentam lugares sujos e bebem bebidas sujas. E beijaria sem vontade um desses caras, só por beijar, o que é ainda mais imundo e sujo e cruel. Estava tudo errado, cara. Tu-do.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É amor porra nenhuma, que amor é altruísmo. Deixa eu te ensinar, gata: paixão que é urgente, quer-se a pessoa só pra você o tempo todo, prefere-se isso ou morrer. Paixão que é avassaladora, que não pensa nas conseqüências e é extremamente egoísta porque sufoca o outro pra te fazer bem, gata. Mas mesmo assim ela é necessária, é intensa. O problema é que paixão um dia acaba. Sobra o amor, então, que é a vontade serena de estar junto, que é aquela sensação de segurança quando vê o outro. Como se nada mais faltasse. É sereno, calmo, constrói ao invés de destruir. E disso, gata, será que tem alguma coisa aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então ela chorou, imunda cheirando a cigarro e suor de outro homem. Chorou como uma criança, por horas e horas. E ele fumou outro cigarro e depois outro e bebeu a vodca. E percebeu que aquele choro lhe embrulhava o estômago. Estava tudo errado, cara, tudo. E desejou com extrema raiva estar numa boate e beber o mundo e trepar com três mulheres diferentes ao mesmo tempo, mas no segundo seguinte lembrou que isso era egoísmo, que era isso que matava o amor e que matava os dois. Lembrou que essa dor de agora não era o amor doendo – o amor doía, mas o que se sobrepunha era a raiva, que é egoísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, cansado do mundo por hoje, dormiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-5497454860077385704?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/5497454860077385704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=5497454860077385704' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/5497454860077385704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/5497454860077385704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/10/furia.html' title='Fúria'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_iiQqGc2Rm3k/SV-ZVdOa1xI/AAAAAAAABsk/8A_QPIx4caU/s72-c/blog+gravura+%C3%BAltimo+grito+colagem+pintura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-8211475707760239726</id><published>2009-09-30T19:01:00.001-03:00</published><updated>2009-09-30T19:31:08.237-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>A Velha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://manoeng.files.wordpress.com/2009/04/idosa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 266px; height: 179px;" src="http://manoeng.files.wordpress.com/2009/04/idosa.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Era uma mulher de face rugosa e clara. Era alta, branquíssima e de olhos negros. Mas, sobretudo, uma mulher de rugas. Era uma mulher velha e branca que morava no terceiro andar de um prédio velho e branco. Eram-se – a velha e o prédio – irmãos de alma: padeciam da mesma dor. A velha, que resistia ao inevitável destino humano, abraçava o prédio, que, por sua vez, suportava calado seu destino: o de ser prédio velho numa cidade de edifícios velozes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da dor, ela vivia – era preciso viver porque viver era o certo. E, então, justamente por fazer o certo, ela fazia compras no supermercado. Comprava, a velha, dois quilos de arroz simplesmente porque gostava de arroz e almoçava apenas arroz. Quando jovem, não lhe permitiam comer o que queria. “Almoço bom tem que ter muitas cores”, diziam-lhe. Agora, velha e só, comia arroz por revolta particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, satisfeita consigo mesma, a velha entrou no prédio segurando o fruto de sua liberdade – um saco de dois quilos de arroz. Segurava-o firme por entre os dedos e a palma da mão. Segurava-o assim pois já era velha e não podia dar-se ao luxo de deixar o arroz cair. Seria a prova de sua incapacidade de mulher antiga – e ela queria resistir como o prédio que, embora velho, jamais cedera-se a uma infiltração sequer. Ela queria ser o prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Próximo à portaria, em frente à escada e aos três lances de degraus que a esperavam, a velha descansou por apenas um instante. Era necessário ser forte para, em plena velhice, morar no terceiro andar de um prédio antigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que um rapaz loiro e jovem oferece-lhe ajuda enquanto descia as escadas. Era jovem, forte e bonito. Era desses que encarava os degraus sem temor. Olhar curioso e rebelde, eriçado. Disse-lhe “deixa que levo as compras para a senhora”. A velha recusou prontamente. Levar-lhe o almoço era levar-lhe a vida. Era-lhe tirar o último desafio que restara. Levar o arroz até a cozinha era sua – e apenas sua – tarefa. Se aceitasse a cortesia do rapaz, seria mulher sem missão. Seria, então, uma velha sem vida, apática, cujo destino fora-lhe roubado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, com a recusa, o rapaz foi embora e a mulher, solitária, permaneceu inquieta sobre a escada. Foi quando a sacola pesou sobre os seus dedos e, não sem antes resistir com bravura, a velha falhou. Seus dedos frágeis não resistiram e cederam. Um estrondo seco denunciou que os dois quilos de arroz ganhavam agora o chão. Justo ela que lutara bravamente para preservar os restos de sua dignidade – justo ela falhara. Ela que entendia – e justamente por este motivo – amava a dor do prédio em que morava – essa mesma mulher agora definhava sobre a escadaria chorando um choro de missão falha. Ela que só queria viver porque assim lhe parecia ser o certo, ela agora descobria-se demasiadamente fraca para a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sentiu-se velha pela primeira vez. Sentiu-se inapta para a vida – e o principal: inapta para o amor: quem amaria uma velha cujas rugas tomavam a face inteira? A velha, de repente, não mais sentiu-se mulher. O que a fazia feminina? ser mulher era amor-próprio. O feminino é antítese em seu próprio desafio. Mas ela... ela nem ao menos conseguia ser. Ela havia falhado em seu mais orgânico desafio. E agora sentia-se incapaz de despertar desejo. Nem sequer sabia desejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando percebeu que viver era também abrir mão. Soube-se, então, sem saber como sabia, que a dor era vida e que as missões não eram necessariamente feitas para a vitória. Soube que a derrota lhe fazia humana e que ser mulher era mais que desejo – ser mulher era também falhar e chorar sobre a escada fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebeu, então, que a vitória não era o único caminho. E o dela era o outro. Ela que sofrera tanto porque diziam-lhe que devia ser feliz – justo ela que tentou porque lhe parecia o certo tentar, justo ela descobriu, aos setenta e oito anos, que falhar também é caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E triste – mas de uma tristeza consciente que lhe era de direito – a velha subiu as escadas lentamente, já sem o arroz, entrou em seu apartamento e observou da janela da sala as pessoas vivendo lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia tudo tão normal...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-8211475707760239726?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/8211475707760239726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=8211475707760239726' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8211475707760239726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8211475707760239726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/09/velha.html' title='A Velha'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-2813773445201058916</id><published>2009-09-15T14:36:00.004-03:00</published><updated>2009-09-15T14:42:44.351-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Cartas a ninguém</title><content type='html'>Belo Horizonte, 15 de setembro de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo sem um interl&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.blogtribuna.com.br/ParardeFumar/ImageBank/FCKEditor/image/cartas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 269px; height: 201px;" src="http://www.blogtribuna.com.br/ParardeFumar/ImageBank/FCKEditor/image/cartas.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ocutor. Não entendo – mas pareceu-me, no momento em que iniciei as letras, pareceu-me fazer sentido. Talvez criar um personagem me seja necessário. O personagem é aquele a quem escrevo. Sinto-o apenas difuso, sem rosto, em cores acinzentadas. Mas sua presença basta. Quero de ti, meu personagem, apenas o pretexto à carta. Começo a depender de minhas próprias criações. Me preocupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que tirei férias de mim. Dois dias. Deito sobre a cama e fico, apenas fico, entende? Não penso nem faço planos nem me sou. Nada. Existo, apenas, ou quase isso. E nesses momentos não dói nem é calor. É algo como a ausência da sensibilidade – mas que não é descrença. É superior: é não ter a necessidade de crer. É ausência infinita e indolor. É como se nesses momentos a existência retornasse ao ponto anterior. Existo? não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo sua preocupação. Sei do perigo em transitar em meio ao não-existir. Mas é que quando a dor transborda é preciso escolher, sabe? Então escolhi. E me são apenas dois dias. Tempo necessário para recuperar o caminho – recolher os cacos de dignidade que restam e recuperar o caminho. E no mais, aproveitei o tempo e li Clarice. Li muito. Transbordei. Reli “Um sopro de vida” em um único espasmo e, então, reli novamente trechos e trechos e, por fim, quando os olhos tornaram-se falhos, fechei-os e ouvi as versões em áudio de contos de Clarice. Eram narrados por Aracy Balabanian. Chocante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura de agora trouxe algo novo. Não tive medo dos olhos de Clarice – eu que, por Deus, sempre evitei encará-los de frente. Li Clarice Lispector altivo e, sob a mesma altivez, ela me leu. É que dessa vez era eu tão pesado quanto seu próprio peso. A dor de existir resignava-me tanto quanto sempre resignou Clarice. Éramos nós dividindo a mesma melancolia. Clarice era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de jamais voltar a escrever. Juro-te de joelhos isto. Caio Fernando Abreu, me disseram, parou de ler Clarice por esse motivo. Entendo seu medo: não há o que ser dito. Clarice intimida todos nós que escrevemos, entende? Não há o que ser dito. Quis escrever um pouco a noitinha e não consegui. Se escrevesse o que minha alma implorava, seria a íntegra de “A procura de uma dignidade”. Não escrevi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em Caio Fernando Abreu, tenho lido uma tese de doutorado sobre sua obra. Ele é outro que sempre me pareceu triste. Parece ser um daqueles que foi à vida, arriscou-se e, no fim, rendeu-se à dor. Clarice, ao que me parece, nasceu rendida. Eu tento não me render – esta negação da existência através da qual me sou nos últimos dois dias, embora pareça o contrário, é tentativa de não me render, acredite. Será que, no fim, o caminho é mesmo desistir? luto contra!, sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, o caminho é tentar manter a sanidade. Tento fazer minhas coisinhas, me nortear. Os mais sensíveis, como a gente, temos que estar sempre atentos: se perdermos o caminho, nunca mais encontramos. Temos que manter um pé no racional. Se não, se o copo derramar e a gente não segurar, aí não tem mais jeito. Aí a gente acaba como tantos que viviam por viver, sem sorrisos ou lágrimas, sem sentir absolutamente nada. E é caminho sem volta. Os mais sensíveis – aqueles sobre os quais a dor da vida pesa mais forte – são como os loucos: o que nos separa da internação é exatamente a tênue linha de equilíbrio estrangeiro que preservamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que preciso fugir de mim nesses dias. Por isso fiz minhas férias de apenas dois dias: preciso reencontrar o caminho. Estive próximo – e, juro, ainda estou – de perder o controle. E, se for, não há volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver é perigoso.&lt;br /&gt;Desejo-te sorte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-2813773445201058916?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/2813773445201058916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=2813773445201058916' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2813773445201058916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2813773445201058916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/09/cartas-ninguem.html' title='Cartas a ninguém'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-8789285813969079267</id><published>2009-08-28T15:42:00.002-03:00</published><updated>2009-08-28T15:45:53.558-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Simulacro do mundo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://sometimesaki.no.sapo.pt/Imagens/Reflexo%20Pedro%20Gomes.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 312px; height: 500px;" src="http://sometimesaki.no.sapo.pt/Imagens/Reflexo%20Pedro%20Gomes.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:arial;" &gt;“O escritor é uma das criaturas mais neuróticas que existem: ele não sabe viver ao vivo, ele vive através de reflexos, espelhos, imagens, palavras. O não-real, o não-palpável.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:arial;" &gt;Caio F.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;É que, ao nascer, faz-se a escolha. E não há o que discutir. Escolhe-se, no gênese inicial, a vida ou a escrita. E o escritor não vive – o escritor é triste. Não há – e repito em minha ignorância sábia de rei absoluto – não há alegria na escrita. Escreve-se quem já morreu. Os vivos apenas vivem. Aos outros, tem-se a escrita como quem grita um grito doído: restam-lhe as palavras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A ele restava o papel. Restava-lhe o ranger do lápis rasgando o papel e o barulho mofado das teclas sob os dedos. Bastava-lhe o cheiro seco das letras e as palavras recém criadas num respiro inicial. A ele a nobreza estava em sabe-se-lá-o-quê de seus olhos. Eram-lhe, as letras, o simulacro de seu próprio mundo. O escritor escrevia como quem inspira o frio. Escrevia – pasmem! – como quem vivia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Escuta: não há nobreza na escrita.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;E ele, entre os livros e escritos, dava-se a viver a vida em carne e osso. Não aos pulos e mergulhos – mas aos goles rarefeitos. É que, ao escritor, tem-se o perigo: morrer em sua não-vida. É preciso, então, ir-se em doses. É que escrever é perigoso – sabe-se lá onde da alma as palavras vão pousar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;E então ele escrevia – e, ao escrever, morria. Ou ao menos fazia da escrita uma meia vida que lhe permitisse respirar. O escritor tem as palavras para não morrer do mundo – é o que lhe resta da vida – vida? E então ele escrevia pois não podia viver. Não lhe era dado o direito à vida. Repito: não há nobreza na escrita. Apenas a vida é nobre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A ele – plebeu das letras – restou as palavras. Sabe-se lá se por medo ou coragem – mas a ele, restou as palavras. E as palavras – alertaram Clarices, Herbertos e Guimarães – as palavras são perigosas. Sorte a nossa que ainda temos a vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Viver é perigoso. Morrer, ainda mais.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-8789285813969079267?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/8789285813969079267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=8789285813969079267' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8789285813969079267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8789285813969079267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/08/simulacro-do-mundo.html' title='Simulacro do mundo'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-3621822457689231396</id><published>2009-05-21T15:33:00.003-03:00</published><updated>2009-05-21T15:34:33.841-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>O Deus</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://certosmomentos.blogs.sapo.pt/arquivo/sunshine.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 466px; height: 350px;" src="http://certosmomentos.blogs.sapo.pt/arquivo/sunshine.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não que existisse qualquer força maior, mas ela descansava sua dor nos ombros do que chamava de Deus. Não que também inexistisse tal força – não cabe aqui especular –, mas a ela, crer bastava. A garota agarrava a idéia de Deus como quem agarra a última esperança. E ao crer, ele existia. E ela suplicava ao vento, que, em meio ao medo, batizara de fé. Era o Deus, que surgira do medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem qualquer indício de remorso ou autocrítica no olhar, ela criara seu Deus do medo. E lhe era legítimo tê-lo ali. Criou-se um Deus-próprio exatamente quando a noite surgira e fizera-se o medo. Talvez – desculpe-me se assim for – seja, eu, duro demais ao condená-la por seu credo tardio. Talvez carregue, eu, migalhas da crença de que se deve crer desde sempre e não somente ao entardecer. Ledo engano o meu se assim for. Talvez o inverso caiba melhor: pode-se Deus tê-la agarrado pelo braço quando o medo surgiu. Talvez soubesse Ele da fragilidade feminina da garota mulher incapaz de suportar, sozinha, o inverno. Talvez fosse Ele tão mais solidário que tu, incapaz de estender a mão à mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou talvez fosse a própria mulher que gritava a si mesma um berro de vida. Talvez a força maior que chamaste de Deus fosse a própria mulher tão maior que si mesma, crescida da dor. Talvez a súplica a Deus fosse, na verdade, uma súplica a si mesma, num sussurro de “sobreviva” gritado aos próprios ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, antes de querer o perdão divino, ela precisasse perdoar a si. Antes de amar a Deus, talvez lhe fosse preciso o amor próprio. Pois, em meio a madrugada, já não importava o fim. Bastava-lhe o vir-a-ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-3621822457689231396?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/3621822457689231396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=3621822457689231396' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3621822457689231396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3621822457689231396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/05/nao-que-existisse-qualquer-forca-maior.html' title='O Deus'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-1477444102767472715</id><published>2009-04-03T16:09:00.004-03:00</published><updated>2009-04-03T18:57:30.704-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>O Cigarro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://escravodarosa.files.wordpress.com/2009/03/cigarro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 475px; height: 468px;" src="http://escravodarosa.files.wordpress.com/2009/03/cigarro.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E ela não tragou o cigarro pela última vez. Trêmula – angustiada entre a vontade do sim e a certeza do não –, apenas fitou-o sobre o cinzeiro até que o cigarro, metamorfo, virasse cinzas. Não tragá-lo foi uma decisão difícil: não pelo prazer do vício, mas pelo significado daquele ato – não senti-lo pela última vez era abandonar o que lhe fora essencial. Era algo grande. Ela nem ao menos sabia – tu não sabes, acredite – mas era grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E trêmula – não pela carência do vício, mas pela força do ato –, cerrou os olhos num vazio necessário e fez-se forte. Ela sorriu de um sorriso doído, mas soube, sem ao menos saber como sabia, que para ter era preciso abrir mão. Tu não entendes, acredite – e nem ela espera de ti entendimento. Ela que nem ao menos se compreende. Mas aquilo era como tirar-lhe o mais essencial – o mais difícil e o mais doído: era-lhe o último trago – e ao abrir mão do mais difícil... ah, ao abrir mão ela soube que estava pronta para algo maior. Algo sem fronteiras que nem ao menos conseguia enxergar. Vês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não sabia, mas ao fitar o cigarro sobre o cinzeiro, tornara-se infinitamente maior que si mesma. Tornara-se pronta. Pronta para abrir mão. Pronta para desapegar-se do não-essencial. E ela, trêmula e frágil com seus olhos inseguros – ela negava, naquele momento, os desejos mais urgentes. Tu não entendes como, mas mesmo com seu corpo encolhido como quem busca proteção – mesmo sozinha procurando afago – ah, ela era indizivelmente maior que todos nós. Para ela, bastava-lhe o pouco que tinha e que lhe era verdadeiro. Bastava-lhe. Entendes? Para ela, grande mulher, não havia mais ‘porém’ ou ‘mas’. Era-lhe de direito o ponto final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a fumaça do último cigarro ainda se moldava ao ambiente quando, num súbito espasmo de alma, ela – pequena e frágil e doída –, ela gritou. E gritou-se de um grito preso que enfim ganhava liberdade. Um grito falho de quem há tempos não utilizava-se das pregas vocais. Mas era um grito sincero – tímido e medroso, mas sincero. Porque mesmo insegura e abraçada a si mesma em posição fetal – mesmo querendo-lhe proteção, ela era grande. E então o grito era-lhe seu por direito. E gritou. De olhos fechados. Tu não entendes, mas ela gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no instante seguinte, arrependida do grito, suplicou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sejamos maiores. Por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, então, adormeceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-1477444102767472715?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/1477444102767472715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=1477444102767472715' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1477444102767472715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1477444102767472715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/04/o-cigarro.html' title='O Cigarro'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-8337326592582673349</id><published>2009-03-30T12:56:00.004-03:00</published><updated>2009-04-03T18:58:22.763-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Sobre o entender-me</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://open.salon.com/blog/sandra_no_longer_miller/recent/page/files/writing1228511911.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 300px;" src="http://open.salon.com/blog/sandra_no_longer_miller/recent/page/files/writing1228511911.gif" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras não importam – digo sem rodeios literários, ríspida e impulsivamente. As palavras são o que há de menor na alma que é texto escrito. É a epiderme, e eu quero – devias querer-te também – no que há no mais profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que as letras limitam a alma ao dicionário – como saber qual palavra usar? Ignorante, prefiro munir-me no não-sentido. Salvo-me ao escrever caoticamente, que é a forma de escrita primária. É assim: as letras saem e formam ritmos e cores e risos e choros e sabe-se-lá-o-que-mais. E se misturam, as palavras, em formas estranhas. E faz-se espelho da alma – que é caos por natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E escondo-me no simples que há no hermético das palavras. E basta. É simples. É completo. Basta. Prefiro-me assim: nas entrelinhas da não-linha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-8337326592582673349?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/8337326592582673349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=8337326592582673349' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8337326592582673349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8337326592582673349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/03/sobre-o-entender-me.html' title='Sobre o entender-me'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-9209329864750191044</id><published>2009-03-04T04:02:00.003-03:00</published><updated>2009-08-23T22:21:44.604-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>A arte</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.camboriubalneario.com/images/balneario_camboriu/nacser-do-sol-balneario-camboriu.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 450px; height: 613px;" src="http://imagens.kboing.com.br/papeldeparede/7236praia.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da janela semi-aberta, as primeiras gotas de sol começaram a surgir anunciando a quem quisesse ver – e apenas ela via – que a noite anterior já era dia seguinte. E era dia bonito, o que nascia. Não havia nuvens, e embora as trevas ainda dominassem meio céu, o azul surgia aos poucos em cores de alívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto, porém, era noite em traje completo: luzes acesas num amarelo amargo, cheiro de cigarro, Augusto dos Anjos aberto num poema antigo e mofado, bebida pela metade – e ela: olhos semi-cerrados fitando sabe-se lá o quê – olhos inchados de quem não dormia há tempos, os dela. Misteriosos, claro, como se fossem fieis de um segredo doído – como se soubessem a verdade do mundo. Seu olhar perdido parecia acostumado à luz e às trevas. Era estranho – traz medo, confesso. Parecia entender algo que ninguém mais entendia. Uma verdade oculta. E nem por isso demonstrava qualquer brilho maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o colo, o teclado: a mulher digitava compulsivamente. Digitava como se respirasse as letras, como se a palavra fosse uma maneira de manter-se viva. E era. Enquanto escrevia, tinha certeza que suportava. E suportar já era estar viva. Bastava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquilo que a mulher fazia em seu momento mais necessário – aquilo era chamado de arte. Ela, porém, não se enganava: não há nobreza ou beleza na arte. A arte é inquieta e fria. É de uma luz sangrada e triste. E o artista é um ser incompleto. O artista apenas suporta. Ela suportava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E escrevia como quem transborda. E enquanto escrevia, apenas no instante em que tocava a tecla com o dedo – apenas nesse instante, era feliz. E no instante da escrita, ela não sentia o aperto queimando-lhe o peito. E respirava-se de um ar que lhe era legítimo. E fechava os olhos e sentia-se viva de uma vida que era aos poucos – mas que, mesmo assim, era-lhe a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos outros instantes – nos que deixava de lado a escrita para fumar, por exemplo – nos outros instantes, ela entregava-se ao mundo. E cedia por compreender que qualquer resistência seria dor inexorável. E então deixava a dor doer num olhar conformado. E resistia serena fingindo estar viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele instante, porém, em que o sol nascia – naquele instante ela abandonou a escrita. E antes que a dor pudesse voltar a matá-la, sussurrou ao vento juntando-se de todo o amor que lhe restava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero ser-me um dia – e numa voz medrosa, como a de uma criança implorando abraço, finalizou – vamos ser-me juntos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-9209329864750191044?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/9209329864750191044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=9209329864750191044' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/9209329864750191044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/9209329864750191044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/03/arte.html' title='A arte'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-5352985612187320470</id><published>2009-02-17T20:46:00.001-03:00</published><updated>2009-02-17T23:49:43.311-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>O Certo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://linafuko.files.wordpress.com/2007/08/escuridao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 420px; height: 315px;" src="http://linafuko.files.wordpress.com/2007/08/escuridao.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E o quarto estava escuro pela luz envelhecida que adentrava o ambiente. Era luz pouca a que vinha da rua – amarela e enjoada. Mas havia a luz. E em meio à semi-escuridão, eles se entreolharam e se reconheceram – os olhares, ao contrário do corpo, que é passageiro, os olhares eram eternos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não o vejo há tempos – constatou a mulher num sussurro cordial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O trabalho e o estudo me consomem muito – respondeu o homem como que desculpando-se ao vento – mas venho aqui sempre que posso. Juro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Queria que pudesse mais – e mentiu: – mas entendo suas razões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todos temos nossas razões – e fitando-a, pôs-se filósofo: – faz parte do amor entendermo-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, que não era dada à razão, escolheu-se pelo silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senti saudades – confessou ele quebrando o silêncio de frações de segundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu continuo sentindo-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles, anestesiados, fitaram-se e souberam que havia o amor. Para não estragá-lo, porém, despediram-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a mulher olhou o nada com uma certeza perigosa, embora perdida e vazia. É que ela achou que bastava o beijo e estaria salva. Não pensou que, não raro, precisaria renunciar o ser-a-si-próprio para ser feliz. Não sabia que seria preciso dosar o mais necessário de si para não perdê-lo, o homem, em seu próprio individualismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, muda, fechou os olhos e percebeu que até o mais sincero de si deveria sujeitar-se à máscara. As palavras deveriam ser medidas e o abraço, embora sincero, não deveria esmagar o instante. Justo ela, que nunca se dera à política ou ao teatro, teria que dosar. Ela que bebia a vida em goladas, teria que ir aos pingos. Era necessário entender razões. Quais? não sabia, mas teria que entender. Era o certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrir-se por inteira seria impor-se. E ela não queria a imposição - por Deus que não.  Preferia a mascara à imposição. Preferia a dor. Mas, antes de tudo, preferia a sinceridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incomodava-a ser-se aos poucos. Mas era o certo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-5352985612187320470?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/5352985612187320470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=5352985612187320470' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/5352985612187320470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/5352985612187320470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/02/o-certo.html' title='O Certo'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-3205858132623842794</id><published>2009-02-03T12:29:00.003-02:00</published><updated>2009-02-04T00:19:33.122-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Pequeno</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://persistenciadamemoria.files.wordpress.com/2008/07/el_grito1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 300px; height: 389px;" src="http://persistenciadamemoria.files.wordpress.com/2008/07/el_grito1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É que respirar era custoso. Inspirou aos poucos, medroso – com cuidado para não tragar de uma só vez  todo o ar que é vida. Engoliu a saliva numa demora calculada – qualquer movimento brusco e tudo estaria perdido. Bebeu mais um gole da bebida e fumou um cigarro que nem sabia fumar. Tossiu. As mãos trêmulas seguravam-lhe o peito pelo medo deste se romper.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apenas suportava. Imóvel, engolia a noite gélida para equacionar a dor. Era uma maneira de digerir o insuportável mesmo estando vivo. Usava o que lhe era de direito para mastigar tudo – absorver o que era maior e mais cruel do que poderia suportar. Poderia, ele, gritar de um grito que lhe fosse legítimo – e seria – ou beber o mundo, mesmo este sendo sólido. Mas não. Esvaía-se em silêncio. Morria-se só. Suportando, não sem dor, o insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando tudo lhe parecia escapar por entre as mãos, e a dor e a angústia e o sabe-se-lá-o-quê dominavam o corpo – daí ele dormia. Não era um sono leve. Mas era suportável. Suportável pela beira – quase grito de morte. Mas, ao menos, mantinha-se vivo. Mantinha-se, na verdade, entre o vivo e o não-vivo, entre o que há de pior e a falta de ser. Era-lhe a sua cruz. Era-lhe o preço pago por dizer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a salvação é pelo risco&lt;/span&gt;. Arriscou-se ao mundo e sabia – por saber de outras lágrimas – que o mundo não é em cores de Almodóvar. O mundo nem ao menos é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E seria-lhe mais fácil e até mais nobre – ao inferno a nobreza! – berrar um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não!&lt;/span&gt; à vida. Seria-lhe legítimo dizer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não quero mais&lt;/span&gt;. Entenderiam. Entenderias tu. Doeria-lhe a alma, mas de uma dor menos intensa. Traria feridas, mas não levaria ao coma. Tiraria-lhe o brilho do olhar – mas não faria de seus olhos, olhos cegos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não: escolheu-se pelo caminho mais difícil. Escolheu-se por engolir tudo em silêncio, mesmo sendo o tudo muito mais do que ele, pequeno – meu pequeno? –, poderia suportar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então dê-lhe as mãos e abraça, por favor, que o pior está por vir. É que a dor do insuportável – que faz do ar veneno e cura – é demais. Queima-lhe a alma. Tira-lhe o brilho dos olhos. E ele só queria dizer-te o que disse tantas vezes. Não conseguiu. A dor tirava-lhe a verdade da face– mesmo sendo tudo a mais pura verdade. E ele não diria nada que não fosse sincero de uma sinceridade cortante. Não estava disposto a jogar baixo. A verdade em seus olhos, embora maquiada pela dor, era o pedaço do que lhe restara. Não estava disposto a perdê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que doía-lhe mais e fazia de tudo insuportável era não poder dizer tudo novamente. Poderia, claro, mas não seria de alma – e a sua estava fatiada em pedaços mil. Diz-me tu: alma regenera? (diga sim, por favor, que o frio é muito mais do que o corpo agüenta. Mas seja sincero, que em ambas as respostas, a dor já vem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor já vem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-3205858132623842794?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/3205858132623842794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=3205858132623842794' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3205858132623842794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3205858132623842794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/02/pequeno.html' title='Pequeno'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-6396611585495030636</id><published>2009-02-03T04:38:00.002-02:00</published><updated>2009-02-03T04:42:01.724-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Finge tu</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.mineracaobrandao.com.br/hp/arquivos/produto_/Preto%20benedito.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 600px; height: 408px;" src="http://www.mineracaobrandao.com.br/hp/arquivos/produto_/Preto%20benedito.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E finge que está tudo bem. Vês? é melhor assim. Finge que eles se viram e se amaram. Finge que a lágrima era alegria de instante-aspergido. Finge tu. É que o importante não é o estar-se – é o ser. Finge ser feliz – pois és. A tristeza de agora é coisa pouca. Finge ser sincero este sussuro –  que ela, a felicidade, logo volta. Verás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finge. Apesar de.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-6396611585495030636?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/6396611585495030636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=6396611585495030636' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/6396611585495030636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/6396611585495030636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/02/finge-tu.html' title='Finge tu'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-3956482265668656767</id><published>2009-01-24T03:07:00.001-02:00</published><updated>2009-01-24T03:09:03.169-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Oração à felicidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_REIRSDAuN7Y/RlgIRkPLMyI/AAAAAAAAALU/-_kuPGQprds/s400/madrugada.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://bp3.blogger.com/_REIRSDAuN7Y/RlgIRkPLMyI/AAAAAAAAALU/-_kuPGQprds/s400/madrugada.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E ele, por fim, fez de conta ser feliz e, então, foi. Ouviu os pingos de chuva baterem metálicos sobre a superfície que o cobria e sorriu de alegria sincera. Olhou-se em seu próprio olhar negro e viu-se sereno – de uma serenidade sem motivo, de ares perdidos numa quinta-feira errante pela madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdido em meio à noite – que é fria e ingrata –, parecia não temê-la. Ao contrário: fitava-a altivo, como quem experimenta o líquido salgado que é estar-se completo. E estava: não por ter tudo – mas por seu oposto. Sentia-se, o garoto, parte do mundo – e não dono dele. E isso lhe dava uma tranqüilidade serena que umedece os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, deitado sobre o colo da própria noite – personificada em carne e osso –, abriu a alma e sorriu. Sentiu-se forte de uma força que lhe era legítima e arriscou-se a sonhar. “A salvação é pelo risco”, ouviu um dia em leituras passadas – e então arriscou-se em ser feliz. E foi. E sentiu o cheiro do colo, que era macio e adocicado e adormeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, já adormecido, desejou congelar o instante e chamá-lo de seu – era apenas o que desejava possuir. Abriu os olhos, capturou a áurea do que era ser feliz e guardou-a firme em suas mãos. Firme o bastante para jamais deixá-la escapar. E não deixaria. Ainda embriagado pelo perfume escuro e quente da madrugada, sorriu de seu sorriso mais sincero. Era um sorriso interior, que não se refletia em sua face – ela continuava serena. Era um sorriso que, muito mais que os músculos faciais, contraía a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era ele de uma felicidade tão sincera e simples, que chegava-lhe a doer o peito. Doía-lhe pelo excesso: a perfeição de estar-se sereno não lhe cabia no corpo humano. Ele, então, gritou-se em um sussurro de libertação e sentiu-se curado. Ninguém pôde ouvi-lo. Mas o grito estava lá. E ele, por instantes, também não pôde ser visto – não em meio ao escuro da madrugada – mas sabia, sem saber como sabia, que também estava ali. E que aquilo, enfim, era a felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-3956482265668656767?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/3956482265668656767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=3956482265668656767' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3956482265668656767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3956482265668656767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/01/orao-felicidade.html' title='Oração à felicidade'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_REIRSDAuN7Y/RlgIRkPLMyI/AAAAAAAAALU/-_kuPGQprds/s72-c/madrugada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-1532955502422352479</id><published>2009-01-07T22:58:00.004-02:00</published><updated>2009-01-07T23:08:57.682-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://pintarletras.blogs.sapo.pt/arquivo/corpos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 385px; height: 257px;" src="http://pintarletras.blogs.sapo.pt/arquivo/corpos.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amo-te. – confessou como quem diz obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E ela acreditou. Abriu-lhe a alma e disse-lhe em silêncio, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tira-me do lugar-comum&lt;/span&gt;. E beijou-lhe rijo e quente e agarrou-lhe os braços pelo medo de o instante dissolver. E sussurrou-lhe palavras indecifráveis e fixou-lhe os olhos e sorriu de um sorriso sincero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E sincera e despida e iluminada, ela fez-se livre e dormiu em seus braços. Ele, homem; ela, mulher. E disse-lhe com o olhar,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; tira-me do lugar-comum&lt;/span&gt;. E deixou-se ser e foi-se mulher muito mais que fêmea – pois fora feliz simples por ser. E disse a si mesma, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tira-me do lugar-comum&lt;/span&gt;. E acreditou-se por um único instante e gritou-lhe em sussurros,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; eu cuspo alma&lt;/span&gt;. E cuspiu-lhe um beijo de olhos que se tocam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ele olhou-a e amou-a como quem o faz obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-1532955502422352479?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/1532955502422352479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=1532955502422352479' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1532955502422352479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1532955502422352479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/01/amo-te.html' title=''/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-8267284570555331605</id><published>2008-12-24T13:30:00.002-02:00</published><updated>2008-12-24T13:39:33.395-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Sou poeta menor, perdoai!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.guibord.com/technical_writing-1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 238px; height: 391px;" src="http://www.guibord.com/technical_writing-1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por Thiago Terenzi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era quase assim – com alguns detalhes esquecidos e outros omitidos a fim tornar a história um pouco mais interessante –, mas, salvo as minúcias as quais me falta paciência para descrever, era quase assim: ele sentava em frente ao computador e falava a si mesmo: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Inferno, saiam, letras!&lt;/span&gt; e elas não saiam. Tomava uma dose e outra, escutava poesia musicada, ameaçava-se em frente ao espelho e, então, as letras saiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia inspiração – ela existia, porém! Ele a havia experimentado duas ou três vezes e vivia, desde então, dos restos do que sobrara na memória. Da falta de inspiração – ou de talento, sabe-se lá – criou uma técnica engraçada de escrita: escrevia o que lhe vinha da alma: palavras sem sentido em construções indecifráveis que ele fazia questão, por motivos desimportantes, de não traduzir à língua inteligível. Assim descrevendo, parece-lhe, ao leitor, grandioso. Não é!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevia sobre a alma por não conseguir escrever utilidades. Tentou, diga-se de passagem. Tentou fazer poesia, mas os versos lhe soavam artificiais. Tentou ser jornalista, mas não conhecia a língua a ponto de escrever em idioma objetivo – era mais confortável esconder-se em subjetividades. Escolheu-se então, pela prosa poética, inútil por excelência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, num mundo de Machados, Clarices e Dostoiéviskis, escrever para quê? Afinal, tudo o que havia para ser escrito, já o fora. Desde as ladainhas românticas às loucuras machistas nietzscheanas. É tudo sempre mais do mesmo – e ele sabia disso. E escrevia para si mesmo. Primeiro para libertar-se – motivo nobre, afirmo em zombaria – depois para provar-se sabedor da língua. E não sabia nada – enganava uns cinco ou seis, mas não sabia nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria, ele, escrever sobre sagas e heróis – ou anti-heróis, já que se encantava em ir contra o vento. Queria era escrever diálogos grandiosos e aventuras. Mas seus personagens eram tão mesquinhos que nem a isso serviam. Era gente menor, como ele próprio, cuja vida não renderia duas linhas sequer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restava, então, adentrar a alma e descrevê-la em seus textos. Não que ela fosse de alguma forma grandiosa, mas era mar nunca dantes navegado – e costumavam gostar do desconhecido (ele, particularmente, frouxo que era, temia o que não conhecia, mas havia os que gostavam).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então ele escrevia. Sem saber fazer sentido, escrevia palavras desconexas ao vento. Por não lembrar da gramática nada além de próclises e mesóclises, preferiu descartar as normas e guiar-se pelo ritmo. Escrevia, então, palavras quaisquer até formarem música aos ouvidos. E isso bastava – Bastava a ele, claro! porque aquilo não era literatura. Nem pretendia ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sabido, em primeiro lugar, que as letras têm que se apoiar no papel. E as suas letras eram digitais. E a internet não é abrigo para a literatura. Não é! E ele digitava as letras, mas as letras precisavam ser escritas de próprio punho para terem alma – é aceitável, claro, que sejam digitadas em máquinas de datilografia, desde que estas, óbvio, estejam agarradas ao corpo do criador para serem mãe e filho. Se não, é texto qualquer. Não literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele – desculpem-me os devaneios em que me perdi agora pouco – ele escrevia textos quaisquer. Não havia, entre as suas criações, Capitus ou Macabéas, nem mesmo Zaratustras para profetizar ladainhas ao vento. Seus personagens nem ao menos tinham nome. Nem ele os conhecia – quem, por fim, conheceria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele, sem conseguir ver luz na história que narrara, deixou-a de lado, fechou a porta e viveu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-8267284570555331605?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/8267284570555331605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=8267284570555331605' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8267284570555331605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8267284570555331605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/12/sou-poeta-menor-perdoai.html' title='Sou poeta menor, perdoai!'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-2984437713979682298</id><published>2008-12-16T20:30:00.004-02:00</published><updated>2008-12-16T20:36:18.427-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;E ela escolheu-se pelo risco: avante por toda a coragem que o medo traz. Com as pernas trêmulas. Com o sorriso incerto. Com os olhos falhos. Avante, porém. Pela coragem de querer viver – avante!&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-2984437713979682298?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/2984437713979682298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=2984437713979682298' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2984437713979682298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2984437713979682298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/12/e-ela-escolheu-se-pelo-risco-avante-por.html' title=''/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-8441413231730269107</id><published>2008-11-23T20:22:00.000-02:00</published><updated>2008-11-23T20:23:46.638-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Estrangeiro - por Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.artsjournal.com/bookdaddy/Home_Photo_books.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 311px; height: 362px;" src="http://www.artsjournal.com/bookdaddy/Home_Photo_books.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ele não costumava ler – estava ali por mero acaso planejado do destino. Leu sim uns dois ou três livros. Não leu os do colégio por pura pirraça – obrigavam-no a ler. E obrigá-lo já era virar-se contra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leu, tempos antes, coleções infantis. Gostou. Mas não era um gostar de almas que se tocam – ele apenas gostou e ponto. Era um gostar monossilábico, sem envolvimento. Como quem gosta do café da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele instante, porém, ele estava ali. Sozinho. Não lhe era comum andar pelas ruas do centro da cidade sem companhia, mas naquele dia, sabe-se lá o porquê, estava ele consigo mesmo solitário fitando a livraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro contato fora estranho: ambos se entreolharam e se encararam num olhar de curiosidade. Eles se temiam. A livraria, embora de portas abertas, mantinha-se atenta e imóvel como uma presa esperando o próximo passo do predador. O garoto, por sua vez, fazia-se sereno. Era um laço tenso que envolvia os dois. Mas havia o laço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esse mesmo laço o empurrou para dentro da loja. O misto de receio e curiosidade era suficiente para dar-lhe coragem – e era uma coragem medrosa. Desbravou as prateleiras inundadas de livros como um estrangeiro buscando encontrar-se em rostos estranhos. Andava devagar – era campo inimigo. Todos os olhares voltavam-se contra ele. Era como se todos soubessem que havia um estranho naquele universo. Mas o garoto não era estranho. Apenas queria sabe-se-lá-o-quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de repente o menino parou: encontrara o que tanto procurava. Na verdade, ele que havia sido encontrado – é que só encontra quem um dia procurou e embora soubesse que algo lhe faltava, ele nunca havia procurado. Mas encontraram-no.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o livro estava ali na prateleira a sua frente. Imóvel. Era uma das prateleiras mais cheias, rodeada por livros de todas as cores. Mas o garoto sabia – sem saber como sabia – que aquele ali alaranjado com letras verde-brilhante era o sabe-se-lá-o-quê que tanto lhe faltava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ele roubá-lo e escondê-lo em sua roupa e sair furtivamente em direção ao nada. Compra-lo parecia uma idéia pouco atraente – não se compra destinos. Ele queria transgredir, tornar sua paixão um pouco mais difícil. Comprar era simples demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, comprou-o.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não abriu suas páginas por dias. Apenas fitava-o horas e horas e cheirava-o em seu cheiro de livro-novo. Ler seria invadir uma intimidade que talvez não lhe fora dada. O instante antes do próprio instante já lhe era suficiente. O garoto queria apenas a beira – apenas a possibilidade do êxtase. Acariciava a capa do livro como quem tateia o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era-lhe suficiente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-8441413231730269107?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/8441413231730269107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=8441413231730269107' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8441413231730269107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8441413231730269107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/11/o-estrangeiro-por-thiago-terenzi.html' title='O Estrangeiro - por Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-1539048212953235428</id><published>2008-11-18T02:24:00.001-02:00</published><updated>2008-11-18T02:27:28.939-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>O compositor - por Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.imagefilez.com/out.php/i232417_violao202.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 482px; height: 320px;" src="http://www.imagefilez.com/out.php/i232417_violao202.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ele cantarolou displicentemente a melodia por longos minutos sem notar que estava sendo ouvido e viu-se, então, em seu momento mais necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a melodia era tão estranhamente bela que parecia o instante repetido ao infinito. Os acordes se entrecortavam com tamanha voracidade que nos perdíamos entre os compassos e semitons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois era ele e o violão, que era o seu instrumento-útero. E a verdade da música só poderia ser percebida em seu momento-criação – todo o resto era tentativa de enquadrá-la. Apenas aquele instante – o instante primeiro – era importante. A arte estava ali. Todo o resto era industrial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as outras tantas vezes que a canção seria repetida em computadores e rádios pelo mundo seria apenas uma tentativa de capturar o instante com os dedos. E os arranjos e produções e modificações que a música sofreria antes de ser gravada seria apenas para escondê-la de si mesma – pois a sinceridade está no momento-criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele se viu como o poeta que termina o soneto em rimas alternadas. Tão logo findou-se a poesia, perdeu-se o sentido – pois a essência do ser é o estar sendo. Os meios se auto-justificam – não há de se buscar qualquer sorriso póstumo. A arte é por si só. É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão logo o cronista dá seu ponto final, o escrito se torna inútil. Morrem ambos: o autor e a obra. Obra acabada é obra morta. Apenas o instante em que ambos se alimentam é necessário – após o parto, mãe e filho morrem para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que viver é processo inacabado. É imperfeição – como a melodia que desafina em tons agudos; como a nota mal tocada que ressoa pelo traste do violão. E querer perfeição é morrer – é que plenitude e vazio é coisa única. Prefiro estar-me sendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sem notar que o instante se passara, ele gravou a melodia em seu pequeno gravador. Esgotou-se, então, a arte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-1539048212953235428?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/1539048212953235428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=1539048212953235428' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1539048212953235428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1539048212953235428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/11/o-compositor-por-thiago-terenzi.html' title='O compositor - por Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-1015498001817233341</id><published>2008-10-29T01:27:00.003-02:00</published><updated>2008-10-29T01:32:30.807-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>A Liberdade - por Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SQfZQPcp4pI/AAAAAAAAADQ/j-BGZQwottA/s1600-h/vazio+em+plenitude.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 254px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SQfZQPcp4pI/AAAAAAAAADQ/j-BGZQwottA/s320/vazio+em+plenitude.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262413562653565586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    E então adormeceu e, pela primeira vez, foi-se ela mesma: olhos fechados sob uma leveza transcendental de criança inocente e corpo em pele alva. O rosto sereno era de sinceridade aspergida – era de um viva exclamado por estar-se nua de alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Ela dormia em sono profundo – pois só assim era possível ser sincera. Se os olhos se abrissem, perder-se-ia a inocência. É que inocência sincera dispensa máscaras. E estar-se viva já era mascarar-se em trajes plásticos. Travestida, ela abria mão da sinceridade para viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Mas agora, de olhos fechados, ela não vivia – dormia. Abstinha-se do papel de ser mulher para apenas ser; livrava-se da obrigação de perdoar para perdoar-se. E estava próxima de Deus por aproximar-se de si mesma. Era autônoma e tão livre que a liberdade lhe parecia pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    De pura sinceridade, amou o mundo de um amor inédito – não de amor cristão, que soa como dever, mas de amor gratuito. E recebeu em troca o conforto do travesseiro roçando-lhe o rosto – e bastou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Sorriu e foi, enfim, feliz – e a felicidade não era aquela contrária à tristeza. Era palavra sem antônimo. Era um feliz que existia não para opor-se ao triste. Apenas existia. Estava lá – e ela nem queria saber os porquês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Apenas nós, os incompletos, buscamos respostas – ela não. Em seu sono profundo, ela apenas acreditava. E por acreditar, não havia perguntas (nem ao menos havia pontos finais ou exclamações). Havia o signo – livre de significado, significante e significação. O signo apenas estava lá e ela o respeitava – e o amava como parte de sua natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Plena de si, pensou estar morta – a tênue linha que separa vazio de plenitude é tão insignificante que arrisco-me a dizer que são sinônimos. Mas ela, esperta, muniu-se da certeza de estar viva – e, então, estava. Antes de acordar, porém, abraçou o travesseiro num abraço a si própria, bradando um “eu te amo” tão sincero que nunca chegou a efetivamente dizê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Amando-se em sua própria inocência, por fim, acordou. E então travestiu-se em suas máscaras habituais e jamais voltou a ser-se si mesma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-1015498001817233341?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/1015498001817233341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=1015498001817233341' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1015498001817233341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1015498001817233341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/10/liberdade-por-thiago-terenzi.html' title='A Liberdade - por Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SQfZQPcp4pI/AAAAAAAAADQ/j-BGZQwottA/s72-c/vazio+em+plenitude.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-8616484086023118996</id><published>2008-10-06T15:55:00.003-03:00</published><updated>2008-10-06T22:57:10.173-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Deus - por Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SOrB7Tqn3GI/AAAAAAAAADA/38nZ84z5HWY/s1600-h/pix.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SOrB7Tqn3GI/AAAAAAAAADA/38nZ84z5HWY/s320/pix.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254225139916594274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então ela acordou de um sono necessário sob o único raio de sol que iluminava seus olhos. Levantou-se e banhou-se de uma preguiça inocente e molhou seu rosto: pele alva, traços duros de um sabe-se-lá-o-quê cativante, que nem consigo explicar.&lt;br /&gt;Sobre o espelho, fitou seus próprios olhos e descobriu-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fingia-se de um fingimento artificial que herdara numa rua qualquer – mas, desde então, soube-se num saber particular e bastou. Sorriu. Rendeu-se por fim a si mesma e iluminou-se de uma alegria imperceptível – porém intensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que descobrir-se em si mesma era torna-se estrangeira – e ela tinha medo. Era ir além de um além não navegado e era perigoso: ilimitando-se, talvez, poderia parecer limitada aos olhos outros. E ela fora além de si ao olhar-se no espelho – além de seus próprios olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois seus olhos negros de ressaca pareciam esconder o que há de mais humano. Como se o “torna-te quem tu és” da alma se travestisse em felicidade cristã. Como se o que há de melhor fosse ocultado pelos certos plastificados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mesquinho os olhos – de cigana obliqua e dissimulada. Eram olhos de Capitu. Pedaços de uma moral recortada que cobriam a retina. Não enxergava para não ser enxergada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, porém, fora além da retina e não havia mais caminho a seguir. Ensaiou-se em passos novos, mas não se importou: no além-mundo em que habitava, nada importava – ela era completa por estar ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeceu, então, seu estado de graça rezando a um deus que no fundo era ela mesma. Orou-se por longos minutos e sentou-se de frente ao espelho de mãos dadas às próprias mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraçando-se por misericórdia própria, teve medo. Pediu-se em oração a coragem necessária para estar ali, só, em sua própria alma e enfrentou, solitária, a dor de existir apoiando-se em si mesma – ser completa exigia-lhe muito mais do que parecia suportar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como que num rito de iniciação, molhou seu rosto novamente em água corrente de torneira e batizou o vazio de plenitude e de amor próprio o que era deus. Orou-se em línguas outras o que nem pôde entender – e soube, então, que o não entendimento era benção edificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, por fim, de lembrar-se do mundo que a esperava, guardou em segredo sua alegria particular, que era a verdadeira. E, após um amém sussurrado a si mesma, trancafiou sua alma por detrás dos olhos negros e viveu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-8616484086023118996?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/8616484086023118996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=8616484086023118996' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8616484086023118996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8616484086023118996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/10/deus-por-thiago-terenzi.html' title='Deus - por Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SOrB7Tqn3GI/AAAAAAAAADA/38nZ84z5HWY/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-4371281973267293499</id><published>2008-10-02T16:29:00.001-03:00</published><updated>2008-10-02T16:29:50.721-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Quente e Profano - por Thiago Terenzi</title><content type='html'>Pois temos a vida – mas vivi tão pouco o que se pode chamar de vida que nem sei ao certo se vivi ou morri em sonho. É que há tempos não vivia a vida que é de se viver. E estou tão necessitado que peguei lápis e papel e escrevo enquanto o sol se brota. É que viver é tão intenso que me faz escrever.&lt;br /&gt; Fechei os olhos e respirei a vida dos mortais – e, há tempos, vivia eu uma vida que é além-humana. Vivia em completa plenitude estática, mas hoje, enfim, respirei o ar que é de se respirar e senti dor. E como é bom senti-la. Como é bom ser humano. Quero é o dinâmico.&lt;br /&gt; Foi tão bonito e tão doloroso... sei que não entendes, mas nem é necessário. É que às vezes a vida de mentira é mais real que a mentira em carne e osso. Viver do que é vivível nos faz melhor – e eu quero tanto que chega a doer. Quero o que me trás vida – vida esta que é de eufemismos.&lt;br /&gt; E que volte o cheiro de cigarro e o corpo em branco e preto; que volte a insegurança e a luz que cega a visão – que volte o mundo, pois preciso de fraquezas. Ser perfeito consome mais do que posso suportar – logo eu que mal suporto a dor.&lt;br /&gt; É que perfeição remete à limites – a perfeição é pequena. Não se pode ir além, pois chegaríamos, então, na imperfeição. E não quero os limites do que é perfeito. Não quero a mente limitada dos que fazem juízo de valor. Se pudesse, acho, seria amoral – a palavra é tão bonita, lembra amor. Quero é seguir uma ética interna que nem consigo racionalizar – e não racionaliza-la é o que a torna especial.&lt;br /&gt; E vivi, como dizia, da vida não-racional que sempre busquei e tive medo. E pude voltar a escrever. É uma espécie de medo-desejo que é combustível da alma. É uma humanidade que falta à luz dos olhos – quero, então, a luz dos olhos.&lt;br /&gt;  Mas, por favor, traga-me os olhos aos poucos – é que estou tão acostumado com a escuridão, que luz me cega.&lt;br /&gt; Torno-me, então, humano ao avesso – mas humano, por fim. Cego, mas por escolha para poder sentir-me mais. Torno-me, pois, um eu mesmo que nunca fui. E temo ser este o que sou de verdade.&lt;br /&gt; É que é da dor que me faço o que é existível. Renuncio à perfeição para ser-me eu mesmo. Sou é o vidro embaçado que não vê o exterior – quente e profano. Quero, então, o que há de mais quente e profano no corpo: a carne – pois alma já não me alimenta mais.&lt;br /&gt; Bebi do além-mundo e voltei. A perfeição me recalca – não a quero mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-4371281973267293499?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/4371281973267293499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=4371281973267293499' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4371281973267293499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4371281973267293499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/10/quente-e-profano-por-thiago-terenzi.html' title='Quente e Profano - por Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-8237436734218663444</id><published>2008-08-19T17:10:00.002-03:00</published><updated>2008-08-19T17:11:57.252-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Alegria Particular - por Thiago Terenzi</title><content type='html'>Inspiro. Espiro. Inspiro... Um ar que é só meu invade os alvéolos e adentra sabe-se lá onde do interior-infinito de mim: torno-me livre. E minha liberdade é tão abençoada que guardo-a em segredo. Ninguém sabe que sou livre, mas sou. Ninguém sabe tanta coisa, que sinto-me um importante fiel de um segredo ao vento. Rio, então, um sorriso qualquer de alegria particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A felicidade, por exemplo, me vem em gotas. Eu, que não sou bobo, guardo todas na palma da mão.  Alegro-me nas gotas pequenas – e essa alegria é maior que todas as outras. É que vem de dentro e é tão simples e curta e intensa e contida – é como o sorriso ácido de quando se lê Machado de Assis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Hoje, por exemplo, sorri de alegria instantânea – dessas que duram apenas milésimos de segundos – um sorriso quase sem motivo. É que é bom conseguir capturar o instante e congela-lo. É que alegria instantânea é tão rápida que só se torna alegre na lembrança. E eu ri por motivo bobo: porque decidi fazer desse texto algo estranho (adoro tudo o que me é estranho). É que tanto faz colocar o ponto final aqui ou nas próximas linhas – o que precisava ser dito já foi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estou sozinho em casa e a solidão me alegra os ouvidos. Todos se foram; eu fiquei. E estar só, às vezes, é experiência transcendental. É quase um louvor sabe-se lá a quem. É a felicidade inconseqüente – e é tão sublime que quase parece tristeza. Mas não é! descobri há pouco: não é!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pensam, os outros, sempre em opostos – abandonei esta idéia. E então descobri a não-tristeza que é alegria. Carrego agora lágrima e riso, juntos – e  os opostos se parecem tanto! Antônimos são na verdade sinônimos travestidos. E me diz, é alegria ou tristeza? Segredo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Porque o segredo me trás uma felicidade silenciosa sobre a qual não quero falar. Assumir a felicidade-instante é esgota-la. E tenho medo de perde-la (tenho medo de tanta coisa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tenho, inclusive, medo da liberdade – por isso me sou livre em segredo. Ela me é necessária – mas olhar para os lados e encarar o vento sem rédeas é difícil – exige uma responsabilidade para a qual não estou pronto. Às vezes finjo estar preso a alguma coisa assim como finjo uma tristeza inexistente só para ser-me mais completo. É tudo de mentira, mas às vezes esqueço que finjo e tenho medo de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Às vezes, enquanto inspiro e espiro, tenho medo de expirar-me a inspiração. São palavras tão parecidas e tão perigosas que nem sei se inspiro ou inspiro-me. É que me confundo nas palavras e não sei como usa-las. Como transcrever a felicidade muda que é tristeza abençoada? É tão particular que faço das palavras minha casa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-8237436734218663444?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/8237436734218663444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=8237436734218663444' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8237436734218663444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8237436734218663444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/08/alegria-particular-por-thiago-terenzi.html' title='Alegria Particular - por Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-4099273184225611661</id><published>2008-08-10T23:59:00.001-03:00</published><updated>2008-08-11T00:03:01.634-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>ENSAIO SOBRE O FIM – Por Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;img src="file:///C:/DOCUME%7E1/Thiago/CONFIG%7E1/Temp/moz-screenshot.jpg" alt="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Queria ter algo a falar – mas não, apenas sinto e não sei explicar o que. Por isso descrevo como se bastasse. Descrevo flashes perdidos, pois o que sinto não sei escrever.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Talvez tenha eu vivido a vida que é de se viver por muito tempo e me esquecido das letras. Não vejo nelas nada mais familiar – embora ainda me sejam necessárias. Me enrolo a cada frase mal feita e me perco na falta de o que dizer. Quer dizer, tenho tanto a falar que me dói o peito uma dor agonizante – mas como falar?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;Na verdade, sempre enganei a todos: nunca soube escrever. Falam sobre textos como uma mensagem a ser decodificada. Falam de gêneros, sintaxe e gramática. Falam de planejamento, início-meio-fim. Uma mensagem não decodificada, dizem, não cumpre seu papel – mas e eu? eu nunca quis ser entendido. Como ser se nem me entendo? Escrevo tosco e sem sentido apenas por necessidade. Mascaro-me por trás de próclises e mesóclises mal usadas e dizem que escrevo bem. Sou uma farsa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Escrevi para o jornal uma crônica vazia e editaram meus erros. Substituíram meus pronomes mal usados e minhas vírgulas em excesso: mataram minha alma. Sou ruim e quero ser ruim – quero todos os erros pois escrevo de olhos fechados o que há de mais verdadeiro &lt;st1:personname productid="em mim. Escrevo" st="on"&gt;em  mim. Escrevo&lt;/st1:personname&gt; da alma e a alma é errante.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas o que escrever? Sinto que não tenho muito a dizer. Escrevo projetando-me e quero ir-me além. Escrevo preocupado em fazer sentido e não há nada mais limitante. Quero ser-me por assim ser. Quero bastar-me.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Hoje fez calor e agora faz frio. A noite é bonita da janela – tem estrelas e é lua cheia. Mas isso não me basta. E quero bastar-me.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Fui feliz por viver a vida, mas senti falta do vazio e voltei. Acho que tenho medo de ser feliz. A felicidade é difícil. É para poucos – só quem experimentou pode dizer. Talvez eu goste de estar sozinho: ter demais é perigoso e não sou tão grande assim. Quero é ser pequeno.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A solidão é poética. É como o cigarro, que também carrega poesia. Ambos são tristes e a tristeza é cinza. O mundo diz que temos que ser felizes, mas eu não: carrego bem lá no fundo uma tristeza que levo em segredo. É bem lá no fundo, mas é o bastante. É que no fim das contas estamos todos sozinhos, mas fingimos o contrário.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É que no fim das contas estamos buscando algo que não sabemos o que. Meu palpite é que buscamos uma busca sem fim. Mas talvez não haja fim, os meios se justificam por si só.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sou o meio, mas ensaio um fim que nem sei se quero ter. Não há começos nem finais: há apenas o instante que deve ser cristalizado em palavras – mas, por favor, diz-me como.&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-4099273184225611661?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/4099273184225611661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=4099273184225611661' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4099273184225611661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4099273184225611661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/08/ensaio-sobre-o-fim-por-thiago-terenzi.html' title='ENSAIO SOBRE O FIM – Por Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-7289313453591049773</id><published>2008-08-04T23:36:00.004-03:00</published><updated>2009-08-23T22:28:49.330-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos do passado'/><title type='text'>Textos do passado [3]: "O Vazio Sem Nome"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://letrasemmusica.zip.net/images/vazio.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 476px; height: 356px;" src="http://letrasemmusica.zip.net/images/vazio.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.pixlog.us/users/s/a/sack_/bg/672ccd62a20b45de1d29961472053f0048971d3308fd2.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 204, 204);"&gt;Após algum tempo sem publicações, penso em postar o último texto da série de "coisas" que escrevi ao longo da vida. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 204, 204);"&gt;Segui, como talvez seja fácil perceber, uma ordem cronológica. "Espelho Seu", de 2004, "O Velho e o Espelho", de 2005 e agora um texto escrito em 2006, com 16 anos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 204, 204);"&gt;Não postarei textos de 2007, uma vez que o blog teve início nesse ano e basta alguns cliques para encontrar vários textos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 204, 204);"&gt;Quis criar neste blog um caminho - abandono, aqui, qualquer idéia de progresso - ligando todas as minhas fases através do que escrevi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 204, 204);"&gt;Faço isso por mim mesmo. Quero, talvez, descobrir-me em eus passados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;O VAZIO SEM NOME&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O pior é quando chega a noite. Fria e escura. Acendem-se, então, as lâmpadas artificiais. Mas elas não são de verdade, são amareladas e frias. É inevitável, assim, como se a própria noite convidasse, encarar-se no espelho. Este reflete não a nossa luz, mas sim uma luz qualquer, fria e escura.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Então, nos encaramos e olhamos diretamente para os nossos próprios olhos. Neste momento, percebemos que apesar de tudo o que fizemos, nada mudou. Nada muda. Nunca. Vivemos toda uma vida para no fim, tudo ser &lt;st1:personname productid="em v￣o. O" st="on"&gt;em vão. O&lt;/st1:personname&gt; fim é o mesmo para os que vivem e para os que, por ignorância, ou, talvez, pelo mais profundo sábio ideal, preferem não viver.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Talvez a falsa ilusão de que podemos mudar alguma coisa seja necessária para o ciclo da vida. Talvez nossas mentes não resistissem se soubessem que não existe, em nada, sentido. Teimamos em fazer tudo ter sentido. Teimamos em pensar que somos algo, sem ao menos saber o que é ser algo. Inventamos, então, os nossos “algos”, mas estes, de tão efêmeros, não sobrevivem ao fim. Pelo contrário, são descobertos por nós mesmos enquanto nos fitamos no espelho, numa noite fria e escura.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Teimamos, durante o curto momento lúcido que nos é oferecido, em fazer o que não somos capazes. Talvez como uma maneira – inútil, por assim dizer - de se evitar o fim. Cultuamos o belo fingindo não saber que, como um sonho bom, este sempre se extingue. Fingimos ser inteligentes e cultos sem saber que o ínfimo que sabemos terá fim assim como nós mesmos. Escrevemos livros ignorando o amarelar das páginas. Vivemos fingindo as verdades que nos fazem melhor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O ópio que usamos para evitar o vazio da falta de sentido nos remete a um vazio análogo, ao qual não somos capazes de dar nome. É impossível, talvez, nomear este vazio por sua falta de fronteiras, pois um nome sempre impõe limites ou classificações. E é impossível classificar o inclassificável. O vazio sem nome, talvez, seja a origem de todas as dores.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Talvez nosso cérebro esconda a verdade no abismo mais escuro de si mesmo para nos proteger. Talvez ele saiba que somos limitados ao ponto de não poder sentir dor, e é sabido que a verdade é a mãe causadora de todas as nossas dores. Dores estas que são fragmentadas em outras tantas de tamanhos pequenos, a fim de fazer da vida algo suportável. Nosso cérebro, como fiel guardião deste segredo, suicida-se dentro de nós mesmos, para que nunca possamos chegar à verdade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Há, confesso, os que desafiam a lei natural das coisas e, corajosamente, numa noite fria e escura, olham-se no espelho em busca da verdade. Estes, por ousarem buscar o que não lhes é de direito, são condenados à dor eterna. Enquanto vagam pelo negro caminho de suas próprias mentes, são obrigados a abandonar todos os pensamentos que lhes serviam de suporte e experimentam, então, andar por suas próprias pernas. Descobrem, assim, que o ser humano não é capaz de andar sozinho e se vêem jogados num lugar qualquer de uma rua desconhecida sem se ter para onde ir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Eu lhes digo que quase alcancei o caminho da verdade e confesso que senti, sobre meu rosto, o hálito do vazio sem nome. Cheguei aonde nenhum outro jamais chegou: no abismo da minha própria mente. Mas tive medo e frio, deitei na cama, enrolei-me sobre o travesseiro e dormi.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;  Thiago Rezende (um eu que já não existe), ??/??/2006&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-7289313453591049773?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/7289313453591049773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=7289313453591049773' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/7289313453591049773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/7289313453591049773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/08/textos-do-passado-3-o-vazio-sem-nome.html' title='Textos do passado [3]: &quot;O Vazio Sem Nome&quot;'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-4825399279667444441</id><published>2008-07-18T15:36:00.003-03:00</published><updated>2008-08-08T12:20:13.892-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos do passado'/><title type='text'>Textos do passado [2]: "O Velho e o Espelho"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_5ZjjL3CPyeI/Rfwibg-CifI/AAAAAAAAADY/zJAl6fkjgEU/s320/n%C3%B3s+e+o+espelho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_5ZjjL3CPyeI/Rfwibg-CifI/AAAAAAAAADY/zJAl6fkjgEU/s320/n%C3%B3s+e+o+espelho.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Continuando a série de postar textos escritos por um eu mais antigo, avanço um ano e publico, agora, um texto de 2005.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Curiosamente, este texto é um dos poucos que eu consigo rotular: parece um conto - ou, ao menos, tem personagens. Dois.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Não me reconheço nestes dois textos já postados. Não me reconheci aos 14 anos e nem agora aos 15. Mas acho, sobretudo, que nem me reconheço ainda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;O Velho e o Espelho&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Desde muito, a luz do sol não iluminava com a mesma intensidade aquele pequeno quarto. O homem lembrava da época em que a luz era constante. Fora antes dos prédios, ele sabia. Com os prédios, vieram os cinzas e a escuridão, e o sol nunca mais bateu à sua janela. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sem claridade, era difícil reconhecer, no quarto, traços de habitação. Parecia abandonado e só: tinha gosto de tristeza. Era vazio. Uma cama e um cobertor, apenas, identificavam o ambiente como sendo um quarto. Tinha, também, um espelho. Velho e trincado, pouco refletia. O homem evitava, sabe-se lá o porquê, encara-lo nos olhos, mas naquela tarde, em especial, ele o fez.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Era difícil enxergar algo. Teve, o homem, que cerrar os olhos e olhar atentamente. Viu o espelho, olhou-o nos olhos, e nos olhos, viu ele mesmo. Sua própria imagem encarando-o de forma vulgar. Era ele nos olhos do espelho, mas era um ele tão incomum...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Fitando&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a si mesmo, perplexo, o homem entendeu, como que se tivessem injetado a verdade em suas veias, a fugacidade da vida. Percebeu, então, que a vida, efêmera que era, o havia atropelado. Todos os anos e dias de sua vida, cada segundo que respirou, nada mais era que o prefácio de sua morte. Esta, bela e cruel, era análoga à vida, que nada mais servia senão à preparação para o nada eterno – este sim, o ator principal.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mesmo com a pouca luz, o homem se viu sem vida. Não se lembrava tão velho. Na última vez que se viu, não existiam as rugas nem os cabelos brancos. Enxergou, enfim, que seus traços de velhice não o tornavam sábio ou experiente, e nem tinham qualquer significação nobre. Eram apenas a prova de sua fraqueza mortal perante o tempo. Era a derrota estampada em sua face. Em sua própria face.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Tentou chorar, mas o choro havia secado. Parecia não existirem mais lágrimas, uma vez que nunca as havia usado. Percebeu que deveria ter chorado durante vários momentos de sua vida, e lembrou-se de tantas outras coisas que deveria ter feito. Sabia, ele, da necessidade de olhar-se no passado e lamentar-se pelo que nunca fez, uma vez que já não existia mais futuro, mas também sabia que mudar o passado não faria do seu futuro algo diferente. Não importavam as escolhas, no final, os caminhos sempre se juntavam num mesmo destino. Enfim havia entendido que tentar viver uma vida só sua era apenas uma utopia. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O homem, que nunca havia acreditado no destino, pôde, então, enfim nele crer. Mas não acreditava no destino religioso, escrito por Deus. Era um destino mais negro e simples. Talvez, pensava ele, fosse negro exatamente por ser simples: nascemos para morrer. Simples e nada nobre. Doía a alma saber disso, mas o espelho havia dito e o homem não poderia mais viver sem encarar a verdade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O sol se pôs e a pouca luz que iluminava o quarto se apagou. O homem deixou de olhar o espelho e adormeceu em sua cama. Viveu o resto de sua vida sem qualquer brilho maior e, então, morreu.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;  Thiago Rezende (um eu que já não existe mais), 29/07/2005&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-4825399279667444441?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/4825399279667444441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=4825399279667444441' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4825399279667444441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4825399279667444441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/07/textos-do-passado-2-o-velho-e-o-espelho.html' title='Textos do passado [2]: &quot;O Velho e o Espelho&quot;'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5ZjjL3CPyeI/Rfwibg-CifI/AAAAAAAAADY/zJAl6fkjgEU/s72-c/n%C3%B3s+e+o+espelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-2023163319025191841</id><published>2008-07-18T02:41:00.004-03:00</published><updated>2008-08-08T12:20:28.137-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos do passado'/><title type='text'>Textos do passado: "Espelho Seu"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.photoblog.be/carmen/images/001/248/1248078.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www.photoblog.be/carmen/images/001/248/1248078.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Munido da desculpa de reviver o passado - mas na verdade apenas maquiando a falta de inspiração (ou o medo de tê-la), resolvi buscar  pelo computador coisas que escrevi durante os anos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Acho que farei uma série rápida de seguidos posts sobre textos escritos há tempos. Este, por exemplo, cujo nome é "Espelho seu" e a foto ao lado curiosamente estava anexada junto ao seu título, foi escrito em 11 de fevereiro de 2004 (ou ao menos postada nesta data em um fotolog que nem tenho mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);"&gt;A qualidade deste texto - e provavelmente a dos que o seguirão - são questionáveis. Mas é curioso recordar o que se escreve aos 14 anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESPELHO SEU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da janela escura do meu quarto vejo o Sol nascer. Ele não é mais como antes: está menor, menos iluminado. Definitivamente não carrega mais, em seu intenso vermelho, a mesma poesia que um dia carregou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da janela escura do meu quarto observo o mundo e suas malditas belezas. Ouro dos tolos que um dia acreditei que poderia mudar. Mudar o mundo, mudar a vida declarando guerra aos inimigos sem saber ao certo onde quer chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da janela escura do meu quarto vejo o eterno espelho que volta no tempo teimoso em repetir o retrocesso romantismo dos heróis de toda uma geração.&lt;br /&gt;Da janela escura do meu quarto vejo os rebeldes cantarem. Líderes de uma ideologia romântica e de um discurso nato. Pobres homens que escondem de suas próprias mentes o pensamento soturno da fantasia do poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da janela escura do meu quarto vejo o Sol vencer as trevas num teatro impossível, ao menos possível aos anjos que teimam em exacerbar com tamanha facilidade o impossível aos pobres mortais que somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da janela escura do meu quarto compreendo a razão dos suicidas ao perderem a razão: anti-depressivos incapazes de drogar os sábios que os tomam à beira de perder o saber viajando num mundo ilusório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da janela escura do meu quarto sinto o cheiro da chuva urbana trazendo tristeza ao infeliz mundo, utopicamente feliz. De sorrisos plastificados; de bocas secas espelhadas em almas igualmente vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Da janela escura do meu quarto enxergo-me bem em vários eus passados, da ignorância sábia de não saber o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da janela escura do meu quarto enxergo o passado, vivo o presente e temo o futuro. Não nesta ordem e nem nestes tempos, afinal, estes se confundem na ignorância de todos os sábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da janela escura do meu quarto desabo buscando o passado das ruas lembaixo ou o futuro da incerteza da queda, certo de fugir do presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;Thiago Rezende (um eu que já não existe mais), 11/02/04&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-2023163319025191841?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/2023163319025191841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=2023163319025191841' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2023163319025191841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2023163319025191841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/07/textos-do-passado-espelho-seu.html' title='Textos do passado: &quot;Espelho Seu&quot;'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-3864208900215400174</id><published>2008-07-04T02:27:00.004-03:00</published><updated>2009-08-23T22:30:40.986-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>A Lágrima - Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.cadenaderadios.com.ar/foto/lagrima2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 367px;" src="http://www.cadenaderadios.com.ar/foto/lagrima2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#551A8B;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A LÁGRIMA – Thiago Terenzi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escondo o que há de melhor em mim. Perdoe-me, mas sou limitado demais para mostrar-me por inteiro. Preciso do olhar blasé e do sorriso plastificado. Preciso mostrar-me menor, pois tenho medo de existir por completo – perdoe-me. Escondo o que tenho de mais humano em mim.&lt;br /&gt;Pois livrei-me das crenças e das pasárgadas, mas restou-me a humanidade – nua em pêlo. Restou-me aquilo que me torna existível (e ao mesmo tempo torna o existir insuportável), mas tenho medo de mostrar-te. Tenho medo de gritar a plenos pulmões um grito sem significado e odeio este medo. Tira-me o medo e traz-me a coragem, pois preciso transcender. Faz-me ir além, por favor. Apego-me a ti, pois és o que resta. Sou pequeno e limitado demais. O que escrevo é muito mais do que sou – odeio ser algo além do que posso ser. Tenho medo e quero dormir, apenas, mas as palavras me saem pelos olhos e tenho que escreve-las – não se engane: eu não sou tão grande quanto as letras tortas que escrevo. Sou um embrião com frio a procura do útero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há tanta vida em algum lugar de mim que tenho medo de encontrar-me. Não sei se quero tornar-me o que sou de melhor. Não estou preparado. Sou pequeno demais para arriscar-me em vôos altos. Abraça-me e diga que está tudo bem. Mostra-me o que perdi aventurando-me no que não sou capaz. Traga de volta minhas pasárgadas, pois nunca estive preparado para perde-las. Não quero ir além. Viver dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero gritar. Amo a música, pois esta me dá desculpas para tal. Viu? sou tão pequeno que preciso de desculpas. Sou o menor entre os menores seres – justamente por ter algo de grandioso e não saber usar. Sou pequeno por ter, em meu peito, uma luz tão forte que trás medo. Não critiques-me, tu, por favor – és o que resta, traz-me conforto. Diga-me, tu, mentiras, pois tenho medo do que é verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de ser-me eu – apenas quem olhou meus olhos e capturou o instante nunca dito sabe do que digo. Mas não queira ser-me. Basta dizer-me o que peço a ti. És o que me resta e tenho medo de perder-te. Preciso que digas palavras mortas para da morte tirar meu existir. És necessário a mim... Não deixe de ler-me. Por favor... não sou tão nobre escritor, daqueles que escreve para satisfazer-se apenas. Escrevo, eu, pois preciso de ti. Mesmo que nunca saiba, eu, quem tu és. Preciso que me leias e traga-me o conforto materno enquanto busco em mim algo que faça sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não me critique. Estou fragilizado demais para críticas. Sei que és maior do que eu, mas diminua-te, por Deus, ao meu nível e diga os clichês necessários que imploro. Faz-me ser raso, pois a profundidade mata aos poucos – e quero morrer de morte rápida. Aos 27.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria dizer-te sem rodeios o que preciso que saibas. Mas sou pequeno demais para entender-me. Sou uma farsa e para fazer o que me é necessário, escondo-me por entre metáforas dostoiéviskianas, filosofias nietzscheanas e análises freudianas. Mas escrevo o que há de mais sincero em mim – escrevo à flor da pele e de olhos fechados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o que tenho de melhor:&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-3864208900215400174?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/3864208900215400174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=3864208900215400174' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3864208900215400174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3864208900215400174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/07/lgrima-thiago-terenzi.html' title='A Lágrima - Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-7468843410007038458</id><published>2008-06-30T02:38:00.004-03:00</published><updated>2009-08-23T22:32:55.701-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Além dos olhos negros - Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://galeria.wintech.com.pt/data/media/5/Eyes.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 1024px; height: 768px;" src="http://galeria.wintech.com.pt/data/media/5/Eyes.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.pixlog.us/users/s/a/sack_/bg/818a7657394ecdc811969a5a6f8d890e473664283937a.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu vi – juro que vi! Fitei muito além da alma e ouvi muito além do grave que se ouve. Ouça-me por favor, pois preciso ser ouvido. Ouça-me o que conto, pois falar-me a tu é tudo o que importa – é o que transforma tudo o que vi em algo especial. Preciso que digas que é especial, pois só assim será. E quero tanto que chega a doer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi – como estava dizendo, juro que vi! Vi além dos olhos negros que eram negros como o mais negro da alma. E assustei-me por ser capaz de ver além. Ah, como preciso contar-te o que vi. Por favor, ouça-me de olhos fechados, pois só a menção de ti contar faz-me os pêlos arrepiarem. Preciso tanto de ti neste momento – juro que não sabes o quanto. Pois o que vi é o que mais importa, mas só fará sentido se disser-me ser especial. Eu, por mim, sou palavra morta. Preciso de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que vejas o que vi – por Deus, ah... como quero. Quero que arrepie os pêlos como os meus estão agora arrepiados. Quero que compreendas o meu jeito tosco de escrever assim como eu me compreendo. Como queria levar-te a ver além dos olhos negros. Como queria mostrar-te ao menos os olhos – e poderia, mas não vou. Vou é descrever-te o que vi, mas não encontro palavras para tal... Seja-me por algum tempo e vejas por si mesmo! Por favor, mas não por muito tempo, pois há algo que jamais suportará ao ser-me. Nem ao menos eu mesmo suporto o fato de ser-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse, fitei os olhos negros e vi além. Como era belo e quente e iluminado e inocente e edificante e doce e estimulante o que vi. Queria dizer-te tantas outras coisas, mas não há como dizer. Decifra-me o que quero dizer e sintas por si mesmo. E diz-me que é especial ir além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dos olhos negros há o mundo das Idéias – mas ao avesso: não há verdade na essência. E é tão mais completo assim. Juro que sinto-me completo ao fechar os olhos e lembrar-me do que vi. (Quero que vejas também, mas não és capaz). Felicidade é uma palavra que limita o que senti: é pouco. Não tem a ver com a felicidade, tampouco lembra qualquer outro sentimento que já foi rotulado – acho que enfim senti algo que nenhum outro jamais sentiu: navego em mares que não foram navegados e não tenho medo, pois há só luz (e é tão escuro que queria mostrar-te). Como é difícil achar palavras para descrever um sentimento sem nome. Poderia, eu, criar qualquer neologismo, como alvitranscendência ou pluriteovidência – mas tenho medo de limitar o que senti com palavras. Tenho medo de perder-me ao tentar mostrar-te o que há de melhor em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejas, tu, por favor. E diz-me ser especial. Diz-me ser real o que vi – pois só assim será. Olhos negros. Noite morta. Pele macia. Tato. Cheiro de cigarro. Gosto de lágrima. Rosto blasé – diz-me ser tudo real, pois do que vivi até então, talvez nem tu sejas. (os pronomes que uso propositalmente em excesso para expulsar da minha alma o que há de exagero em mim não são reais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, como quero novamente ver além, mas meu tempo é findo. Julho se aproxima e o inverno é inimigo. Diz-me que não foi em vão e ficarei satisfeito com o que vi. Diz-me com palavras sinceras que encontrei enfim algo que é digno de ser encontrado e morrerei por estar completo – mas diz-me. Pois vi a inocência pura onde os olhos tornam-se negros. Vi a luz da essência e quero embriagar-me em seu clarão. Diz-me que posso amar a luz, por fim. Diz-me que no fim tornar-me-ei senhor do eu mesmo – mas diz-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-7468843410007038458?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/7468843410007038458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=7468843410007038458' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/7468843410007038458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/7468843410007038458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/06/alm-dos-olhos-negros-thiago-terenzi.html' title='Além dos olhos negros - Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-1776864792033680199</id><published>2008-06-23T03:13:00.003-03:00</published><updated>2009-08-23T22:34:17.738-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Psicografia - Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://nosnacontramao.zip.net/images/escrita.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 292px; height: 340px;" src="http://nosnacontramao.zip.net/images/escrita.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SF8_685EKbI/AAAAAAAAACA/HD4Gfs5Pyvg/s1600-h/nietzsche2.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;      &lt;/span&gt;E as palavras que são ditas. E os olhos que se fecham. E o instante que se edifica. E o corpo que se emudece. Tudo &lt;st1:personname productid="em ciclos. O" st="on"&gt;em  ciclos. O&lt;/st1:personname&gt; calor cede espaço ao frio – mas, por Deus, há calor sem frio? e se não houvesse, o que sentiríamos? Sinto que o sentir é meu, apenas. Não há mundo além dos meus olhos – é de dentro o frio que arrepia os pêlos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;E escrevo para entender o que há lá dentro. Frases soltas, sem sentido – não é mesmo para ter. A racionalidade me limita – logo eu que já sou tão limitado. Quero ir de olhos fechados, ouvir as teclas traduzirem o que há de escuro no mais escuro de mim. Escrevo para ser-me. Por necessidade, apenas. Não me leia – é pessoal. Não me entendo e não quero que entendam-me antes de mim. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Está tudo dito – tudo o que precisava ser. Mas ainda não me compreendo. Decifro-me e escrevo, mas não entendo. Ao menos não no instante congelado. Traga-me, tu, papel e lápis, pois há nisso a razão do existir – não escrevo por luxo ou para mostrar-me sabedor da língua – língua esta que uso ao avesso, num português particular. Escrevo-me para existir. Para&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;cumprir uma missão que nem sei qual é. Não há opção – existem demônios que habitam sabe-se lá onde de mim e tenho que psicografa-los. Tenho que externar o que há de exagero em mim – uma lágrima, talvez, bastaria, mas não sei se sei chorar. Escrevo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Nasci póstumo, confesso. Mas não tenho importância para a humanidade. Nasci póstumo de mim, apenas. Não me entendo, mas há algo a ser entendido. A posteridade não me entenderá, mas um eu posterior, talvez. Apego-me a esta esperança. E apego-me ao lápis já sem ponta (não acabe, por favor, és o que resta).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Há a música, também. Mas o que está para ser dito não se molda em melodias – há algo limitante em cada uma delas. Resta-me a prosa – mas as palavras são poucas e não há signos suficientes para traduzir os olhos que se fecham.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Escrevo em palavras simples, pois é tudo o que tenho. Mas há algo além delas. Olhe além do inteligível. Verás – prometo. Há um sopro da verdade no além-mar. Basta forçar a visão. Estou cego demais para enxergar além. Gasto o fôlego que resta desenhando letras – mas não entendo-as.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Há um sorriso. Lábios finos. Cheiro da madrugada. Corpo cheirando a cigarro. Rostos nus. Abraço. –&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mas nada disso importa! Descrevo o que há no mundo externo quando busco fazer sentido. Nada disso precisa ser dito. Não há verdade externa – e eu busco alguma verdade para apoiar o corpo cansado. Estás vendo? Não buscarei mais sentido. Não serei mais explícito, pois estarei mentindo. E, por Deus, ao menos agora em meu momento mais necessário – juro que não quero mentir. Não a você – és importante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Entendo agora o desespero e amor de Clarice por um leitor que nem conhecia. Juro – acredite em mim: este amor existe. Necessito, assim como ela, de você aqui, de mãos dadas. Nunca quis copia-la, mas juro que preciso de ti. Não é loucura – é que decifrar-me trás medo. E a lógica se perde e, então, preciso de ti. Preciso do lápis e do papel e da música e da literatura. Mas preciso de ti.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É que buscar o entendimento verdadeiro requer coragem. É preciso desapego. Não sei se estou preparado, mas é inevitável. Talvez sintas frio como eu. É possível que entendas o que não entendo – sempre fui arrogante demais para confessar-te minhas limitações. Mas tenho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Poderia, eu, confessar-te em uma linha o que queres ouvir. Mas seria simplista demais. Guarde, por mim, o que há nas entrelinhas, mas não me revele. Há, entre o id, o ego e o superego, coisas que não me quero entender.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-1776864792033680199?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/1776864792033680199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=1776864792033680199' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1776864792033680199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1776864792033680199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/06/psicografia-thiago-terenzi.html' title='Psicografia - Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-6463445234045244579</id><published>2008-06-09T15:36:00.001-03:00</published><updated>2008-08-08T12:23:00.199-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>SOBRE O TEMPO</title><content type='html'>SOBRE O TEMPO – por Thiago Terenzi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Ele, assim como Ana, prendeu o instante entre os dedos antes que ele nunca mais fosse seu – uma tentativa desesperada, confesso, de eternizar a gota viva do que restou. Com delicadeza, guardou-o como quem toca numa borboleta – frágil. A delicadeza carinhosa, porém, análoga ao amor materno, fundiu-se ao desejo bruto e desesperado de não deixar o instante fugir – esmagou-se, então, a gota da vida pelo desejo de eterniza-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O instante findo tornou-se lágrima não chorada.. Pobre Dele que, assim como Ana, acreditou controlar o incontrolável – e acreditar em vão faz doer. É sabido, pois, que, em vão, tenta-se agarrar o momento presente – mas o que restou do presente? Imagina-se o presente, mas o instante fora esmagado segundos atrás – o que sobrou do presente? Respondo: as sobras do que preferem, os outros, de olhos fechados, acreditar. Preferem, os outros, viver de olhos fechados, pois temem abri-lo e constatar que não existe luz. Acreditam numa luz que nunca viram – mas, por Deus, não foram os mesmos que esmagaram o instante? – não os culpo: também esmaguei, assim como Ana, o que me restou. É amor de mãe – e amor de mãe mata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Culpo o tempo – este sim é cruel (também sou humano e tenho a suja necessidade de achar culpados). Nem mesmo as mães são cruéis: o tempo é. Ele nos rouba o instante, que é tudo o que temos. Roubar-me o essencial é imperdoável. Os outros roubam vidas, riquezas e sorrisos – mas nada disso é necessário. O instante é – tantas coisas disse, em outros momentos, serem essenciais, mas agora estou convencido de que apenas o instante há de ser. Talvez nada seja essência, como disse Nietzsche, mas ainda me convenço em não ser um completo nietzscheano – tenho um lado romântico que me deixa respirar. A essência está no instante, mas esmagaram-no ao tentar protege-lo! A essência terá sido, então, esmagada? Mas e eu, que, assim como Ana e Ele, busco há tempos o que me é essencial? – busco, na verdade, o instante que passou, apenas – não me importa mais se no instante encontra-se a essência (mudo de idéia a cada letra, mas nunca soube mesmo o que pensar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato é que o instante se foi e estou sozinho. Todos os instantes se vão e nenhum me preenche – nenhum preenche Ana e nem Ele. Nos dão o instante, mas ele nunca é nosso. Aquilo que nos fazia respirar não mais o faz – descobrimos, então, a realidade: respiramos independente das coisas boas: eis o fim do romantismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis, também, o fim do sorriso. O sorriso que sorriu ficou no instante em que morreu. Tudo o que nos tornava seres completos nem mais existe. Estamos incompletos procurando algo que nos consuma. Porque o tempo, cruel, há de também nos consumir – mas isso, astuto, fará no fim. Quando não existir mais com o que nos torturar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-6463445234045244579?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/6463445234045244579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=6463445234045244579' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/6463445234045244579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/6463445234045244579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/06/sobre-o-tempo.html' title='SOBRE O TEMPO'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-4729119604890589429</id><published>2008-04-27T03:40:00.005-03:00</published><updated>2009-08-23T22:35:53.595-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>NINHIL – por Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://diariogauche.zip.net/images/plivraria9.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 235px;" src="http://diariogauche.zip.net/images/plivraria9.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SBQgQSY5RGI/AAAAAAAAABs/uU6CYDzfXl0/s1600-h/Imagem+253.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;NINHIL – por Thiago Terenzi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo de podre fez-se surgir – alguma verdade de que sabíamos, mas, como que para nos escondermos de nós mesmos, escondíamos do inexorável. Mas surgiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justo quando caminhava, eu, em busca de um nirvana particular tão pouco budista, porém, meu, apenas. Caminhava por caminhos singelos, por rostos finos, por corpos magros de certa inocência – embora fingida -, por ventos frescos e por pensamentos simplistas. Mas surgiu, como haveria eu, há tempos, auscultado, algo de podre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o dia fez-se noite e tive medo – embora nunca soube ao certo como é ter medo. As ruas tornaram-se escuras e, da Contorno, bêbado, não via muito além de imagens distorcidas da janela do meu carro. Meu carro corria, como se a velocidade fizesse tudo parecer pequeno – e, de fato, era. Tudo era fugaz na velocidade da luz – como se a proximidade da morte me fizesse vivo. O último sopro de vida, talvez. A última vontade viva que me fazia crer. O pé sobre o acelerador; a alma sobre a carne. A mão sobre o volante; o tato sobre a pele – o último sopro de vida antes do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E querer o fim não é o absurdo que dizem ser – escolher a hora do apagar das luzes é a maneira mais honrosa de se acabar. Eu dou meu próprio ponto final. É minha opção e, embora queiram me tirar o que me resta, resta o que ainda sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como que para me destruir por completo, o que ainda sou é tão podre quanto o que surgiu – o gosto amargo do sal que sinto hoje são os restos do que escarrei no passado. A lágrima que seca enquanto forço a visão, secou tempos antes num rosto qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pensar que os segundos eternizados em lágrimas cristalizadas não passam de mera reprodução do que se passou – e em pensar, também, que quando eu disse não ao ser humano, esqueci-me que também fazia parte desta espécie tão incomum. E que o podre e o nirvana estarão sempre em todos os lugares, e que talvez seja apenas questão de se olhar o mundo sob um prisma diferente – em pensar que o podre surgido sempre esteve presente, embora esquecido. Estava aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bastava, então, o não – mas ficou o silêncio, o que é ainda pior. O não é o mal definitivo, que, com o tempo, aprende-se a entender, mas o silêncio – o silêncio é a incerteza. É a esperança de um sim que nunca virá, e a esperança é a pior das virtudes dos homens. É a certeza de estar morrendo de uma morte inexistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que existe o carro e existe, também, a velocidade – e existe o álcool. É para tornar real o gosto amargo da morte inexistente. A possibilidade já é o bastante – crime é morrer do silêncio nihil da palavra não dita. (Diz-me tudo, por favor...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem-me, quando dizem, coisas que não ouço. Querem tirar-me com palavras e papelões a velocidade e a brincadeira de brincar de morrer – mas que, então, dêem-me em troca a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas queres-me, tu, brincando em outras brincadeiras. Que se fechem, então, as cortinas, pois cansei da máscara e quero embriagar-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-4729119604890589429?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/4729119604890589429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=4729119604890589429' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4729119604890589429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4729119604890589429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/04/ninhil-por-thiago-terenzi-algo-de-podre.html' title='NINHIL – por Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-6322424474169234286</id><published>2008-03-01T23:53:00.005-03:00</published><updated>2009-08-23T22:37:15.427-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Do que restou - Por Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://esconderijoinvisivel.files.wordpress.com/2008/10/sombras-thumb.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 252px; height: 336px;" src="http://esconderijoinvisivel.files.wordpress.com/2008/10/sombras-thumb.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/R8oXMvkurRI/AAAAAAAAABk/KOLccAUs8ds/s1600-h/2007-12-15-66524.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/R8oW8vkurQI/AAAAAAAAABc/9iimXotAOgQ/s1600-h/pix.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eles se foram, mas outros vieram. E os outros eram como os que se foram – percebi isso ao olhar o olhar disfarçado, fingindo ser o que não é: o mesmo olho negro, o mesmo sorriso plastificado, os mesmos traços finos, que se arrastam numa beleza andrógena de falsa-inocência. O corpo magro e insosso. Análogo aos que se foram.E tudo ressurge. Como o ouroboro que ilustra o eterno retorno nietzscheano. E tudo desaba. Como a eterna loucura nietzscheana.Logo agora que estava eu livre de mim – estava eu ensaiando os primeiros passos rumo à liberdade, que está logo ali - Vê? Estava tão perto - tão próximo do que me é verdadeiramente meu. Tão longe dos olhos alheios que censuram e destroem e tão próximo da luz que há tempos enxergo em sonho – de tão perto, fui capaz de sentir seu hálito fresco refrescar o meu. Mas voei por mares do além-mar e sei que não és capaz de ver tão longe. Foi erro meu, eu sei. Estava preparado para ir além – para explorar sorrisos de carne e osso e auscultar corações sem cicatrizes – mas não estas preparado. Não és livre de tudo o que é alheio. E eu quero a liberdade.Quanto aos que vieram, trouxeram o que há de pior: o amor. Pois o amor antes da liberdade, destrói – para amar é necessário estar além de si mesmo. E eu não estou. Estou livre de alma, mas não de corpo. Quero corpo e alma.Quanto ao que vi, apenas a silhueta magra, alta e os olhos pedindo ajuda. As mãos passeando trêmulas e o sussurro ao pé do ouvido. Estava escuro. Senti cheiros, mas não sei precisar de que. Senti gostos, mas não me atrevo a lembrar-me o sabor. Senti-me livre, mas foi enquanto a luz manteve-se apagada. Logo ascendeu.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-6322424474169234286?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/6322424474169234286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=6322424474169234286' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/6322424474169234286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/6322424474169234286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2008/03/do-que-restou-por-thiago-terenzi.html' title='Do que restou - Por Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-8607287265190423865</id><published>2007-12-27T03:39:00.001-02:00</published><updated>2008-08-08T12:24:18.060-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Homem Que Não Assistiu aos Fogos - Thiago Terenzi</title><content type='html'>O HOMEM QUE NÃO ASSISTIU AOS FOGOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Não. Ele não viu os fogos, nem ao menos travestiu-se em vestes alvas. Não fez brotar em seu peito a esperança costumeira da época e nem serviu-se do espumante guardado há muito em algum armário. Não sorriu, nem foi às ruas. Não fez sequer oferendas à Iemanjá ou Olokun – não morava em região costeira, nem tinha descendência negra aparente, sabia de orixás apenas o que conseguiu absorver de Jorge Amado. Não faria oferenda alguma, definitivamente. Mas nem pulou sete ondas, nem deu-se a first-footing, nem cantou “Auld Lang Syne”. Não tinha supertições. Nem ao menos tinha talões de cheques para ter que se acostumar com a mudança na grafia do ano – era indiferente.&lt;br /&gt;           Ficou em casa e, de lá, nem ouviu as pessoas gritando nas ruas ou viu pelas janelas o céu iluminado pelos fogos, como num filme em tecnicolor – adormeceu antes. Na mais completa serenidade.&lt;br /&gt;           Talvez porque este mesmo homem estivesse acostumado com a perda – sim, porque o ano que morria, jamais poderia voltar. Era um companheiro que dizia adeus após centenas de dias de convivência. E o homem era frio ao ponto de não retribuir o adeus.&lt;br /&gt;           Também estava acostumado ao novo. Não tinha a necessidade de saudar o ano que vinha e, com olhos curiosos, analisa-lo como quem fita uma mercadoria a venda. Era suficientemente velho para prever os vícios retrógrados que o novo sempre apresenta.&lt;br /&gt;           Não apresentava, o homem, claro, em parte alguma de sua alma, resquícios de esperança – dessas que todos têm, de que a passagem de ano representasse um novo começo. Uma nova chance de se acertar o que todos sempre erram. – Ele não! Errava com a leveza de saber que não se pode acertar. Não existia recomeço. Apenas o eterno retorno nietzscheano para os mesmos erros.&lt;br /&gt;           E quem erra é muito mais livre – pensava ele. Errando, ele transcendia a si próprio. Preferia não rotular fins ou começos. Tudo estava em movimento circular, como um Ouroboro. Não havia o que comemorar.&lt;br /&gt;           Quando era criança, ele via os adultos preparando-se para o ano que viria e contando segundos para a sua chegada. Sempre imaginou que algo de espetacular aconteceria. Cresceu e desistiu de esperar.&lt;br /&gt;           Neste ano, apenas durmiu enquanto o mundo dava boas-vindas a sabe-se lá o quê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-8607287265190423865?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/8607287265190423865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=8607287265190423865' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8607287265190423865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8607287265190423865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2007/12/o-homem-que-no-assistiu-aos-fogos.html' title='O Homem Que Não Assistiu aos Fogos - Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-7837343355718796232</id><published>2007-12-08T12:35:00.001-02:00</published><updated>2008-08-08T12:24:36.829-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>As Palavras - Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;p&gt;            Ouve-se apenas o barulho do lápis sobre o papel. Nada mais. Talvez porque nada mais é preciso – temos o lápis sobre o papel. O som é chiado, manso, descontínuo. Decerto, nada mais é necessário.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;           Porque temos o papel e temos as palavras – que são momentos aspergidos do que nos restou. Que são as gotas do elixir que ainda temos. E tenho sede: bebo tudo. Tudo mesmo. Como se as palavras fossem a minha arma contra o mundo: contra eu mesmo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;           Com ela, sou imperador – tirano, claro. Sou absoluto em meu poder. Onisciente. Onipotente. &lt;em&gt;Ego Omnia Vincit&lt;/em&gt;. Com ela, torno-me o que sou no mais profano de mim. Porque a alma não está em nosso interior – está nas palavras. A alma está na alma.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;           Ouvi um dia, em devaneio, decerto, dizerem-me, os outros, o que amar. Acreditei – por não ter em que acreditar – e amei – por não ter o que amar. Hoje, vivido de mim, não acredito, tampouco amo. Transcendo o ter por não ter e tenho apenas o que é meu: a palavra.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;           O corpo envelhece, os cabelos embranquecem, nossos sonhos apodrecem, mas as palavras – essas são eternas. Nossas almas são eternas. Mesmo que a eternidade não dure mais que um beijo roubado. Porque o tempo é uma medida por demais gélida para ser capaz de medir e eternidade da palavra: Duas letras são capazes de mudar o mundo – quatro são as necessárias para parar o próprio tempo. Mais que isso e o universo se expandiria ao tamanho de um ponto final. Fim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;           Voltando ao inicio, ouve-se o barulho do lápis sobre o papel. Do ranger do grafite sobre a superfície, nascem as letras, como um parto, nove meses depois da criação. Cria-se a palavra e cria-se, depois, o criador – sim, pois tudo nasceu da palavra, inclusive as letras, que antes de serem letras, eram palavras em busca de algo maior. Porque, às vezes, é preciso ser menor para crescer. E crescer exige a coragem de renegar a própria coragem. É pelo bem maior: é pelo bem da palavra.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-eed8524c45499eb1" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v11.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Deed8524c45499eb1%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1329857735%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D2E9F318AE6A61888F005C06CA2154F8502DD5B4.1F484AEE4760BCE01EC1BA8216DD186673BD5759%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Deed8524c45499eb1%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DaFcElLNQdHF_iFgxHLCr1W61eCo&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v11.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Deed8524c45499eb1%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1329857735%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D2E9F318AE6A61888F005C06CA2154F8502DD5B4.1F484AEE4760BCE01EC1BA8216DD186673BD5759%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Deed8524c45499eb1%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DaFcElLNQdHF_iFgxHLCr1W61eCo&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-7837343355718796232?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=eed8524c45499eb1&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/7837343355718796232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=7837343355718796232' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/7837343355718796232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/7837343355718796232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2007/12/as-palavras-thiago-terenzi.html' title='As Palavras - Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-2300893262700164813</id><published>2007-11-09T16:14:00.004-02:00</published><updated>2009-08-23T22:25:34.119-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>O Filme - Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/RzSjvJQwU1I/AAAAAAAAAA0/G4wH1S-6pfg/s1600-h/2007-09-22-02789.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5130905905817211730" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://babylonia.blogs.sapo.pt/arquivo/Filme.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;O Filme&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só você e ela naquele cinema. Claro, dezenas de pessoas estão ali assistindo ao mesmo filme, mas na sua mente, existem apenas vocês dois. O filme? Você nem sabe qual é: sua mente voa longe, por lugares que você nem sabe quais são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As luzes se apagam, o filme começa e seu coração bate mais rápido. A pipoca, ambos dividem - ela fica no meio e é a única separação entre vocês. Você come rápido, é uma maneira desesperada de achar utilidade para as agitadas mãos. Sem graça, finge prestar atenção ao filme, mas seus olhos vão além da tela do cinema e você escuta o seu próprio batimento cardíaco acelerar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discretamente, você se move arredando o corpo mais próximo ao da garota; o movimento é imperceptível, mas você se sente um idiota ao fazê-lo de forma tão grosseira. Sua perna, então, encontra a dela por alguns segundos. Não é apenas um esbarrão, é também o primeiro contato físico entre vocês. Parece besta, mas aquele simples toque despertou-lhe milhares de sensações até então inéditas em seu corpo. O suor frio toma conta de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você se acha tão besta e tão feliz. É como se estes dois estados de ser fossem causa e conseqüência: ser feliz é a conseqüência de ser besta – não a bestialidade pejorativa, essa você não tem, mas sim a bestialidade inocente, aquela que te faz rir nas menores coisas. Ah, você adora esta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você também sente seu corpo liberar adrenalina incessantemente. Você mal sabe, na verdade, descrever o que sente, mas é bom: uma mistura de medo e êxtase. Ela é apenas uma garota concentrada num filme qualquer. Como é capaz de causar tudo isso? Pouco importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme já vai caminhando para o seu desenrolar final e você começa a ficar impaciente. Todos parecem olhar hipnotizados para a tela do filme, mas seus olhos não conseguem. A pipoca já acabou e seu corpo está quase colado ao dela. Você olha para ela, mas ela parece estar compenetrada no filme... Apenas parece! No fundo, assim como você, a mente dela viaja por vários mundos. “Ela também quer”, conclui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você continua olhando para ela e sabe que ela já percebeu, apesar de fingir o contrário. O filme está acabando e o seu tempo também. Com o coração acelerado, você enche o peito de ar e sussurra – há minutos vinha, mentalmente, ensaiando o que falar, mas no fim, incapaz de repetir o ensaio, sussurra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê? – Ela responde sem tirar o olhar da tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não diz nada, apenas sorri enquanto fecha os olhos. Você também sorri: já sabe o que fazer.&lt;br /&gt;Lentamente, você aproxima seu rosto ao dela beijando-a. É um beijo desajeitado, meio sem querer. Mas já basta, é o beijo mais sincero da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o mais longo, também! O filme já acabou, as pessoas começam a deixar o cinema, mas você continua beijando-a, aproveitando cada segundo do dia mais feliz da sua vida. Foi um filme incrível! Qual era mesmo o nome?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-2300893262700164813?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/2300893262700164813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=2300893262700164813' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2300893262700164813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2300893262700164813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2007/11/o-filme-thiago-terenzi.html' title='O Filme - Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-421704317094742289</id><published>2007-10-29T16:59:00.001-02:00</published><updated>2008-08-08T12:25:27.231-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>O Indiferente - Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era um jovem: vinte e poucos anos, talvez trinta. Talvez tivesse mais, mas os anos haviam sido generosos à sua pele. Pele clara, lisa, jovem; cabelo negro, fino, cedoso. – Mas os olhos tinham mil anos. Tinham a idade de Cristo ou a do mais velho sábio – tinham, com certeza, assistido à criação do mundo (ou à criação de o que criou o mundo), haviam, intactos, sobrevivido à explosão inicial e, indiferentes a tudo, visto as moléculas e os átomos friamente, como que encenando uma equação já escrita, dizerem sim uns aos outros.&lt;br /&gt;Eram duros, frios e velhos, os olhos. Encara-los era como encarar a verdade, e não se pode encarar a verdade – é fato – assim como não se podia encará-los de frente. Não se podia saber da verdade mesmo a verdade estando ao lado: bem nos olhos do garoto-menino. Dizem que os que fitavam seus olhos, enlouqueciam. Loucos por saber demais.&lt;br /&gt;Mas seus olhos – como disse – refletiam a sua mente, que refletia a sua alma – que não refletia mais nada, posto que estava imersa sob a escuridão. E sua alma estava banhada sobre a verdade acumulada desde o momento inicial do existir. Era negra, morna, insossa. Nem triste nem alegre – temo não conhecer palavra alguma que descreva sua alma, então, apego-me a metáforas doistoiéviskianas: era uma alma do subsolo.&lt;br /&gt;Não era, claro, vazia por temer se dar ao mundo – pelo contrário: temo dizer que o vazio se deu ao se dar demais à vida. A alma que se refletia nos olhos do garoto era repleta de vida e de sentimentos e de alegrias e de angústias e de cores e de sons.&lt;br /&gt;Só que de tanto se sentir, sentiu-se nada. É como a dor, que em pouca dosagem, dói, e em dosagem extrema, anestesia-se.&lt;br /&gt;Eram olhos anestesiados, então. Uma alma blindada. Tudo por saber demais.&lt;br /&gt;Não era culpa do jovem garoto a alma que haviam lhe dado. Ele poderia ser mais um ignorante em meio a tantos: mais um que vive e morre sem saber da verdade desnecessária – a verdade que faz morrer ainda em vida. Ele poderia ser feliz por simplesmente ouvir que aquilo o que vivia era a felicidade. Não lhe era necessário receber uma alma tão velha e tão vivida. Ele poderia ser feliz por não ser triste, poderia se apegar à ideologias e crenças. Poderia, quem sabe, até embriagar-se – se, é claro, além da alma jovem, fosse lhe dado um fígado mais resistente.&lt;br /&gt;Mas não. Na antítese eterna divina, fez-se surgir olhos milenares num corpo infantil. Bastou o telefonema que não veio. Bastou o sorriso que não sorriu – o projeto que não se projetou – e tudo se fez.&lt;br /&gt;Na primeira dor, o choro não chorou e, então, a dor morreu. E na morte da dor surgiu a indiferença. E então nossa estória começa - e termina. Sim, porque não existe enredo. Só se pode contar o pré e o pós. O durante não se sabe. Na verdade, nem aconteceu... O chorou não chorou, pôs-se a indiferença e... Nada aconteceu.&lt;br /&gt;Sabe-se apenas dos olhos que refletem a alma que não reflete nada e que nem pode ser encarada.&lt;br /&gt;Sabe-se do choro que não chorou e de tudo o que não se foi. E, então, quando não se foi, não se importou mais saber. Era tudo indiferente. Era apenas um garoto com olhos milenares – olhos que nem lhe pertenciam. Mas não importava mais saber a quem pertencia a sua alma. Era tudo indiferente.&lt;br /&gt;Era indiferente, então, o telefone tocar e o sorriso sorrir. Só como ilustração desimportante, digo que o telefone nunca mais tocou e o sorriso nunca mais se fez. Mas nem fazia falta. Era tudo indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tudo indiferente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/RyYuAtCgoxI/AAAAAAAAAAs/L5vao2wHZm0/s1600-h/pix.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5126835815432889106" style="" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/RyYuAtCgoxI/AAAAAAAAAAs/L5vao2wHZm0/s320/pix.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-421704317094742289?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/421704317094742289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=421704317094742289' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/421704317094742289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/421704317094742289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2007/10/o-indiferente-thiago-terenzi.html' title='O Indiferente - Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/RyYuAtCgoxI/AAAAAAAAAAs/L5vao2wHZm0/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-2513925282662424078</id><published>2007-10-26T22:41:00.002-02:00</published><updated>2009-08-23T22:23:40.989-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Leão e a Raposa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/RyKJjdCgowI/AAAAAAAAAAk/bG97WKGtKx8/s1600-h/pix.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125810568084628226" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://www.caminha.org.br/images/conteudo/%7BACAB138C-8634-4774-AB43-F4FD2031A766%7D_asnoraposaleao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;            Existe uma antiga lenda que conta que, há tempos – antes mesmo que o próprio tempo pudesse ser medido -, todos os animais viviam em completa igualdade de direitos, tal como, milênios depois, Marx idealizaria.&lt;br /&gt;         Eles logravam igualmente dos benefícios da floresta e, também, arcavam com as responsabilidades sociais exigidas. A igualdade era como um extinto coletivo. Leis não eram necessárias.&lt;br /&gt;         Era comum, por exemplo, encontrar todos os tipos de espécie compartilhando e, coletivamente, usufruindo da lagoa de águas límpidas, que ficava bem no centro da floresta: era uma lagoa enorme, cujas margens se perdiam no horizonte. E, de tão grande, era, em proporcional grandeza, bonita. Lindíssima. Era comum estar cercada por animais: Enquanto zebras desfrutavam da água potável de suas margens e aves ensaiavam, com majestosa perfeição, acrobacias aéreas por sobre as águas, hipopótamos banhavam-se e refrescavam-se na lagoa, livres que qualquer preocupação maior.&lt;br /&gt;         Quando nossa história começa, porém, a lagoa de águas límpidas estava deserta, exceto por dois animais que bebiam água em silêncio. Um parecia não reparar na presença do outro.&lt;br /&gt;         De um lado, o leão, figura imponente, dono de um andar gracioso e um olhar altivo, matava sua sede sem pressa, numa pose majestosa; Do outro, uma raposa, não tão imponente, à primeira vista, quanto o leão, mas dona de um semblante intelectualizado e, ao mesmo tempo, despreocupado, bebia água distraída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         - Não gosto que raposas bebam da mesma água que eu – murmurou o leão quebrando o silêncio.&lt;br /&gt;         - Desculpe, não entendi.&lt;br /&gt;         - Quando eu estiver bebendo água, raposa, eu quero ficar sozinho – disse novamente o leão, dessa vez num tom enérgico e provocativo.&lt;br /&gt;         - Creio que a lagoa seja grande o suficiente para nós dois – respondeu a raposa num sorriso plastificado.&lt;br /&gt;         - Você não entendeu. – O leão parou de beber a água e fixou seu olhar no animal ao lado – Não importa o tamanho da lagoa. Enquanto eu estiver bebendo água, ela é minha.&lt;br /&gt;         A raposa encarou o leão com um olhar blasé, e, então, respondeu:            - Por mais que você deseje isso, leão tolo, a lagoa continua sendo de todos os animais.&lt;br /&gt;         - Quem disse?            - Não precisa que digam, oras – respondeu a raposa confusa – desde que nascemos, sabemos disso: é o equilíbrio animal.&lt;br /&gt;         - Pois então, a partir de hoje, afirmo o contrário. – O leão, então, fitou a raposa com um olhar ameaçador – Afirmo que os leões têm mais direitos que as outras espécies.&lt;br /&gt;         A raposa assustou-se. Nunca ninguém havia sido tão insolente.&lt;br /&gt;         - Como é capaz de proferir tal heresia? Insolente!                 &lt;br /&gt;         - Escreva o que lhe digo, pequena raposa, - o leão parecia se divertir com o espanto do animal – a partir de hoje, os leões controlarão o reino animal.&lt;br /&gt;         - Suponho que seus devaneios naveguem por mares distantes da realidade – zombou a raposa – desde que o mundo é mundo, a igualdade de direitos é preservada, e assim tem dado certo. Assim será!&lt;br /&gt;         - Tudo tem um fim, pequena raposa, e a igualdade está ficando antiquada demais para os tempos modernos em que vivemos. Precisamos prosperar, precisamos evoluir.&lt;br /&gt;         - Temo que tenhamos conceitos diferentes de o que seria evoluir – respondeu a raposa num tom sério. – Além do mais, você é apenas um leão com sonhos de poder, nada mais que um ditador em potencial. Você pode dizer o que quiser, mas enquanto os outros animais do mundo desejarem a igualdade, assim será!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         A raposa foi embora sem olhar para trás e o leão continuou pensativo nas margens da lagoa. Ele sabia que, realmente, enquanto não conseguisse o apoio dos outros animais, seu sonho de poder continuaria sendo apenas um sonho. Era difícil ter que admitir, mas, nesse ponto, a raposa tinha razão.&lt;br /&gt;         Sem, porém, deixar-se abater, o leão teve um plano: pediu ao macaco, porta-voz do mundo animal, que convocasse uma assembléia para crepúsculo do dia seguinte, nas margens daquela lagoa. A assembléia contaria com a presença de todos os animais. Assim foi feito.&lt;br /&gt;         No dia seguinte, tão logo o sol começou a ceder lugar às trevas, os animais começaram a chegar e acomodaram-se sobre o gramado próximo à lagoa. Eram tantos animais que era difícil imaginar que todos podiam habitar a mesma floresta. Era uma mistura de cores e tamanhos tão incríveis, que, se não fosse caótico, seria belo.&lt;br /&gt;         Quando todos já haviam se acomodado, o leão surgiu em um ponto em que poderia ser visto por todos – fez questão, também, de, por escárnio, ficar próximo à raposa – e, num sorriso radiante, saldou a todos:&lt;br /&gt;         - Meus queridos animais, muito obrigado por comparecerem a esta convocação. Peço sinceras desculpas por roubar um pouco de suas atenções, mas prometo que o que tenho a dizer é de extrema relevância.&lt;br /&gt;         Todos os animais continuaram em silêncio. A raposa, porém, demonstrava sinais de completa desaprovação.&lt;br /&gt;         - Todos sabem que a igualdade entre as espécies é cultuada desde os primórdios da vida animal – continuou o leão – É óbvio que temos que reconhecer que ela foi a responsável por garantir a sobrevivência de nossos ancestrais em tempos difíceis. Se não fosse o respeito mútuo pela vida, grande parte de nós não teríamos sobrevivido aos grandes terremotos e atividades vulcânicas que abalaram a Terra quando esta ainda estava em formação. Hoje, porém, felizmente, estamos em paz e a natureza nos presenteia com belos lagos, ao invés de nos reservar vulcões. Vos digo: A igualdade, importante em tempos remotos, já não é necessária nos dias de hoje. E digo mais: já está obsoleta!&lt;br /&gt;         Ouviram-se murmúrios por todos os lados. Todos os animais pareciam surpresos, e a raposa esboçou um sorriso. Quando o leão retomou a fala, porém, todos voltaram ao silêncio.&lt;br /&gt;         - Ora, meus queridos animais, por que o espanto? Nunca repararam que jamais fomos iguais? Nunca tiveram o desejo de mostrar suas habilidades, mas foram contidos por serem fadados à igualdade? Aposto que muitos de vocês têm habilidades incríveis. Muitos têm aptidão para a caça, mas são impedidos de caçar por não poderem se alimentar de outras espécies animais. Muitos desejam muito e têm que se contentar com quase nada. Muitos passam fome por ter que dividir o alimento com os outros, e se continuar assim, em pouco tempo, todos morrerão de fome – sim, somos muitos animais para pouca comida! Proponho, então, um conjunto de novas leis que irão reger o mundo animal de agora em diante, este conjunto será conhecido como as Leis da Natureza. Iremos trocar a igualdade pela felicidade!&lt;br /&gt;         E, então, todos os animais aplaudiram e berraram em uníssono. A felicidade tomou conta de todos. Apenas a raposa parecia assustada com a reação dos animais.    Todos aplaudiram, embora poucos pareciam realmente querer ler o cartaz afixado sobre uma grande árvore com o seguinte escrito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LEIS DA NATUREZA&lt;br /&gt;1 – Todas os animais têm o direito de exercer os hábitos naturais de sua espécie, sejam alimentares ou comportamentais;&lt;br /&gt;2 – Sobreviverá o mais forte, afim de que construamos um mundo de animais saudáveis e resistentes;&lt;br /&gt;3 – Os leões supervisionarão o funcionamento do sistema, podendo intervir em quaisquer aspectos quando se fizer necessário sem quaisquer restrições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raposa, taciturna, parecia desolada em meio a tanta euforia. Apenas ela parecia prever o caos que o novo sistema implementaria. O leão, com ar de deboche, se aproximou da raposa e, em meio a risos, disse:            - Raposa tola, você, que se faz de inteligente, parece não perceber a lógica dos animais. São todos hedonistas! Basta oferecer o pecado maquiado em alguma ideologia barata, que eles lhe chamarão de rei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-2513925282662424078?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/2513925282662424078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=2513925282662424078' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2513925282662424078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2513925282662424078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2007/10/o-leo-e-raposa.html' title='O Leão e a Raposa'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-3182748926412204394</id><published>2007-10-20T10:13:00.001-02:00</published><updated>2008-08-08T12:26:04.901-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Os Sentidos - Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/RxnxMk7VVlI/AAAAAAAAAAc/0KH3FpzrRKk/s1600-h/pix.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123391249483912786" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/RxnxMk7VVlI/AAAAAAAAAAc/0KH3FpzrRKk/s320/pix.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;     Estou procurando, estou procurando. Estou tentando te entender. Estou tentando tirar de você o que vivi, mas nem ao menos sei o que vivi.&lt;br /&gt;Percebo, agora, a falta do que perceber. Como se tivessem injetado em mim uma droga qualquer como, quem sabe, o líquido esbranquiçado e insosso da barata que Clarice descrevera em sua paixão. Mas, dessa vez, causando efeito contrário: vou do nada ao tudo – abandono minha crença da falta do em que crer e vou direto ao mundo, de corpo e alma, ou, talvez, de alma, apenas.&lt;br /&gt;    Mas é tudo tão novo, é tão colorido. Percebo demais o mundo e isso me causa espanto. Não, não estou preparado para viver – era tão mais fácil viver dentro de mim. Estava, eu, protegido no útero de minha mente. Mas acho que cresci demais. Cresci e não quero crescer. As cores me assustam e os sons psicodélicos me ensurdecem – Preferia tudo cinza. Era mais fácil.&lt;br /&gt;Era mais fácil estar imune ao mundo em minha bolha protetora. Era tão mais simples não sentir dor ou alegria. Prefiro o ópio à serotonina. Prefiro não sentir, como uma maneira de me proteger.&lt;br /&gt;    Mas agora não – agora sinto, e sentir é perigoso. As luzes me cegam e os sons me ensurdecem. Sinto tantos corpos me abraçando que me sinto sozinho. Tateio o escuro, mas não existe o escuro: é tudo claro. E isso me assusta. Meus olhos não estão prontos para enxergar e mesmo assim enxergo – e é só luz.&lt;br /&gt;    A luz mostra a realidade – mas não! Não! Por favor, não! – Não estou pronto para a realidade, não agora. Não agora que estava tudo tão bem. Bem exatamente por não estar mal. E tenho medo de tudo ficar mal, tenho medo da realidade ser má. Não, definitivamente não estou pronto para o mal. E se, para ser feliz, for preciso arriscar-se à tristeza – prefiro o ópio.&lt;br /&gt;    Está frio, mas agora está calor – preferia quando era morno. E, em meio ao calor, tento te entender. Mas para que entender? Todos sabem que não quero entender nada. Nem, ao menos, me entendendo, e sei que jamais conseguirei. Talvez o fato de eu sentir tenha me feito querer entender – Mas eu não quero querer entender! Quero é o nada! Todos sabem disso e eu nem sei quem são todos – agora quero saber quem são todos.&lt;br /&gt;    Eu não quero, já disse, querer nada, e é tão simples isso. Quero um abraço, mas sinto tantos ao mesmo tempo que não sinto nenhum. Perdi-me em meio ao mar e agora já tenho fraquezas! Viu? Quero um abraço – e isso é a maior das fraquezas. Já sinto dor – e está doendo. Quero voltar a ser forte, mas o fato de querer já me faz ser fraco.&lt;br /&gt;    O que mais me assusta, confesso, é querer entender. E, por mais assombro que me causa, entendo o que digo! – A vida não me é, e eu entendo o que digo. E, então, odeio.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-3182748926412204394?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/3182748926412204394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=3182748926412204394' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3182748926412204394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3182748926412204394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2007/10/os-sentidos-thiago-terenzi.html' title='Os Sentidos - Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/RxnxMk7VVlI/AAAAAAAAAAc/0KH3FpzrRKk/s72-c/pix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-8713070674036476992</id><published>2007-10-18T21:31:00.001-02:00</published><updated>2008-08-08T12:27:00.774-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre a alma'/><title type='text'>Amo - Thiago Terenzi</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/RxftXk7VVkI/AAAAAAAAAAQ/abeL8vZjkFE/s1600-h/gata.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5122824090462541378" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/RxftXk7VVkI/AAAAAAAAAAQ/abeL8vZjkFE/s320/gata.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;           Amo. Não sei ao certo o que ou quem, mas disso tenho certeza: amo. Amo, talvez, o segundo que passou, o sorriso que se foi, a dor que nunca mais senti. Amo aquela rua escura entre as tantas da Savassi, aquela que de tão deserta sentia-me completo - amo o que ela foi, não o que ela é. Prefiro o pretérito ao presente. Prefiro a lembrança, por, simplesmente, poder lembrar: é bom moldar o mundo à minha maneira.&lt;br /&gt;           Algo, dizem, temos que amar – então eu amo! Amo por ter que amar, talvez. Para tudo, há motivos. Criei os meus. O amor é o motivo do próprio amor. Mas ainda falta o que amar, então criei: amo o próprio amor. Mas o que ama o amor tem, também, que algo amar. Então criei: amo o mundo, mas não este em que vivemos – não sou insensível ao ponto. Amo o mundo que habita em minha mente – o mundo só meu.&lt;br /&gt;           É por isso que amo o pretérito. Todo pretérito é mais que perfeito, porque o pretérito é só meu. E tudo o que é meu é perfeito, mas só o que é meu de verdade. - O abismo negro da minha própria mente, este não é meu. No mais puro cinismo, desfiz-me dele como uma mãe que entrega seu filho à própria sorte.&lt;br /&gt;           Sem querer me perder por devaneios, volto ao ponto em que parei: amo o passado simplesmente por ser passado. O imperfeito que passou se transforma, como mágica, em perfeição. – Porque, sim, não tenho escrúpulos em distorcer a realidade. O passado é meu, e do que é meu, faço o que quiser. Faço dele perfeição, e da perfeição, o meu abrigo.&lt;br /&gt;           Sim, meu olhar blasé disfarça, mas os cegos apressados que passam, agora, pela rua, já perceberam: eu também preciso de abrigo.&lt;br /&gt;           Mas meu abrigo é diferente. Sou eu mesmo. É o passado que se transforma em perfeição que se transforma em amor. É o amor que sinto pelo mundo que eu mesmo criei que me faz de abrigo. Abrigo-me no mundo da minha mente, pois nele dito as regras. E como já disse, não sou dotado de escrúpulos, sou um ditador totalitário do meu próprio mundo: as regras são feitas para me proteger. Somente a mim.&lt;br /&gt;           Acho que o amor, então, tem por objetivo a proteção. Amamos para não morrer do mundo, talvez. Porque o mundo é veneno e veneno mata. E o amor é a única defesa que temos contra a verdade, que é fria como o mundo.&lt;br /&gt;           Não entenda o que digo como uma tentativa de enobrecer tal sentimento – pelo contrário, o amor não é nada nobre! É a mais irrefutável prova do individualismo humano. Sim, porque amamos para buscar a proteção e não para dar a proteção. Damos o amor para recebê-lo, e apenas para isso. Um filósofo alemão, uma vez, disse que amamos não uma pessoa, mas sim a sensação que o amor causa em nós mesmos. Acho, então, que acredito nele.&lt;br /&gt;           Mas não quero, também, menosprezar o amor, visto que ele é o antídoto capaz de trazer a vida ao homem. Reconheço sua vital importância. Na verdade, não sei o que quero fazer, enfim. Pouco importa o porque de escrever.&lt;br /&gt;           Escrevo, talvez, porque a escrita é o portal que transita entre os dois mundos: o meu e o real. Apenas por isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-8713070674036476992?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/8713070674036476992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=8713070674036476992' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8713070674036476992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8713070674036476992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2007/10/amo-thiago-terenzi.html' title='Amo - Thiago Terenzi'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/RxftXk7VVkI/AAAAAAAAAAQ/abeL8vZjkFE/s72-c/gata.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-4322291753915588865</id><published>2000-10-31T20:58:00.000-02:00</published><updated>2009-11-01T13:48:20.176-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CLarice Lispector'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='audiobook'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aracy balabanian'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Das vantagens de ser bobo - Clarice Lispector</title><content type='html'>Texto narrado por Aracy Balabanian.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7Uoe9ir7wWc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7Uoe9ir7wWc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-4322291753915588865?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/4322291753915588865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=4322291753915588865' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4322291753915588865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4322291753915588865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/10/das-vantagens-de-ser-bobo-clarice.html' title='Das vantagens de ser bobo - Clarice Lispector'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-3955284417090588800</id><published>2000-10-31T20:53:00.000-02:00</published><updated>2009-10-31T20:57:03.688-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CLarice Lispector'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='audiobook'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medo do desconhecido'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aracy balabanian'/><title type='text'>Medo do desconhecido - Clarice Lispector</title><content type='html'>Texto narrado por Aracy Balabanian.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/OaNV0ERdjJc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/OaNV0ERdjJc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então isso era felicidade. E por assim dizer sem motivo. De início se sentiu vazia. Depois os olhos ficaram úmidos: era felicidade, mas como sou mortal, como o amor pelo mundo me transcende. O amor pela vida mortal a assassinava docemente, aos poucos. E o que é que eu faço? Que faço da felicidade? Que faço dessa paz estranha e aguda, que já está começando a me doer como uma angústia, como um grande silêncio? A quem dou minha felicidade, que já está começando a me rasgar um pouco e me assusta? Não, não quero ser feliz. Prefiro a mediocridade. Ah, milhares de pessoas não têm coragem de pelo menos prolongar-se um pouco mais nessa coisa desconhecida que é sentir-se feliz, e preferem a mediocridade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-3955284417090588800?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/3955284417090588800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=3955284417090588800' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3955284417090588800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/3955284417090588800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2000/10/medo-do-desconhecido-clarice-lispector.html' title='Medo do desconhecido - Clarice Lispector'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-2381182853203640053</id><published>2000-10-31T20:42:00.001-02:00</published><updated>2009-10-31T20:45:10.814-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CLarice Lispector'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a descoberta do mundo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='se eu fosse eu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aracy balabanian'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Se eu fosse eu - Clarice Lispector</title><content type='html'>Texto retirado do livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Descoberta do Mundo&lt;/span&gt; e narrado por Aracy Balabanian.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/re4-BJ7JccI&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/re4-BJ7JccI&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-2381182853203640053?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/2381182853203640053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=2381182853203640053' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2381182853203640053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2381182853203640053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2000/10/se-eu-fosse-eu-clarice-lispector.html' title='Se eu fosse eu - Clarice Lispector'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-2837051673784457327</id><published>2000-10-31T20:14:00.000-02:00</published><updated>2009-10-31T20:38:36.498-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CLarice Lispector'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='audiobook'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='felicidade clandestina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aracy balabanian'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Felicidade Clandestina - Clarice Lispector</title><content type='html'>Conto retirado do livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Felicidade Clandestina&lt;/span&gt; e narrado por Aracy Balabanian.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/mbSMwUNjwtE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/mbSMwUNjwtE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-2837051673784457327?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/2837051673784457327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=2837051673784457327' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2837051673784457327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2837051673784457327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2000/10/felicidade-clandestina-clarice.html' title='Felicidade Clandestina - Clarice Lispector'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-1552681683307743507</id><published>2000-10-31T20:09:00.001-02:00</published><updated>2009-10-31T20:11:01.997-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morangos mofados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caio Fernando Abreu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Morangos Mofados - Caio Fernando Abreu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conto retirado do livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Morangos Mofados&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para José Márcio Penido&lt;br /&gt;Let me take you down&lt;br /&gt;‘cause I’m going to strawberryfields&lt;br /&gt;nothíng is real, and nothing to get hung about&lt;br /&gt;strawberryfieldsforever&lt;br /&gt;Lennon &amp;amp; McCartney: “Strawberry fields forever&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prelúdio&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;No entanto (até no-entanto dizia agora) estava ali e era assim que se via. Era dentro disso que precisava mover-se sob o risco de. Não sobreviver, por exemplo — e queria? Enumerava frases como é-assimqile-as-coisas-são ou que-se-há-de-fazer-que-se-há-de-fazer ou apenas lTttsafinalque.importa. E a cada dia ampliava-se na boca aquele gosto dernorangos mofando, verde doentio guardado no fundo escuro de algama gaveta.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Allegro Agitato&lt;br /&gt;Pois o senhor está em excelente forma, a voz elegante do médico, têniporas grisalhas como um coadjuvante de filme americano, vestido d0 bege, tom sur tom dos sapatos polidos à gravata frouxa, na medida justa entre o desalinho e a descontração. Não há nada errado com o seu coração nem com o seu corpo, muito menos com o seu cérebro. Caro senhor. Acendeu outro cigarro, desses que você fuma o dobro para evitara metade do veneno, mas não é no cérebro que acho que tenho o câncor, doutor, é na alma, e isso não aparece em check-up algum.&lt;br /&gt;Mal do nosso tempo, sei, pensou, sei, agora vai desandar a tecer considerações sócio-político-psicanalíticas sobre O Espantoso Aumento da Hipocondria Motivada Pela Paranóia dos Grande Centros Usbanos, cara bem barbeada, boca de próteses perfeitas, uma puta certa Vt disse que os médicos são os maiores tarados (talvez pela intimidade colstante com a carne humana, considerou), e este? Rápido, analisou: no máximo chupar uma boceta, praticar-sexo-oral, como diria depois, escovando meticuloso suas próteses perfeitas, naturalmente que se o senhor pudesse diminuir o cigarro sempre é bom, muito leite, fervido, é claro, para evitar os cloriformes, ar puro, um pouco de exercício, cooper, quem sabe, mais pensando no futuro do que em termos imediatos, claro. Mas se o futuro, doutor, é um inevitável finalmente alguém apertou o botão e o cogumelo metálico arrancando nossas peles vivas, bateu com cuidado o cigarro no cinzeiro, um cinzeiro de metal, odiava objetos de metal, e tudo no consultório era metal cromado, fórmica, acrílico, anti-séptico, im-po-lu-to, assim o próprio médico, não ousando além do bege. Na parede a natureza-morta com secas uvas brancas, peras pálidas, macilentas maçãs verdes. Nenhuma melancia escancarada, nenhuma pitanga madura, nenhuma manga molhada, nenhum morango sangrento. Um morango mofado — e este gosto, senhor, sempre presente em minha boca?&lt;br /&gt;Azia, má digestão, sorriso complacente de dentes no mínimo trinta por cento autênticos (e o que fazer, afinal? dançar um tango argentino, ou seria cantar? cantarolou calado assim “quiero emborrachar mi corazón para olvidar um toco amor que más que amor fue una traición’ tinha versos à espreita, adequados a qualquer situação, essa uma vantagem secreta sobre os outros, mas tão secreta que era também uma desvantagem, entende? nem eu, versos emboscados da nossa mais fina lira, tangos argentinos e rocks dilacerantes, com ênfase nos solos de guitarra). Um tranqüilizante levinho levinho aí umas cinco miligramas, que o senhor tome três por dia, ao acordar, após o almoço, ao deitar-se, olhos vidrados, mente quieta, coração tranqüilo, sístole, pausa, diástole, pausa, sístole, pausa, diástole, sem vãs taquicardias, freio químico nas emoções. Assim passaria a movimentar-se lépido entre malinhas 007, paletós cardin, etiquetas fiorucci, suavemente drogado, demônios suficientemente adormecidos para não incomodar os outros. Proibido sentimentos, passear sentimentos, passear sentimentos desesperados de cabeça para baixo, proibido emoções cálidas, angústias fúteis, fantasias mórbidas e memórias inúteis, um nirvana da bayer e se é bayer. Suspirou, suspirava muito ultimamente, apanhou a receita, assinou um cheque com fundos, naturalmente, e saiu antes de ouvir um delicado porque, afinal, o senhor ainda é tão jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adagio sostenuto&lt;br /&gt;Quando acordou, o sol já não batia no terraço, o que trocado em miúdos significavá algo assim como mais-de-duas-da-tarde. Tinha tomado três comprimidos, um pela manhã, outro pelo almoço, outro antes de dormir, só que juntos — e o gosto persistia na boca. Strawberry, pensou, e quis então como antigamente ouvir outra vez os Beaties, mas ainda na cama teve preguiça de dar dois passos até o toca-discos, e onde andariam agora, perdidos entre tantas simones e donnas summers, tanto mas tanto tempo, nem gostava mais de maconha. Acariciou o pau murcho, com vontade longe, querendo mandar parar aquele silêncio horrível de apartamento de homem solteiro, a empregada não viria, ele não tinha colocado gasolina no carro, nem descontado cheque, nem batalhado uma trepadinha de fim de semana, nem tomado nenhuma dessas pré-lúdicas providências-de-sexta-feira-após-o-almoço, e precisava. Precisava inventar um dia inteiro ou dois, porque amanhã é domingo e segunda—feira ninguém sabe o quê.&lt;br /&gt;Acendeu um cigarro, assim em jejum lembrando úlceras, enfisemas, cirroses, camadas fibrosas recobrindo o fígado, mas o fígado continuaria existindo sob as tais fibras ou seria substituído por? Ninguém saberia explicar, cuecas sintéticas dessas que dão pruridos &amp;amp; impotência jogadas sobre o tapete, uma grana, imitação perfeita de persa. O telefone então tocou, como costuma às vezes tocar nessas horas, salvando a página em branco após a vírgula, ele estendeu a mão, tinha dedos até bonitos ele, juntas nodosas revelando angústia &amp;amp; sensibilidade, como diria Alice, mas Alice foi embora faz tempo, a cadela que eu até comia direitinho, estimulando o clitóris comme ilfaut, não é assim que se diz que se faz que se. O telefone tocou uma vez mais, e como se diz nesses casos, mais uma e mais outra e outra mais, enquanto com uma das mãos ele ligava o rádio libertando uma onda desgrenhada de violinos, Wagner, supôs, que tinha sua cultura, sua leitura, valquírias, nazismos, dachaus, judeus, e com a outra acariciava o pau começando a vibrar estimulado talvez pelos violinos, judeus, davis.&lt;br /&gt;O telefone parou, o telefone não fazia nenhum som especial ao parar, mas deveria arfar, gemer quando entrasse fundo, duro e quente, judeuzinho de merda, deve estar metido naquele kibutz no meio da areia plantando trigo, não, trigo acho que não, é muito seco, azeitonas quem sabe, milho talvez, a cabeça quente do pau vibrava na palma da mão, foi no que deu ficar trocando livrinho de Camus por Anna Seghers, pervitin por pambenil, tesão se resolve é na cama, não emprestando livro nem apresentando droga, anote, aprenda, mas agora è troppo tarde, tudo já passou e minha vida não passa de um ontem não resolvido, bom isso. E idiota. E inútil.&lt;br /&gt;Levantou de repente. Foi então que veio a náusea, só o tempo de caminhar até o banheiro e vomitar aos roncos e arquejos, onde estão todos vocês, caralho, onde as comunidades rurais, os nirvanas sem pedágio, o ácido em todas as caixas-d’água de todas as cidades, o azul dos azulejos começando a brilhar, maya, samsara, que às vezes voltava. De súbito lisérgico no meio de uma frase tonta, de um gesto pouco, de um ato porco como esse de vomitar agora as quinze miligramas leves leves. Alice abria as coxas onde a penugem se adensava em pêlos ruivos, depois gemia gostoso, calor molhado lá dentro. Neurônios arrebentados, tem um certo número sobrando, depois vão morrendo, não se recompõem nunca mais, quantos me restarão, meu deus e a mão de pêlos escuros de Davi acariciando as minhas veias até incharem, quase obscenas, latejando azul-claro sob a pele. Sabe, cara, quando te aplico assim com a agulha lá no fundo, às vezes chego a pensar que. Noites sem dormir e a luz do dia esverdeando as caras pálidas e as peles secas desidratadas e as vozes roucas de tanto falar e fumar e falar e fumar. Vomitou mais. Nojo, saudade. Sou um publicitário bem-sucedido, macio, rodando nas nuvens, o Carvalho me disse que rodando-nas-nuvens é do caralho, que achado, cara, você é um poeta, enquanto olho pra ele e não digo nada como eu mesmo já rodei nas nuvens um dia, agora tou aqui, atolado nesta bosta colorida, fodida &amp;amp; bem paga. Strawberryfields: no meio do vômito podia distinguir aqui e ali alguns pedaços de morangos boiando, esverdeados pelo mofo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andante ostinato&lt;br /&gt;Nem ontem nem amanhã, só existe agora, repetia Jack Nicholson antes de ser morto a pauladas, enquanto ele espiava Davi jogado no fundo do poço tão profundo que precisaria de uma escada para descer até lá, evitando os escombros da cidadezinha que era ao mesmo tempo Kõln após a guerra e o Passo da Guanxuma, com aquele lago no centro de onde sem parar partiam ou chegavam barcos, nunca saberia, e não importa, Alice corria entre os ciprestes do cemitério sem túmulos enquanto ele gritava Alice, Alice, minha filha, quando é que você vai se convencer que não está mais do outro lado do espelho, até encontrar Billie Holiday em pé na escada entre paredes demolidas, aqueles degraus subindo para o nada, com Billie no topo decepada, solta no espaço de escombros repetindo e repetindo “you’ve changed, baby oh baby, you’ve cbangedso much’ estendeu a mão para socorrer John Lennon mas quando abriu a boca sangrenta, feito um vento preso numa caixa fugiu aquele horrível cheiro de morangos guardados há muito tempo, como um vento vindo do mar, um mar anterior, um mar quase infinito onde nenhuma gota é passado, nenhuma gota é futuro, tudo presente imóvel e em ação contínua, o cheiro de maresia era o mesmo do hálito da pantera biônica de cabelos dourados. Ah tantos anos de análise freudiana kleiniana junguiana reichiana rankiana rogeriana gestáltica. E mofo de morangos.&lt;br /&gt;Gritaria. Mas acordou com o plim-plim eletrônico antes sequer de abrir a boca. O vento fresco da madrugada embalava as cortinas brancas feito velas de um barco encalhado, uma nau com todas as velas pandas, não adianta chorar, Alice, já falei que é loucura, pára de bater essas malditas carreiras, teu nariz vai acabar furando, melhor ser monja budista em Vitória do Espírito Santo ou carmelita descalça em Calcutá ou a mais puta das puras na putaqueapariu, não me olhe assim do fundo do poço, não me encham o saco com esse plim-plim hipnótico, eu fico aqui, meu bem, entre escombros.&lt;br /&gt;Desligou a televisão, saiu para o terraço de plantas empoeiradas, devia cuidar melhor delas, não fosse essa presença viva dentro de mim corroendo carcomendo a célula pirada na alma fermentando o gosto nojento na língua. O cheiro daquele único jasmim espalhado sobre os sete viadutos da avenida mais central. Bastava um leve impulso, debruçou-se no parapeito, entrevado, morto da cintura para baixo, da cintura para cima, da cintura para fora, da cintura para dentro — que diferença faz? Oficializar o já acontecido: perdi um pedaço, tem tempo. E nem morri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minueto e rondó&lt;br /&gt;Amanhecia. Não havia ninguém na rua.&lt;br /&gt;Não, foi assim: debruçado no terraço, ele olhou primeiro para cima — e viu que o azul do céu quase preto aqui e ali se fazia cinza cada vez mais claro em direção ao horizonte, se houvesse horizonte, em todo caso atrás dos últimos edifícios que eram, digamos, um sucedâneo de horizontes. E amanhecia, concluiu então. Debruçado no terraço, ele olhou segundo para baixo — e viu que na longa rua não havia rumores nem carros nem pessoas, sóos sete viadutos também desertos. Não havia ninguém na rua, concluiu ainda.&lt;br /&gt;Debruçado no terraço, amanhecia.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, em seguida, um de-dentro pensou: e se alguém realmente e finalmente apertou o botão? e se aquele cinza-claro no sucedâneo de horizonte for o clarão metálico? e se eu estava dormindo quando tudo aconteceu? e se fiquei sozinho na cidade, no país, no continente, no planeta? Sabia que não. E um outro de-dentro pensava também, se sobrepujando mais claro, quase organizado, não totalmente porque para dizer a verdade não era um pensamento nem uma emoção, mas algo assim como o cinza-claro brotando natural por sobre o horizonte, se houvesse horizonte, ou como o vento fresco batendo nas cortinas, ou ainda como se uma onda nascesse daquele imóvel mar ativo, ali onde começa a luz, onde começa o vento, onde começa a onda, desse lugar qualquer que eu não sei, nem você, nem ele sabia agora: brotou qualquer coisa como — não quero ser piegas, mas talvez não tenha outro jeito — uma luz, um vento, uma onda. Exatamente. Uma onda calma ou arquejante, um vento minuano ou siroco, uma luz mortiça ou luminosa, repito que brotou, repetiu incrédulo.&lt;br /&gt;Ele teve certeza. Ou claras suspeitas. Que talvez não houvesse lesões, no sentido de perder, mas acúmulos no sentido de somar? Sim sim. Transmutações e não perdas irreparáveis, alices-davis que o tempo levara, mas substituições oportunas, como se fossem mágicas, tão a seu tempo viriam, alices-davis que um tempo novo traria? Não era uma sensação química. Ele não tinha a boca seca nem as pupilas dilatadas. Estava exatamente como era, sem aditivos.&lt;br /&gt;Vou-me embora, pensou: a estrada é longa.&lt;br /&gt;Tocou então o próprio corpo. Uma glória interior, foi assim que batizou solene, infinitamente delicado, quando ela brotou. Arpejo, foi o que lhe ocorreu, ridículo complacente, cor-nu-có-pia soletrou, quero um instante assim barroco, desejou. Mas vestido de amarelo como estava, visto de costas contra o céu, supondo que uma câmera cinematográfica colocada aqui na porta desta sala o enquadrasse agora pareceria quase bizantino, ouro sobre azul, magreza mística, que tinha sua cultura, sua leitura. E culpa alguma. Gótico, gemeu torcido, unindo as duas mãos no sexo, no ventre, no peito, no rosto e elevando-as acima da cabeça.&lt;br /&gt;O sol estava nascendo.&lt;br /&gt;Poderia talvez ser internado no próximo minuto, mas era realmente um pouco assim como se ouvisse as notas iniciais de A sagração da primavera. O gosto mofado de morangos tinha desaparecido. Como uma dor de cabeça, de repente. Tinha cinco anos mais que trinta. Estava na metade, supondo que setenta fosse sua conta. Mas era um homem recém-nascido quando voltou-se devagar, num giro de cento e oitenta graus sobre os próprios pés, para deslizar as costas pela sacada até ficar de joelhos sobre os ladrilhos escuros, as mãos postas sobre o sexo.&lt;br /&gt;Abriu os dedos. Absolutamente calmo, absolutamente claro, absolutamente só enquanto considerava atento, observando os canteiros de cimento: será possível plantar morangos aqui? Ou se não aqui, procurar algum lugar em outro lugar? Frescos morangos vivos vermelhos.&lt;br /&gt;Achava que sim.&lt;br /&gt;Que sim.&lt;br /&gt;Sim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-1552681683307743507?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/1552681683307743507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=1552681683307743507' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1552681683307743507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/1552681683307743507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2000/10/morangos-mofados-caio-fernando-abreu.html' title='Morangos Mofados - Caio Fernando Abreu'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-858057111949533603</id><published>2000-10-31T20:03:00.000-02:00</published><updated>2009-10-31T20:06:01.354-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema antigo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caio Fernando Abreu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesias'/><title type='text'>Poema antigo - Caio Fernando Abreu</title><content type='html'>Está tudo planejado:&lt;br /&gt;se amanhã o dia for cinzento,&lt;br /&gt;se houver chuva&lt;br /&gt;se houver vento,&lt;br /&gt;ou se eu estiver cansado&lt;br /&gt;dessa antiga melancolia&lt;br /&gt;cinza fria&lt;br /&gt;sobre as coisas&lt;br /&gt;conhecidas pela casa&lt;br /&gt;a mesa posta&lt;br /&gt;e gasta&lt;br /&gt;está tudo planejado&lt;br /&gt;apago as luzes, no escuro&lt;br /&gt;e abro o gás&lt;br /&gt;de-fi-ni-ti-va-men-te&lt;br /&gt;ou então&lt;br /&gt;visto minhas calças vermelhas&lt;br /&gt;e procuro uma festa&lt;br /&gt;onde possa dançar rock&lt;br /&gt;até cair&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-858057111949533603?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/858057111949533603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=858057111949533603' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/858057111949533603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/858057111949533603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2000/10/poema-antigo-caio-fernando-abreu.html' title='Poema antigo - Caio Fernando Abreu'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-8461224437482466847</id><published>2000-10-31T19:55:00.001-02:00</published><updated>2009-10-31T20:01:58.473-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caio Fernando Abreu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='os dragões não conhecem o paraíso'/><title type='text'>Os Dragões Não Conhecem o Paraíso - Caio Fernando Abreu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Conto retirado do livro Os Dragões Não Conhecem o Paraíso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho um dragão que mora comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, isso não é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço - seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Ou invulgar, como imagino que os outros devam ser. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos freqüentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Isso me pareceu gradiloqüente e sábio como uma idéia que não fosse minha, tão estúpidos costumam ser meus pensamentos. E tomei nota rapidamente no guardanapo do bar onde estava. Escrevi também mais alguma coisa que ficou manchada pelo café. Até hoje não consigo decifrá-la. Ou tenho medo da minha - felizmente indecifrável - lucidez daquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou me confundindo, estou me dispersando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O guardanapo, a frase, a mancha, o medo - isso deve vir mais tarde. Todas essas coisas de que falo agora - as particularidades dos dragões, a banalidade das pessoas como eu -, só descobri depois. Aos poucos, na ausência dele, enquanto tentava compreendê-lo. Cada vez menos para que minha compreensão fosse sedutora, e cada vez mais para que essa compreensão ajudasse a mim mesmo a. Não sei dizer. Quando penso desse jeito, enumero proposições como: a ser uma pessoa menos banal, a ser mais forte, mais seguro, mais sereno, mais feliz, a navegar com um mínimo de dor. Essas coisas todas que decidimos fazer ou nos tornar quando algo que supúnhamos grande acaba, e não há nada a ser feito a não ser continuar vivendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.&lt;br /&gt;Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém perguntará coisa alguma, penso. Depois continuo a contar para mim mesmo, como se fosse ao mesmo tempo o velho que conta e a criança que escuta, sentado no colo de mim. Foi essa a imagem que me veio hoje pela manhã quando, ao abrir a janela, decidi que não suportaria passar mais um dia sem contar esta história de dragões. Consegui evitá-la até o meio da tarde. Dói, um pouco. Não mais uma ferida recente, apenas um pequeno espinho de rosa, coisa assim, que você tenta arrancar da palma da mão com a ponta de uma agulha. Mas, se você não consegue extirpá-lo, o pequeno espinho pode deixar de ser uma pequena dor para se transformar numa grande chaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, agora, estou aqui. Ponta fina de agulha equilibrada entre os dedos da mão direita, pairando sobre a palma aberta da mão esquerda. Algumas anotações em volta, tomadas há muito tempo, o guardanapo de papel do bar, com aquelas palavras sábias que não parecem minhas e aquelas outras, manchadas, que não consigo ou não quero ou finjo não poder decifrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não comecei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria tanto saber dizer Era uma vez. Ainda não consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas preciso começar de alguma forma. E esta, enfim, sem começar propriamente, assim confuso, disperso, monocórdio, me parece um jeito tão bom ou mau quanto qualquer outro de começar uma história. Principalmente se for uma história de dragões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de dizer tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence a, nem mora com alguém. Seja uma pessoa banal igual a mim, seja unicórnio, salamandra, harpia, elfo, hamadríade, sereia ou ogro. Duvido que um dragão conviva melhor com esses seres mitológicos, mais semelhantes à natureza dele, do que com um ser humano. Não que sejam insociáveis. Pelo contrário, às vezes um dragão sabe ser gentil e submisso como uma gueixa. Apenas, eles não dividem seus hábitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém é capaz de compreender um dragão. Eles jamais revelam o que sentem. Quem poderia compreender, por exemplo, que logo ao despertar (e isso pode acontecer em qualquer horário, às três ou às onze da noite, já que o dia e a noite deles acontecem para dentro, mas é mais previsível entre sete e nove da manhã, pois essa é a hora dos dragões) sempre batem a cauda três vezes, como se tivessem furiosos, soltando fogo pelas ventas e carbonizando qualquer coisa próxima num raio de mais de cinco metros? Hoje, pondero: talvez seja essa a sua maneira desajeitada de dizer, como costumo dizer agora, ao despertar - que seja doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no tempo em que vivia comigo, eu tentava - digamos - adaptá-lo às circunstâncias. Dizia por favor, tente compreender, querido, os vizinho banais do andar de baixo já reclamaram da sua cauda batendo no chão ontem às quatro da madrugada. O bebê acordou, disseram, não deixou ninguém mais dormir. Além disso, quando você desperta na sala, as plantas ficam todas queimadas pelo seu fogo. E, quanto você desperta no quarto, aquela pilha de livros vira cinzas na minha cabeceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não prometia corrigir-se. E eu sei muito bem como tudo isso parece ridículo. Um dragão nunca acha que está errado. Na verdade, jamais está. Tudo que faz, e que pode parecer perigoso, excêntrico ou no mínimo mal-educado para um humano igual a mim, é apenas parte dessa estranha natureza dos dragões. Na manhã, na tarde ou na noite seguintes, quanto ele despertasse outra vez, novamente os vizinhos reclamariam e as prímulas amarelas e as begônias roxas e verdes, e Kafka, Salinger, Pessoa, Clarice e Borges a cada dia ficariam mais esturricados. Até que, naquele apartamento, restássemos eu e ele entre as cinzas. Cinzas são como sedas para um dragão, nunca para um humano, porque a nós lembra destruição e morte, não prazer. Eles trafegam impunes, deliciados, no limiar entre essa zona oculta e a mais mundana. O que não podemos compreender, ou pelo menos aceitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de tudo: eu não o via. Os dragões são invisíveis, você sabe. Sabe? Eu não sabia. Isso é tão lento, tão delicado de contar - você ainda tem paciência? Certo, muito lógico você querer saber como, afinal, eu tinha tanta certeza da existência dele, se afirmo que não o via. Caso você dissesse isso, ele riria. Se, como os homens e as hienas, os dragões tivessem o dom ambíguo do riso. Você o acharia talvez irônico, mas ele estaria impassível quanto perguntasse assim: mas então você só acredita naquilo que vê? Se você dissesse sim, ele falaria em unicórnios, salamandras, harpias, hamadríades, sereias e ogros. Talvez em fadas também, orixás quem sabe? Ou átomos, buracos negros, anãs brancas, quasars e protozoários. E diria, com aquele ar levemente pedante: "Quem só acredita no visível tem um mundo muito pequeno. Os dragões não cabem nesses pequenos mundos de paredes invioláveis para o que não é visível".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele gostava tanto dessas palavras que começam com in - invisível, inviolável, incompreensível -, que querem dizer o contrário do que deveriam. Ele próprio era inteiro o oposto do que deveria ser. A tal ponto que, quando o percebia intratável, para usar uma palavra que ele gostaria, suspeitava-o ao contrário: molhado de carinho. Pensava às vezes em tratá-lo dessa forma, pelo avesso, para que fôssemos mais felizes juntos. Nunca me atrevi. E, agora que se foi, é tarde demais para tentar requintadas harmonias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele cheirava a hortelã e alecrim. Eu acreditava na sua existência por esse cheiro verde de ervas esmagadas dentro das duas palmas das mãos. Havia outros sinais, outros augúrios. Mas quero me deter um pouco nestes, nos cheiros, antes de continuar. Não acredite se alguém, mesmo alguém que não tenha um mundo pequeno, disser que os dragões cheiram a cavalos depois de uma corrida, ou a cachorros das ruas depois da chuva. A quartos fechados, mofo, frutas podres, peixe morto e maresia - nunca foi esse o cheiro dos dragões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hortelã e alecrim, eles cheiram. Quando chegava, o apartamento inteiro ficava impregnado desse perfume. Até os vizinhos, aqueles do andar de baixo, perguntavam se eu andava usando incenso ou defumação. Bem, a mulher perguntava. Ela tinha uns olhos azuis inocentes. O marido não dizia nada, sequer me cumprimentava. Acho que pensava que era uma dessas ervas de índio que as pessoas costumam fumar quando moram em apartamentos, ouvindo música muito alto. A mulher dizia que o bebê dormia melhor quando esse cheiro começava a descer pelas escadas, mais forte de tardezinha, e que o bebê sorria, parecendo sonhar. Sem dizer nada, eu sabia que o bebê sonhava com dragões, unicórnios ou salamandras, esse era um jeito do seu mundo ir-se tornando aos poucos mais largo. Mas os bebês costumam esquecer dessas coisas quanto deixam de ser bebês, embora possuam a estranha facilidade de ver dragões - coisa que só os mundos muito largos conseguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aprendi o jeito de perceber quando o dragão estava a meu lado. Certa vez, descemos juntos pelo elevador com aquela mulher de olhos-azuis-inocentes e seu bebê, que também tinha olhos-azuis-inocentes. O bebê olhou o tempo todo para onde estava o dragão. Os dragões param sempre do lado esquerdo das pessoas, para conversar direto com o coração. O ar a meu lado ficou leve, de uma coloração vagamente púrpura. Sinal que ele estava feliz. Ele, o dragão, e também o bebê, e eu, e a mulher, e a japonesa que subiu no sexto andar, e um rapaz de barba no terceiro. Sorríamos suaves, meio tolos, descendo juntos pelo elevador numa tarde que lembro de abril - esse é o mês dos dragões - dentro daquele clima de eternidade fluida que apenas os dragões, mas só às vezes, sabem transmitir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por situações como essa, eu o amava. E o amo ainda, quem sabe mesmo agora, quem sabe mesmo sem saber direito o significado exato dessa palavra seca - amor. Se não o tempo todo, pelo menos quanto lembro de momentos assim. Infelizmente, raros. A aspereza e avesso parecem ser mais constantes na natureza dos dragões do que a leveza e o direito. Mas queria falar de antes do cheiro. Havia outros sinais, já disse. Vagos, todos eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias que antecediam a sua chegada, eu acordava no meio da noite, o coração disparado. As palmas das mãos suavam frio. Sem saber porque, nas manhãs seguintes, compulsivamente eu começava a comprar flores, limpar a casa, ir ao supermercado e à feira para encher o apartamento de rosas e palmas e morangos daqueles bem gordos e cachos de uvas reluzentes e berinjelas luzidias (os dragões, descobri depois, adoram contemplar berinjelas) que eu mesmo não conseguia comer. Arrumava em pratos, pelos cantos, com flores e velas e fitas, para que os espaços ficassem mais bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma fome, me dava. Mas uma fome de ver, não de comer. Sentava na sala toda arrumada, tapete escovado, cortinas lavadas, cestas de frutas, vasos de flores - acendia um cigarro e ficava mastigando com os olhos a beleza das coisas limpas, ordenadas, sem conseguir comer nada com a boca, faminto de ver. À medida que a casa ficava mais bonita, eu me tornava cada vez mais feio, mais magro, olheiras fundas, faces encovadas. Porque não conseguia dormir nem comer, à espera dele. Agora, agora vou ser feliz, pensava o tempo todo numa certeza histérica. Até que aquele cheiro de alecrim, de hortelã, começasse a ficar mais forte, para então, um dia, escorregar que nem brisa por baixo da porta e se instalar devagarzinho no corredor de entrada, no sofá da sala, no banheiro, na minha cama. Ele tinha chegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses ritmos, só descobri aos poucos. Mesmo o cheiro de hortelã e alecrim, descobri que era exatamente esse quando encontrei certas ervas numa barraca de feira. Meu coração disparou, imaginei que ele estivesse por perto. Fui seguindo o cheiro, até me curvar sobre o tabuleiro para perceber: eram dois maços verdes, a hortelã de folhinhas miúdas, o alecrim de hastes compridas com folhas que pareciam espinhos, mas não feriam. Pergunte o nome, o homem disse, eu não esqueci. Por pura vertigem, nos dias seguintes repetia quanto sentia saudade: alecrim hortelã alecrim hortelã alecrim hortelã alecrim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, antes ainda, o pressentimento de sua visita trazia unicamente ansiedade, taquicardias, aflição, unhas roídas. Não era bom. Eu não conseguia trabalhar, ira ao cinema, ler ou afundar em qualquer outra dessas ocupações banais que as pessoas como eu têm quando vivem. Só conseguia pensar em coisas bonitas para a casa, e em ficar bonito eu mesmo para encontrá-lo. A ansiedade era tanta que eu enfeiava, à medida que os dias passavam. E, quando ele enfim chegava, eu nunca tinha estado tão feio. Os dragões não perdoam a feiúra. Menos ainda a daqueles que honram com sua rara visita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que ele vinha, o bonito da casa contrastando com o feio do meu corpo, tudo aos poucos começava a desabar. Feito dor, não alegria. Agora agora agora vou ser feliz, eu repetia: agora agora agora. E forçava os olhos pelos cantos de prata esverdeadas, luz fugidia, a ponta em seta de sua cauda pela fresta de alguma porta ou fumaça de suas narinas, sempre mau, e a fumaça, negra. Naqueles dias, enlouquecia cada vez mais, querendo agora já urgente ser feliz. Percebendo minha ânsia, ele tornava-se cada vez mais remoto. Ausentava-se, retirava-se, fingia partir. Rarefazia seu cheiro de ervas até que não passasse de uma suspeita verde no ar. Eu respirava mais fundo, perdia o fôlego no esforço de percebê-lo, dias após dia, enquanto flores e frutas apodreciam nos vasos, nos cestos, nos cantos. Aquelas mosquinhas negras miúdas esvoaçavam em volta delas, agourentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo apodrecia mais e mais, sem que eu percebesse, doído do impossível que era tê-lo. Atento somente à minha dor, que apodrecia também, cheirava mal. Então algum dos vizinhos batia à porta para saber se eu tinha morrido e sim, eu queria dizer, estou apodrecendo lentamente, cheirando mal como as pessoas banais ou não cheiram quando morrem, à espera de uma felicidade que não chega nunca. Ele não compreenderia. Eu não compreendia, naqueles dias - você compreende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dragões, já disse, não suportam a feiúra. Ele partia quando aquele cheiro de frutas e flores e, pior que tudo, de emoções apodrecidas tornava-se insuportável. Igual e confundido ao cheiro da minha felicidade que, desta e mais uma vez, ele não trouxera. Dormindo ou acordado, eu recebia sua partida como um súbito soco no peito. Então olhava para cima, para os lados, à procura de Deus ou qualquer coisa assim - hamadríades, arcanjos, nuvens radioativas, demônios que fossem. Nunca os via. Nunca via nada além das paredes de repente tão vazias sem ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte. Dunas, geleiras, estepes. Nunca mais reflexos esverdeados pelos cantos, nem perfume de ervas pelo ar, nunca mais fumaças coloridas ou formas como serpentes espreitando pelas frestas de portas entreabertas. Mais triste: nunca mais nenhuma vontade de ser feliz dentro da gente, mesmo que essa felicidade nos deixe com o coração disparado, mãos úmidas, olhos brilhantes e aquela fome incapaz de engolir qualquer coisa. A não ser o belo, que é de ver, não de mastigar, e por isso mesmo também uma forma de desconforto. No turvo seco de uma casa esvaziada da presença de um dragão, mesmo voltando a comer e a dormir normalmente, como fazem as pessoas banais, você não sabe mais se não seria preferível aquele pântano de antes, cheio de possibilidades - que não aconteciam, mas que importa? - a esta secura de agora. Quando tudo, sem ele, é nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, acho que sei. Um dragão vem e parte para que seu mundo cresça? Pergunto - porque não estou certo - coisas talvez um tanto primárias, como: um dragão vem e parte para que você aprenda a dor de não tê-lo, depois de ter alimentado a ilusão de possuí-lo? E para, quem sabe, que os humanos aprendam a forma de retê-lo, se ele um dia voltar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não é assim. Isso não é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dragões não permanecem. Os dragões são apenas a anunciação de si próprios. Eles se ensaiam eternamente, jamais estréiam. As cortinas não chegam a se abrir para que entrem em cena. Eles se esboçam e se esfumam no ar, não se definem. O aplauso seria insuportável para eles: a confirmação de que sua inadequação é compreendida e aceita e admirada, e portanto - pelo avesso igual ao direito - incompreendida, rejeitada, desprezada. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos - como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando volto apensar nele, nestas noites em que dei para me debruçar à janela procurando luzes móveis pelo céu, gosto de imaginá-lo voando com suas grandes asas douradas, solto no espaço, em direção a todos os lugares que é lugar nenhum. Essa é sua natureza mais sutil, avessa às prisões paradisíacas que idiotamente eu preparava com armadilhas de flores e frutas e fitas, quando ele vinha. Paraísos artificiais que apodreciam aos poucos, paraíso de eu mesmo - tão banal e sedento - a tolerar todas as suas extravagâncias, o que devia lhe soar ridículo, patético e mesquinho. Agora apenas deslizo, sem excessivas aflições de ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As manhãs são boas para acordar dentro delas, beber café, espiar o tempo. Os objetos são bons de olhar para eles, sem muitos sustos, porque são o que são e também nos olham, com olhos que nada pensam. Desde que o mandei embora, para que eu pudesse enfim aprender a grande desilusão do paraíso, é assim que sinto: quase sem sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta esta história que conto, você ainda está me ouvindo? Anotações soltas sobre a mesa, cinzeiros cheios, copos vazios e este guardanapo de papel onde anotei frases aparentemente sábias sobre o amor e Deus, com uma frase que tenho medo de decifrar e talvez, afinal, diga apenas qualquer coisa simples feito: nada disso existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada, nada disso existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então quase vomito e choro e sangro quando penso assim. Mas respiro fundo, esfrego as palmas das mãos, gero energia em mim. Para manter-me vivo, saio à procura de ilusões como o cheiro das ervas ou reflexos esverdeados de escamas pelo apartamento e, ao encontrá-los, mesmo apenas na mente, tornar-me então outra vez capaz de afirmar, como num vício inofensivo: tenho um dragão que mora comigo. E, desse jeito, começar uma nova história que, desta vez sim, seria totalmente verdadeira, mesmo sendo completamente mentira. Fico cansado do amor que sinto, e num enorme esforço que aos poucos se transforma numa espécie de modesta alegria, tarde da noite, sozinho neste apartamento no meio de uma cidade escassa de dragões, repito e repito este meu confuso aprendizado para a criança-eu-mesmo sentada aflita e com frio nos joelhos do sereno velho-eu-mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, isso também não é verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-8461224437482466847?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/8461224437482466847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=8461224437482466847' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8461224437482466847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8461224437482466847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2000/10/os-dragoes-nao-conhecem-o-paraiso-caio.html' title='Os Dragões Não Conhecem o Paraíso - Caio Fernando Abreu'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-4321472185898328095</id><published>2000-10-31T19:51:00.000-02:00</published><updated>2009-10-31T19:53:07.305-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='os'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobreviventes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morangos mofados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caio Fernando Abreu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Os Sobreviventes - Caio Fernando Abreu</title><content type='html'>Conto retirado do livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Morangos Mofados&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Para ler ao som de Angela Ro-Ro)&lt;br /&gt;Para Jane Araújo, a Magra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;SRI LANKA, quem sabe? Ela me diz, morena e ferina, e eu respondo por que não? mas inabalável continua: você pode pelo menos mandar cartões-postais de lá, para que as pessoas pensem nossa, como é que ele foi parar em Sri Lanka, que cara louco esse, hein, e morram de saudade, não é isso que te importa? uma certa saudade: em Sri Lanka, brincando de Rimbaud, que nem foi tão longe, para que todos lamentem ai como ele era bonzinho e nós não lhe demos a dose suficiente de atenção para que ficasse aqui entre nós, palmeiras e abacaxis. Sem parar, abana-se com a capa do disco de Ângela enquanto fuma sem parar e bebe sem parar sua vodka nacional sem gelo nem limão. Quanto a mim, a voz rouca, fico por aqui comparecendo a atos públicos, entre uma e outra carreira, pixando muros contra usinas nucleares, em plena ressaca, um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Tereza de Calcutá, um dia de merda enquanto seguro aquele maldito emprego de oito horas diárias para poder pagar essa poltrona de couro autêntico onde neste exato momento vossa reverendíssima assenta sua preciosa bunda e essa exótica mesinha de centro em junco indiano que apóia vossos fatigados pés descalços ao fim de mais uma semana de batalhas inúteis, fantasias escapistas, maus orgasmos e crediários atrasados. Mas tentamos tudo, eu digo, e ela diz que sim, claaaaaaaro, tentamos tudo, inclusive trepar, porque tantos livros emprestados, tantos filmes vistos juntos, tantos pontos de vista sócio político artístico filosófico existenciais e bababá em comum só podiam dar mesmo nisso: cama. Realmente tentamos, mas foi uma bosta. Que foi que aconteceu, eu pensava depois acendendo um cigarro no outro, e não queria lembrar mas não me saía da cabeça o teu pau murchos e os bicos do meus seios que nem sequer ficaram duros, pela primeira vez na vida, você disse, e eu acreditei, pela primeira vez na vida, eu disse, mas não sei se você acreditou. Quero dizer que sim, que acreditei, mas ela não pára, tanta tesão mental espiritual moral existencial e nenhuma física, e eu não queria aceitar que fosse isso: éramos diferentes, ai como éramos diferentes, éramos melhores, éramos mais, éramos superiores, éramos escolhidos, éramos vagamente sagrados, mas no final das contas os bicos dos meus peitos não endureceram e o teu pau não levantou, cultura demais mata o corpo da gente, cara, filmes demais, livros demais, palavras demais, só consegui te possuir me masturbando, tinha a biblioteca de Alexandria separando nossos corpos, enfiava fundo o dedo na buceta noite após noite pedindo mete fundo, coração, explode junto comigo, depois virava de bruços e chorava no travesseiro porque naquele tempo ainda tinha culpa nojo vergonha, mas agora tudo bem, o Relatório Hite liberou a punheta. Não que fosse amor de menos, você dizia depois, ao contrário, era amor demais, você acreditava mesmo nisso? Naquele bar infecto onde costumávamos afogar nossas impotências em baldes de lirismo juvenil, imbecil, e eu disse não, o que acontece é que como bons-intelectuais-pequeno-burgueses o teu negócio é homem e o meu é mulher, podíamos até formar um casal incrível, tipo aquela amante de Virginia Woolf, como era mesmo? Vita, Vita Sackville-West e o veado do marido, não se erice, queridinho, não tenho nada contra veados, me passa a vodka, o quê? e eu lá tenho grana pra comprar wyborowas? não tenho nada contra lésbicas, não tenho nada contra decadentes em geral, não tenho nada contra qualquer coisa que soe a: uma tentativa. Peço cigarro e ela me atira o maço na cara, com que joga um tijolo, ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, angústia, duas décadas de convívio cotidiano, mas ando, ando, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, ,veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara. Podia ter dado certo entre a gente, ou não, afinal você naquele tempo ainda não tinha se decidido a dar a bunda, nem eu a lamber buceta, ai que gracinha nossos livrinhos de Marx, depois Marcuse, depois Reich, depois Castañeda, depois Laing embaixo do braço, aqueles sonhos colonizados nas cabecinhas idiotas, bolsas na Sorbonne, chás com Simone e Jean-Paul nos 50, em Paris; 60 em Londres ouvindo here comes the sun here comes the sun, little darling; 70 em Nova Iorque dançando disco-music no Studio 54; 80 a gente aqui, mastigando essa coisa porca sem conseguir engolir nem cuspir fora em esquecer esse gosto azedo na boca. Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço? Não é plágio do Pessoa, mas em cada canto do meu quarto tenho uma imagem de Buda, uma de mãe Oxum, outra de Jesuzinho, um pôster de Freud, às vezes acendo vela, faço reza, queimo incenso, tomo banho de arruda, jogo sal grosso nos cantos, não te peço solução nenhuma, você vai curtir os seus nativos de Sri Lanka depois me manda um cartão-postal contando qualquer coisa como ontem à noite, à beira do rio, deve haver um rio por lá, um rio lodoso, cheio de juncos sombrios, mas ontem na beira do rio, sem planejar nada, de repente, por acaso, encontrei um rapaz de tez azeitonada e olhos oblíquos que. Hein? claro que deve haver alguma espécie de dignidade nisso tudo, ,a questão é onde, ,não nesta cidade escura, não neste planeta podre e pobre, dentro de mim? Ora não me venhas com autoconhecimentos-redentores, já sei tudo de mim, tomei mais de cinqüenta ácidos fiz seis anos de análise, já pirei de clínica, lembra? você me levava maçãs argentinas e fotonovelas italianas, Rossana Galli, Franco Andrei, Michela Roc, Sandro Moretti, eu te olhada entupida de mandrix e babava soluçando perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidário e positivo, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheira, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária, bababá bababá. As pessoas se transformavam em cadáveres decompostos à minha frente, minha pele era triste e suja, as noites não terminavam nunca, ninguém me tocava, mas eu reagi, despirei, e cadê a causa, cadê a luta, cadê o potencial criativo? Mato, não mato, atordôo minha sede com sapatinhos do Ferro’s Bar ou encho a cara sozinha aos sábados esperando o telefone tocar, e nunca toca, ouvindo samba-canção e blues com caipira de vodka, neste apartamento que pago com o suor do potencial criativo da bunda que dou oito horas diárias pra aquela multinacional fodida. Mas eu quero dizer, e ela me corta mansa, claro que você não tem culpa, coração, caímos exatamente na mesma ratoeira, a única diferença é que você pensa que pode escapar, eu quero chafurdar na dor deste ferro enfiado fundo na minha garganta seca, me passa o cigarro, não estou desesperada, ,não mais do que sempre estive, não estou bêbada nem louca, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, não se preocupe, depois que você sair tomo banho frio, lente quente com mel de eucalipto e gin-seng, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a ban-chá e arroz integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina ou ligo para o CVV às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas do tipo preciso-tanto-de-uma-razão-para-viver-e-sei-que-esta-razão-só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá, até o sol pintar atrás daqueles edifícios, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma? Passa devagar a tua mão na minha cabeça, no meu coração, eu tive tanto amor um dia, pára e pede, preciso tanto, tanto, tanto, bicho, não me permitiram, então estendo os dedos e ela fica subitamente pequenina apertada contra meu peito, perguntando se está mesmo muito feia e meio puta e muito velha e completamente bêbada, eu não tinha essas marcas em volta dos olhos, eu não tinha esses vincos em torno da boca, eu não tinha esse jeito de sapatão cansado, e eu repito que não, que está linda assim, desgrenhada e viva, ela pede que eu coloque uma música e escolho o Noturno número dois em mi bemol de Chopin, quero deixá-la assim, dormindo no escuro, sobre este sofá, ao lado das papoulas quase murchas, embalada pelo piano remoto como uma canção de ninar, mas ela se contrai violenta e peded que eu ponha Angela outra vez, então viro o disco, amor meu grande amor, caminhamos tontos até o banheiro onde sustento sua cabeça sobre a privada para que vomite, e sem querer vomito junto, ao mesmo tempo, os dois abraçados, bocas amargas, fragmentos azedos sobre as línguas, ela puxa a descarga e vai me empurrando para a porta, pedindo que me vá, e me expulsa para o corredor dizendo não esqueça então de mandar um cartão de Sri Lanka, aquele rio lodoso, aquela tez azeitonada, que aconteça alguma coisa bem bonita para você, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em todos de novo, que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando. A chave gira na porta. Preciso me apoiar contra a parede para não cair. Atrás da madeira, misturada ao piano e à voz rouca de Angela, nem que eu rastejasse até o Leblon, consigo ouvi-la repetindo que tudo vai bem, tudo continua bem, tudo muito bem, tudo bem. Axé, axé, axé! eu digo e insisto, até o elevador chegar. Axé, odara!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-4321472185898328095?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/4321472185898328095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=4321472185898328095' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4321472185898328095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4321472185898328095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2000/10/os-sobreviventes-caio-fernando-abreu.html' title='Os Sobreviventes - Caio Fernando Abreu'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-8393643027310587765</id><published>2000-10-30T16:17:00.000-02:00</published><updated>2009-10-30T16:40:48.837-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='emediato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geração online'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geração editorial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu caso de amor com caio fernando abreu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caio Fernando Abreu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='luiz fernando emediato'/><title type='text'>O seu caso de amor - e ódio, porque não? - com Caio Fernando Abreu</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Susy0yoN01I/AAAAAAAAAFg/nTA-DOnV7wE/s1600-h/emediato_trevas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 250px; height: 296px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Susy0yoN01I/AAAAAAAAAFg/nTA-DOnV7wE/s400/emediato_trevas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398464460858708818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Luiz Fernando Emediato era um jovem e talentoso escritor contemporâneo e amigo de Caio Fernando Abreu. Ganhou diversos prêmios literários, tornou-se um jornalista de sucesso, mas – mas sabe-se lá o porquê, acabou não entrando no hall dos grandes escritores brasileiros dos anos da ditadura. A seleção natural literária segue caminhos não-lógicos que são difíceis de entender. Sabe-se lá o que vai resistir ao tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos ao que interessa: hoje ele é o editor da Geração Editorial e publica livros de diversos autores, alguns conhecidos, outros nem tanto. No &lt;a href="http://www.geracaobooks.com.br/"&gt;site da editora&lt;/a&gt;, publica, vez ou outra, textos, crônicas, colunas, tudo muito bem escrito. Num desses textos, com uma coragem que vale ser reconhecida, resolveu contar seu “caso de amor com Caio Fernando Abreu”. É uma história fascinante, que nos mostra Caio sob um outro prisma. O texto vale a pena ser lido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Meu caso de amor com Caio Fernando Abreu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O editor da Geração revela os comoventes bastidores de uma relação secreta, de amor e ódio, que durou mais de 20 anos, com o escritor Caio Fernando Abreu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando conheci Caio Fernando Abreu, em 1976, eu tinha 24 anos, pensava em derrubar a ditadura militar pelas armas e fazia parte de um grupo de jovens candidatos a escritores, músicos e artistas plásticos que imaginavam provocar uma revolução na arte brasileira e mundial, com seus textos críticos, contos, romances, poe-mas, canções, ilustrações e manifestos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1984, nós nos reencontramos em Gramado, no Festival de Cinema. Os gaúchos Carlos Gerbase e Giba Assis Brasil tinham filmado um conto meu, Verdes Anos. Outro gaúcho, Sérgio Amon, filmara um conto de Caio, Aqueles Dois. Verdes Anos falava de jovens alienados vivendo na ditadura sangrenta do general Médici. Aqueles Dois falava da amizade entre dois homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O socialismo ainda era uma idéia na qual se podia acreditar; usávamos drogas alucinógenas para ficar cara a cara com o Deus no qual não acreditávamos; defendíamos e praticávamos o amor livre; tínhamos toda a coragem do mundo, mas também todas as inseguranças, incertezas e paranóias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi neste mundo imperfeito, em que militares ainda matavam jornalistas e operários, a imprensa e as artes estavam censuradas e o Brasil descobria ter sido falso o “milagre econômico” do general Médici e do economista Delfim Neto que comecei uma relação muito intensa, criativa e comovente, mas também decepcionante e amarga, com o escritor Caio Fernando Abreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou por meio de cartas, com a descoberta de pontos comuns em nossas idéias e anseios, cresceu com a relação pessoal e a consolidação de uma grande ami-zade e só não virou um caso de amor porque, heterossexual convicto, não pude amá-lo como queria, esfriou com a maturidade e se deteriorou completamente quando, assumidamente homossexual e caminhando para a morte pela Aids, o sombrio e amargurado Caio passou a ver nos heterossexuais e nas pessoas razoavelmente equili-bradas e felizes seres imperfeitos e indignos de contar com sua amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de cinco anos, num tempo em que não havia e-mails, trocamos uma vasta correspondência, interrompida quando ele deixou o país e nunca mais retomada depois que ele voltou, principalmente, claro, depois que passou a viver em São Paulo e pudemos conviver pessoalmente, numa relação conflituada e quase sempre absurda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paranóico, emocionalmente instável, hiper-sensível, comoventemente frágil e absolutamente infeliz, Caio parecia sofrer todos os dias. Quase nunca sorria. Odiava quem não gostasse de seus amigos e ídolos, como, já nos anos 80, Cazuza, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Miguel Falabella, Rita Lee, Antonio Bivar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro anos depois, em 1988, Caio vivia extremas dificuldades financeiras. Chamei-o então para trabalhar comigo no Caderno 2 de O Estado de S. Paulo, que eu diri-gia na época. Foi um desastre. Desaparelhado para o exer-cício do estafante jornalismo diário, vivia às custas de pílulas e cada texto a ser editado parecia pesar uma tone-lada para seus ombros frágeis e magros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convidei-o para escrever uma crônica todas as quartas-feiras e fez grande sucesso: era, segundo as pesquisas, um dos autores mais lidos no Caderno 2. Mas, chocado com minha agitação, meus gritos diários para editar o jornal no prazo determinado, minha falta de sensibilidade para entender melhor as pessoas de sua condição, passou a ver-me como o chefe careta que usava gravata, enquanto ele usava brinco. Olhava-me todos os dias com olhos de mágoa e desalento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já tinha fundado a Geração Editorial, no início dos anos 90, quando ele, que convivia dramaticamente com a doença que haveria de matá-lo, pediu-me ajuda. Quis traduzir um romance de Will Self cujos direitos tínhamos comprado e dei-lhe o trabalho e um adiantamento, mas um ano e meio depois devolveu o livro sem uma só página traduzida. Justificou estar estafado por causa da doença, mas continuou escrevendo sua crônica semanal e textos para revistas. Queria devolver o adiantamento, em parcelas. Disse que não era necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa editora publicou um texto dele, reminiscências de sua vida em Londres, no livro Viagem Inteligente, cujos direitos pertencem à Editora Abril, que autorizara a publicação do texto, ao lado dos de Antonio Callado, João Ubaldo Ribeiro, Lygia Fagundes Telles, Luiz Fernando Veríssimo, Gianfrancesco Guarnieri e Nélida Piñon. Recla-mou da edição em termos duros e amargos, chamando-me cerimoniosamente de “senhor editor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondi com uma carta dura, dizendo-lhe que o fato de estar perto da morte não lhe autorizava ser tão duro e injusto com as pessoas. Acho que a carta foi dura demais – ele nunca respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morreu sem que pudéssemos nos ver e falar de novo. Sempre quis procurá-lo, abraçá-lo, dizer que o amava do meu jeito e jamais poderia amá-lo do jeito dele. Sem coragem para dizer-lhe frente a frente o que pensava, uma vez escrevi uma crônica, publicada num domingo, em que lembrava as cartas que um jovem escritor me en-viava, nos anos 70. Caio não foi trabalhar na segunda, e na terça chegou com sua crônica das quartas-feiras falando do cinismo e da mentira. Era a resposta que queria dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, mais de 25 anos depois da primeira carta que nos aproximou, descobri parte daqueles velhos papéis. A maior parte das cartas se perdeu. As nove que restaram, e que publicamos a seguir, revelam a beleza e a tragédia da vida deste grande escritor brasileiro tão precocemen-te falecido. Era o meu amigo Caio. E eu gostava dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Os paladinos do oeste e seus sonhos mirabolantes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha memória não consegue recuperar os termos de minha primeira carta para Caio Fernando Abreu, no início de 1976. Sei que ele guardou algumas elas, que se encontram hoje na Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Naquele tempo – os anos de chumbo da ditadura militar, da censura e da repressão – os jovens escritores brasileiros publicavam seus textos em revistas, jornais e suplementos, e se correspondiam intensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era estudante de Jornalismo e estagiário na sucursal do Jornal do Brasil em Belo Horizonte desde 1973 e editava duas revistas culturais, Silêncio, que a polícia fechou, e Inéditos, que escapou do fechamento, mas ficou, enquanto existiu, sob censura prévia. Havia lido um livro de Caio, O Ovo Apunhalado e acompanhava seus textos pelos suplementos literários. Pedi a ele um conto para ser publicado na Inéditos. Começou aí nossa amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornais diziam que havia um boom na literatura brasileira. Ignácio de Loyola Brandão publicara Zero na Itália, e a edição brasileira acabou censurada. Logo depois Rubem Fonseca teve proibido seu violentíssimo Feliz Ano Novo. Murilo Rubião, um velho escritor mineiro dos anos 40, tinha sido redescoberto e um livro dele, O Ex-Mágico, era adotado em centenas de escolas. Roberto Drummond, com A Morte de D. J. em Paris, também. Roberto tinha sido revelado em 1971 pelo famoso Concurso Nacional de Contos do Paraná. Naquele mesmo ano eu, então com 19, ganhei o prêmio Revelação de Autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então, para minha alegria e tristeza, passei a ser considerado – mais pela idade e menos pela obra, creio – uma espécie de garoto-prodígio da nova literatura brasileira. Em 1977, quando publiquei meu primeiro livro, aos 25 anos, o crítico Flávio Moreira da Costa escreveria na IstoÉ que eu não passava de uma Shirley Temple da literatura brasi-leira: surpreendente enquanto jovem, ruim à medida em que fosse envelhecendo. Acho que tinha razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornais e revistas literárias, todas em confronto com a ditadura militar, surgiam e desapareciam em quase todo o país: Paralelo no Sul, Anima no Rio, Silêncio, Circus e Inéditos em Minas, Escrita em São Paulo, O Saco no Nordeste... Era incrível a agitação, a revol-ta contra a opressão, a criatividade e a diversidade de estilos: do under- ground hippie à literatura de resistência democrática, mistura de arte e jorna-lismo, e entre os dois extremos todo o tipo de experiências. José Agripino de Paula, Sebastião Nunes, Deonísio da Silva, João Silvério Trevisan, Ivan Ângelo, Sérgio Sant’Anna, Márcia Denser, João Antonio, Antonio Torres, Oswaldo França Júnior, Adélia Prado, Márcio Souza e outros mais surpreendiam os leitores e os críticos com obras contundentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publiquei meu primeiro livro, Não Passarás o Jordão, em 1977, e a história principal tinha como personagem o jornalista Wladimir Herzog, assassinado sob tortura no Doi-Codi em São Paulo, em 1975. O livro ganhara vários prêmios, mas ninguém se animava a publicá-lo, por causa do tema. Até que Fernando Mangarielo, da Alfa Omega, de São Paulo, teve a coragem de fazê-lo. Queria contratar todos os meus livros e fazer de mim “um novo Jorge Amado”. O Partido Comunista deu o maior apoio. Mas to-das as críticas que elogiavam o livro (exa-geradamente, percebe-se hoje), não podiam dizer do que ele tratava. A imprensa estava sob censura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brigamos com a censura – fizemos em Minas um manifesto que 1.046 intelectuais brasileiros assinaram – até que o ministro da Justiça do general Geisel, Armando Falcão, foi à TV dizer que nosso pedido não contava com o apoio da “sociedade brasileira”, que, pelo contrário, pedia era mais censura, para preservar “a moral e os bons costumes”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nesta época fervilhante que O Pasquim – o jornal mais influente da esquerda, apesar de já existirem o Opinião e o Movimento, onde também quase todos nós escrevíamos – resolveu criar uma editora, a Codecri, e chamou Jéferson Ribeiro de Andrade para dirigi-la. A primeira idéia de Jéferson foi publicar um livro policial de Otávio Ribeiro, seu primeiro best seller. O segundo livro da Codecri seria uma antologia de 12 contos da “novíssima” literatura brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os escolhidos foram seis jovens contistas que estavam então se notabilizando por seu talento precoce: o próprio Jéferson, um jornalista combativo e escritor sem grande brilho; o poeta mineiro Antonio Barreto, 22 anos, que começava a escrever ficção; o paranaense Domingos Pellegrini, 28 anos; o carioca Julio César Monteiro Martins, de apenas 21 anos; o gaúcho Caio Fernando Abreu, 27 anos, e eu, 25 anos. Quando publiquei meu segundo livro de contos, Os Lábios Úmidos de Marilyn Monroe, pela Ática, dediquei-o aos seis, a quem chamava de “os paladinos do Oeste”.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Susy6j6NkQI/AAAAAAAAAFo/gkMYUaom0v8/s1600-h/caio01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 268px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Susy6j6NkQI/AAAAAAAAAFo/gkMYUaom0v8/s400/caio01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398464559986872578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era uma turma legal que nada tinha em comum além do amor pela literatura e a revolta contra alguma coisa: Jéferson era naturalmente revoltado, por causa do mau-humor; Barreto, Pellegrini e eu éramos marxistas e queríamos derrubar a ditadura a qualquer custo, ainda que derramando sangue; Caio, infeliz, revoltava-se naturalmente contra a trágica condição humana; e Julio César, um burguês liberal, cujo talento tinha o mesmo tamanho, enorme, da vaidade juvenil, revoltava-se contra o fato de, aos 21 anos, ainda não ser considerado o maior gênio da literatura brasileira de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro saiu com o título de Histó-rias de um Novo Tempo, ilustrado por Marcos Coelho Benjamin, hoje re-nomado artista plástico. Na época, imi-tava Crumb e já era genial. Avaliamos as ilustrações, no final de 1976, na casa de Ziraldo, sócio da Codecri, no Rio. Uma filha de Ziraldo, não me lembro se Daniela, tinha acabado de chegar do morro, onde comprara um tijolo de maconha na casa do músico Sérgio Ricardo. Chegara com o namorado, que se parecia muito com Gerald Thomas (ou era ele mesmo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Histórias de um Novo Tempo saiu com 20.000 exemplares e vendeu tudo em 15 dias. A segunda edição, mais 10.000, também acabou logo. Antes de sair a terceira edição quase todo mundo já tinha brigado por algum motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que terá acontecido conosco? Primeiro, quatro dos “paladinos” foram ao Rio para dar uma entrevista ao Pasquim: eu, Caio, Julio e Jéferson. Barreto e Domingos não puderam ir. A entrevista saiu com trechos naturalmente cortados (para caber nas duas páginas do jornal) e Caio odiou. Escreveu uma carta ao Pasquim, que respondeu, como de hábito, mandando-o lamber sabão ou algo parecido. A partir daí ninguém se entendeu mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha sido bom até ali. Nós, os seis “paladinos”, às vésperas da glória – sair numa antologia com as bênçãos do Pasquim – imaginávamos lançar um manifesto literário e até tentar repetir, em algum lugar (Rio, Belo Horizonte, São Paulo), a Semana da Arte Moderna de 1922! Acho que a idéia foi de Julio César Monteiro Martins, nosso maior megalômano. Trocávamos cartas febrilmente. Ansiávamos por nos conhecer pessoalmente, o que se deu com o lançamento da antologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caio teve um livro – Pedras de Calcutá – lançado pela Alfa Omega. Posteriormente se desentenderia com o editor Fernando Mangarielo, que na mesma época lançou o best seller A Ilha, de Fernando Morais. As más línguas (ou seriam boas?) insinuavam que Mangarielo recebia uma subvenção de Moscou. Julio César e Jeferson saíram pela Codecri, que imediatamente publicou meu terceiro livro em dois anos, A Rebelião dos Mortos, que a Polícia Federal quis apreender e depois desistiu. Domingos foi publicado pela Civilização Brasileira. Fazíamos palestras e debates nas Universidades. As estu-dantes mais belas ajoelhavam-se a nossos pés. Éramos os grandes heróis da resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final de 1977, pouco antes de me mudar para São Paulo, ganhei um prêmio literário da revista Status, com Ricardo Ramos, Rubem Fonseca e Gilberto Mansur na comissão julgadora. Era um bom dinheiro. Deixei meu filho Alexandre, com oito meses de idade, com a avó e, com minha mulher Sylvia (um casamento já em crise), fui visitar Caio em Porto Ale-gre e Eduardo Gudiño Kieffer e Jor-ge Luis Borges em Buenos Aires.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em Porto Alegre, hospedado na casa de Caio, Sylvia na cozinha, Caio disse que me amava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um choque. Eu tinha tido uma primeira, única e última relação homossexual (ativa) aos 16 anos, com um jovem artista que se transformou depois num astro da jovem guarda. Foi o bastante para decidir, definitivamente, que eu gostava era mesmo de mulheres e ponto final. Como dizer a Caio que eu gosta- va dele, mas não para fazer sexo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu havia escrito, com minha completa ausência de censura, alguns contos com temática homossexual. Tinha dito a Caio que alguns eram autobiográficos e era verdade: contavam histórias do início da adolescência, quando um menino a caminho de tornar-se adulto ainda procura sua verdadeira identidade. Acho que Caio viu naquilo uma ponta de esperança: eu, com quem ele tinha tantos pontos em comum, principalmente a angústia exis-tencial, poderia ser o companheiro eterno de sua triste e solitária vida até então. Com o casamento em crise, quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo dos anos eu perceberia que, apesar da amizade, algo se rompera. Eu era certinho demais, conservador demais, equilibrado demais – careta. Eu e Caio podíamos tomar chimarrão juntos, fumar maconha e beber chá de cogumelo alucinógeno, mas, na hora de compartilhar os corpos, lá ia eu para um canto, solitário e discreto. Não, aqui-lo não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas formávamos um grupo e durante alguns poucos meses tentamos levar as coisas. Logo a falta de talento de Jéferson e o excesso de ambição do juvenil e impetuoso Julio César lançaram Caio numa neurose descontrolada. A reação jocosa do Pasquim diante de suas críticas – o jornal mandara-o “se roçar nas ostras” – deixou Caio amargurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caio estava triste também por outros motivos. Julio César, o geniozinho simpático das cartas, na vida real era um mulherengo vaidoso que falava o tempo todo e não gostava de escovar os dentes e tomar banho. Domingos Pellegrini era marxista demais, um grandalhão saudável que a qualquer momento poderia pegar numa metralhadora e sair atirando em ditadores. Caio, tímido, sensível e frágil, via aquilo com horror. Jéferson era pequeno demais. Barreto sentia-se feliz com uma garrafa de cachaça ou um barril de chope: depois de certa hora, era impossível ouvir dele qualquer frase com sentido. Eu era, afinal, o único capaz de entendê-lo, de perdoá-lo por suas implosões depressivas. Eu jamais o mandaria se roçar nas ostras ou entubar um robalo, como fazia o Pasquim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julio Cesar, sobre quem Caio escrevera uma página altamente elogiosa a seu livro Torpalium, publicado pela Atica, no jornal em que escrevia – passou a ser o demônio. Poucos meses antes Caio comparava-o a Glauber Rocha. Julio dizia que Caio era “o Ney Matogrosso da literatura brasileira”. Aproveitei a dica e pus Caio na capa da revista Inéditos, em pose bem feminina, com esse título. Mas Caio já não suportava o que con-siderava, em Julio César, uma certa propensão para a intriga e o jogo do poder. Julio era muito jovem e Caio foi injusto com ele: isso tudo passaria, um dia, mas Caio não queria esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa degringolou quando, diante do inusitado sucesso de Histórias de um Novo Tempo, os velhos se-nhores e senhoras do arraial literário começaram a caluniar os jovens contistas. Por que aqueles seis, e não outros? Por que não tinham sido 10, ou 20, os escolhidos? E por aí vai. Disgusting, diria Caio. Cada um, então, seguiu o seu caminho. A editora Codecri cresceu rapidamente e desinteressou-se do best seller de autores tão complicados. O livro parou na terceira edição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O que aconteceu conosco&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que destino tiveram aquelas pessoas? Jéferson dirigiu a Codecri até seu apogeu. Foi mandado embora porque estava ganhando mais dinheiro do que os donos do Pasquim. Foi para a editora Record e a Codecri faliu. Hoje Jéferson mo-ra em Belo Horizonte e escreve muito pouco. Antonio Barreto ga-nhou mais de 50 prêmios, publi-cou vários livros de poemas, foi trabalhar numa rodovia no Iraque, transformou sua experiência em um romance e hoje continua em Belo Horizonte, escrevendo para crianças. Pellegrini publicou meia dúzia de livros, herdou do pai a direção de uma seita religiosa, a Perfect Liberty, desapareceu de circulação e acaba de retornar à cena literária, com um prêmio Jabuti e novos livros no mercado. Deixou de ser comunista e vive tranqüilo em Londrina, no Paraná.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julio César Monteiro Martins decidiu finalmente que ou o Brasil era muito pequeno para ele ou ele era muito grande para o Brasil. Aprendeu italiano, mudou para a Itália, onde é professor de literatura e lá já publicou dois livros. Em italiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei de escrever – não escrevo ficção há 20 anos –, exerci o Jornalismo por 17 anos e acabei editor de livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caio Fernando Abreu escreveu e publicou vários livros, passou a vida sofrendo e morreu de Aids falando abertamente da doença em suas crônicas. Tornou-se um autor cult da comunidade gay. De todos nós, foi o melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto foi retirado do site da Geração Editorial, as cartas que Caio trocou com Emediato podem ser encontradas &lt;a href="http://www.geracaobooks.com.br/literatura/cartas_caio/caso_caio.php"&gt;lá&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-8393643027310587765?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/8393643027310587765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=8393643027310587765' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8393643027310587765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/8393643027310587765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2000/10/o-seu-caso-de-amor-e-odio-porque-nao.html' title='O seu caso de amor - e ódio, porque não? - com Caio Fernando Abreu'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Susy0yoN01I/AAAAAAAAAFg/nTA-DOnV7wE/s72-c/emediato_trevas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-2518468658427346188</id><published>2000-10-30T15:45:00.000-02:00</published><updated>2009-10-30T16:05:08.873-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CLarice Lispector'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zézim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cartas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caio Fernando Abreu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='hilda hilst'/><title type='text'>Caio Fernando Abreu sobre Clarice Lispector</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SusqPTC50BI/AAAAAAAAAFY/yqVZK2faMro/s1600-h/caio01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 268px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SusqPTC50BI/AAAAAAAAAFY/yqVZK2faMro/s400/caio01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398455020632526866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não é difícil perceber, em Caio Fernando Abreu, a influência da obra de Clarice Lispector. Como o próprio autor admitiu em carta, Clarice era o que havia de mais grandioso literariamente falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caio conheceu Clarice e, com uma sensibilidade impactante – o que lhe era comum –, relatou suas impressões em duas cartas, sendo uma delas dirigida à Hilda Hilst. Esta, disponibilizo na integra; a outra, destaco apenas o parágrafo destinado à análise sobre a figura Clarice Lispector.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;29/12/1970&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hildinha, a carta para você já estava escrita, mas aconteceu agora de noite um negócio tão genial que vou escrever mais um pouco. Depois que escrevi para você fui ler o jornal de hoje: havia uma notícia dizendo que Clarice Lispector estaria autografando seus livros numa televisão, à noite. Jantei e saí ventando. Cheguei lá timidíssimo, lógico. Vi uma mulher linda e estranhíssima num canto, toda de preto, com um clima de tristeza e santidade ao mesmo tempo, absolutamente incrível. Era ela. Me aproximei, dei os livros para ela autografar e entreguei o meu Inventário. Ia saindo quando um dos escritores vagamente bichona que paparicava em torno dela inventou de me conhecer e apresentar. Ela sorriu novamente e eu fiquei por ali olhando. De repente fiquei supernervoso e sai para o corredor. Ia indo embora quando (veja que GLÓRIA) ela saiu na porta e me chamou: - “Fica comigo.” Fiquei. Conversamos um pouco. De repente ela me olhou e disse que me achava muito bonito, parecido com Cristo. Tive 33 orgasmos consecutivos. Depois falamos sobre Nélida (que está nos States) e você. Falei que havia recebido teu livro hoje, e ela disse que tinha muita vontade de ler, porque a Nélida havia falado entusiasticamente sobre Lázaro. Aí, como eu tinha aquele outro exemplar que você me mandou na bolsa, resolvi dar a ela. Disse que vai ler com carinho. Por fim me deu o endereço e telefone dela no Rio, pedindo que eu a procurasse agora quando for. Saí de lá meio bobo com tudo, ainda estou numa espécie de transe, acho que nem vou conseguir dormir. Ela é demais estranha. Sua mão direita está toda queimada, ficaram apenas dois pedaços do médio e do indicador, os outros não têm unhas. Uma coisa dolorosa. Tem manchas de queimadura por todo o corpo, menos no rosto, onde fez plástica. Perdeu todo o cabelo no incêndio: usa uma peruca de um loiro escuro. Ela é exatamente como os seus livros: transmite uma sensação estranha, de uma sabedoria e uma amargura impressionantes. É lenta e quase não fala. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto. Acho que mesmo que ela não fosse Clarice Lispector eu sentiria a mesma coisa. Por incrível que pareça, voltei de lá com febre e taquicardia. Vê que estranho. Sinto que as coisas vão mudar radicalmente para mim – teu livro e Clarice Lispector num mesmo dia são, fora de dúvida, um presságio. Fico por aqui, já é muito tarde. Um grande beijo do teu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Porto, 22 de dezembro de 1979&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zézim,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-2518468658427346188?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/2518468658427346188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=2518468658427346188' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2518468658427346188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2518468658427346188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2000/10/caio-fernando-abreu-sobre-clarice.html' title='Caio Fernando Abreu sobre Clarice Lispector'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/SusqPTC50BI/AAAAAAAAAFY/yqVZK2faMro/s72-c/caio01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-7243295063268041507</id><published>2000-10-29T23:06:00.001-02:00</published><updated>2009-11-05T17:22:11.486-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='atualizações'/><title type='text'>29 de outubro a 5 de novembro 2009</title><content type='html'>O blog mudou de cara. Deixou o layout ultrapassado baseado na resolução 800x600 e ganhou um novo corpo, tela 1024x768, mais interativo, web 2.0, – mas, confesso, também já é ultrapassado. É muito difícil navegar pela vanguarda da internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dos textos na página principal, há um menu secundário com outros textos: a biblioteca. A idéia é fazer dali um lugar para se guardar textos e impressões sobre grandes escritores. É a minha biblioteca. Nesta atualização, algumas coisas de &lt;a href="http://thiagoterenzi.blogspot.com/search/label/Caio%20Fernando%20Abreu"&gt;Caio Fernando Abreu&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://thiagoterenzi.blogspot.com/search/label/CLarice%20Lispector"&gt;Clarice Lispector&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-7243295063268041507?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/7243295063268041507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=7243295063268041507' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/7243295063268041507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/7243295063268041507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2000/10/29-de-outubro-2009.html' title='29 de outubro a 5 de novembro 2009'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-4660715742604687592</id><published>2000-10-29T18:05:00.001-02:00</published><updated>2009-10-29T23:10:45.412-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='junio lerner'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gastão moreira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CLarice Lispector'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a biblioteca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1977'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tv cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='televisão'/><title type='text'>Entrevista de Clarice à TV Cultura</title><content type='html'>Clarice Lispector nunca gostou de dar entrevistas. Jornalista que era, sempre preferiu o outro lado: o de entrevistadora. É raro, muito raro, encontrarmos entrevistas da autora na imprensa escrita, mais raro ainda na televisão. Uma, porém, ficou famosa: a premiada entrevista que Clarice Lispector concedeu à TV Cultura pouco antes de sua morte, em 1977.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos mais tarde, na comemoração dos 30 anos da emissora, a entrevista foi reeditada e exibida num programa comemorativo apresentado por Gastão Moreira. Este programa foi postado no Youtube e, em contato com um grande público, hoje tem milhares de visualizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrevista é chocante. Como que para representar sua áurea misteriosa, o cenário é extremamente minimalista – escuríssimo, deixando em destaque apenas a autora sentada num sofá e um cinzeiro enorme em que Clarice repousa o cigarro. A entrevista é única, a cada resposta, uma atmosfera densa e misteriosa torna-se mais perceptível. Vale lembrar que o entrevistador é o experiente jornalista Junio Lerner, que conduz com incomum habilidade uma entrevista – na falta de outro adjetivo: difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9ad7b6kqyok&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9ad7b6kqyok&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/TvLrJMGlnF4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x006699&amp;amp;color2=0x54abd6"&gt;&lt;param 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href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/10/entrevista-de-clarice-tv-cultura.html' title='Entrevista de Clarice à TV Cultura'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-2635824852029182285</id><published>2000-10-29T17:32:00.001-02:00</published><updated>2009-10-29T18:04:59.155-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CLarice Lispector'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aprendendo a viver'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trechos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a biblioteca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensamentos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='biografia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frases'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clarice por Clarice'/><title type='text'>Clarice por Clarice</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Sun0MiBzMJI/AAAAAAAAAFA/GuNa_PoPhEg/s1600-h/clarice.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 299px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Sun0MiBzMJI/AAAAAAAAAFA/GuNa_PoPhEg/s400/clarice.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398114124510212242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Muito se escreve na tentativa de desvendar o mistério chamado: Clarice Lispector. Ela, porém, dona de uma densidade misteriosa, parecia não se deixar ser entendida – preferia desconstruir, implementar a dúvida. Propunha uma visão de mundo mais completa, superior ao entendimento das coisas. “Entender é sempre limitado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso, por essa dificuldade em entender seu universo particular – e normalmente temos esta necessidade –, talvez por isso é que existam hoje inúmeros livros, artigos, posts em blogs, etc que tentam explicitá-la. Um erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na contramão dessa tendência, o &lt;a href="http://claricelispector.com.br/"&gt;site “oficial”&lt;/a&gt; da escritora destina uma sessão feita inteiramente de recortes de trechos extraídos do livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aprendendo a viver&lt;/span&gt; (Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2004.), em que a própria autora fala sobre si. Lançando mão de seu já consagrado estilo de escrita, Clarice nos revela muito sobre seus pensamentos e sua vida, mas a cada pergunta respondida, surgem outras várias. É que a intenção dela nunca foi ser entendida – era algo maior: ser sentida. Optei então por reproduzir aqui o texto na íntegra. Achei que estes recortes diriam mais e melhor sobre a autora que qualquer biografia ou cronologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descoberta do amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.&lt;br /&gt;Pois juro que a vida é bonita.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Temperamento impulsivo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Lúcida em excesso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Sun0T-3AH_I/AAAAAAAAAFI/HL0zrl5aIi0/s1600-h/claricelispector.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 252px; height: 341px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Sun0T-3AH_I/AAAAAAAAAFI/HL0zrl5aIi0/s400/claricelispector.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398114252508635122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ideal de vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.&lt;br /&gt;   O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   [...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.&lt;br /&gt;É pouco, é muito pouco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Escritora, sim; intelectual, não&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Outra coisa que não parece ser entendida pelos outros é quando me chamam de intelectual e eu digo que não sou. De novo, não se trata de modéstia e sim de uma realidade que nem de longe me fere. Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto. Ser intelectual é também ter cultura, e eu sou tão má leitora que agora já sem pudor, digo que não tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade.&lt;br /&gt;[...] Literata também não sou porque não tornei o fato de escrever livros ‘uma profissão’, nem uma ‘carreira’. Escrevi-os só quando espontaneamente me vieram, e só quando eu realmente quis. Sou uma amadora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A síntese perfeita&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Sou tão misteriosa que não me entendo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A certeza do divino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar. Até esta glorificação: eu amo o Nada. A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada. E desta queda é que começo a fazer minha vida. Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo. Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Viver e escrever&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Quando comecei a escrever, que desejava eu atingir? Queria escrever alguma coisa que fosse tranqüila e sem modas, alguma coisa como a lembrança de um alto monumento que parece mais alto porque é lembrança. Mas queria, de passagem, ter realmente tocado no monumento. Sinceramente não sei o que simbolizava para mim a palavra monumento. E terminei escrevendo coisas inteiramente diferentes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Não sei mais escrever, perdi o jeito. Mas já vi muita coisa no mundo. Uma delas, e não das menos dolorosas, é ter visto bocas se abrirem para dizer ou talvez apenas balbuciar, e simplesmente não conseguirem. Então eu quereria às vezes dizer o que elas não puderam falar. Não sei mais escrever, porém o fato literário tornou-se aos poucos tão desimportante para mim que não saber escrever talvez seja exatamente o que me salvará da literatura.&lt;br /&gt;   O que é que se tornou importante para mim? No entanto, o que quer que seja, é através da literatura que poderá talvez se manifestar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Até hoje eu por assim dizer não sabia que se pode não escrever. Gradualmente, gradualmente até que de repente a descoberta tímida: quem sabe, também eu já poderia não escrever. Como é infinitamente mais ambicioso. É quase inalcançável”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A importância da maternidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Viver plenamente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Eu disse a uma amiga:&lt;br /&gt;   — A vida sempre superexigiu de mim.&lt;br /&gt;   Ela disse:&lt;br /&gt;   — Mas lembre-se de que você também superexige da vida.&lt;br /&gt;   Sim.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Um vislumbre do fim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Uma vez eu irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria. Meu corpo, esse serei obrigada a levar. Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão. E irei à frente, sozinha, finalmente cega para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente. Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada mas que nem por isso deixará de existir no mínimo silêncio que se locomove. Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido. Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto — serei ainda eu, horrivelmente esperta. Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si. Para voltar de ‘dois e dois são quatro’ é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-2635824852029182285?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/2635824852029182285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=2635824852029182285' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2635824852029182285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/2635824852029182285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2009/10/clarice-por-clarice.html' title='Clarice por Clarice'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Sun0MiBzMJI/AAAAAAAAAFA/GuNa_PoPhEg/s72-c/clarice.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7288541207605461414.post-4833833401687382456</id><published>2000-10-29T17:15:00.004-02:00</published><updated>2009-10-30T13:36:02.953-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre mim'/><title type='text'>Sobre mim</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Sunqgfk3oJI/AAAAAAAAAE4/xqLEsjDfi7Q/s400/sobre.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 400px; height: 105px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Sunqgfk3oJI/AAAAAAAAAE4/xqLEsjDfi7Q/s400/sobre.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;20 anos. Nascido em Belo Horizonte. Estudante de Letras pela UFMG. Ex-estudante de Jornalismo. Leitor. Escritor. Blogueiro. Vive em Belo Horizonte. Músico amador. Amador. Ex-vocalista de rock. Ex-guitarrista de rock. Toca Bossa Nova e MPB. Ouve Madonna. Lê Clarice Lispector. É cruzeirense. Bebe Brahma. Prefere Hainneken. Gosta de literatura pós-moderna. Vê Almodóvar. Gosta de vermelho. É urbano. Escreve. Finge escrever. Escreve? Não trabalha. Nasceu em 20 de setembro. Lê mais blogs que livros. Não acredita em muitas coisas. Acredita que a nova literatura passa pela internet. Não sabe o que é literatura. Não sabe de muitas coisas. Acredita que a Web 3.0 é tão imaginária quanto a outra. Parou no tempo em que o HTML não era ultrapassado. É ultrapassado. Tenta acompanhar as novidades. Continua ultrapassado. Não tem Twitter. Tem um irmão. Tem um blog.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7288541207605461414-4833833401687382456?l=thiagoterenzi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/feeds/4833833401687382456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7288541207605461414&amp;postID=4833833401687382456' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4833833401687382456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7288541207605461414/posts/default/4833833401687382456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thiagoterenzi.blogspot.com/2000/10/sobre-mim.html' title='Sobre mim'/><author><name>Thiago Terenzi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14625937246722384826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/TIRij9Z942I/AAAAAAAAAMM/K21AHH8YsZE/S220/avatar.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sHDJ9vNooog/Sunqgfk3oJI/AAAAAAAAAE4/xqLEsjDfi7Q/s72-c/sobre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
